Como trabalhar Educação Financeira com os filhos sem usar dinheiro?

Quando a nossa filha nasceu em 2003, passamos por uma grande mudança de rotina. Também foi um momento intenso de rever nossos valores e nossas prioridades.

Você já passou por isso, de repensar o que é realmente valioso para a sua vida?

Naquela época, já havíamos planejado e organizado as finanças para estar 100% do tempo com ela, trabalhando menos horas e fazendo tudo remotamente para termos condições de nos dedicar com tempo e foco. Para nós, não fazia sentido vê-la apenas na horizontal, como acontece com a maior parte dos pais que trabalham o dia todo, saindo de casa cedo e voltando tarde, quando as crianças já estão dormindo.

Foram anos muito vigorosos, cheios de descobertas e desafios. Educar é mais desafiador do que imaginávamos que fosse! À medida que nossa filha foi crescendo, queríamos passar nossa experiência e nossos ensinamentos financeiros para ela. Desejávamos que ela também pudesse ter a autonomia e a sensação de liberdade para fazer escolhas que desfrutamos. Mas, como ensiná-la se ainda era tão pequena? E sem usar o dinheiro?

Aproveitamos oportunidades do dia a dia e, desde então, focamos em ensinar as bases que fundamentam os comportamentos financeiros sustentáveis. Neste artigo, trago algumas sugestões para quem tem filhos pequenos começar a ensinar gestão de recursos, planejamento, criatividade, atitudes empreendedoras e autocontrole.

  • Quando for dar balinhas e guloseimas, ou qualquer item consumível, em vez de entregar pequenas quantidades diárias, entregue a quantidade total, para que a criança tenha de fazer a gestão ao longo do tempo. Por exemplo: se ela tem direito a seis balinhas no fim de semana, na sexta-feira converse com ela explicando que deverá comer três no sábado e três no domingo, e entregue as seis balinhas para que ela faça a sua gestão ao longo do tempo. Vá observando, acompanhando, mostrando a importância de se organizar, esperar, controlar os impulsos… e, aos poucos, ela vai praticando tudo isso. Lembre-se de ressaltar e elogiar as conquistas!
  • Outra possibilidade é combinar momentos específicos para carregar a bateria de equipamentos eletrônicos ou limitar o tempo de uso com controle parental, e fazer com que a criança tenha de fazer a gestão do tempo de uso. Por exemplo: sete horas por semana de uso liberadas começando no sábado. 

Quando a criança estiver no controle e conseguir não comer todas as balinhas ou usar todo tempo na internet, você pode, de vez em quando, dar um bônus dobrando a quantidade de balinhas e horas economizadas. Com isso, ela desenvolverá o hábito e aprenderá as vantagens de GUARDAR.

É possível desenvolver novos comportamentos mesmo em adultos, mas com crianças a luta interna acaba sendo menor, pois existem menos crenças, hábitos e paradigmas estabelecidos. O mais importante é ter bem claro o propósito da mudança que está querendo fazer e aos poucos gerar estímulos para que os novos comportamentos se tornem hábitos.

Todos temos um potencial enorme dentro de nós, com talentos e habilidades para serem descobertos e desenvolvidos. Esta jornada de praticar mudanças é libertadora. Faça a sua jornada pessoal e ajude seus filhos a fazer a deles!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Você dá ou pensa em dar mesada para seus filhos? Então, leia isto!

A mesada é um tema que eu adoro, pois é um hábito bastante presente na nossa cultura e é um assunto que traz a oportunidade de explorar vários aprendizados.

Eu recebia esporadicamente mesada dos meus pais e ainda não dei mesada para a minha filha, que hoje já está com 17 anos, mas muitas famílias repetem o padrão de dar mesada para seus filhos.

Algumas famílias começam a dar dinheiro para crianças bem pequenas, por hábito, sem nem ter a intenção de educá-las financeiramente e, outras, já fazem isso com mais critérios e estão focadas em introduzir algumas práticas que contribuam para a formação de filhos financeiramente independentes e responsáveis.

Geralmente, damos dinheiro às crianças na esperança de que elas possam ir aprendendo aos poucos a fazer melhores escolhas, aprendam que o dinheiro é finito e que precisamos definir prioridades. Mas será que só dar o dinheiro a cada semana ou mês, é suficiente?

A mesada pode ser um meio para educar financeiramente as crianças e os jovens, mas, cada dia mais acredito que é importante planejar as regras e adaptar os valores à realidade de cada família e aos objetivos desejados com essa prática, para conseguir melhores resultados.

Um ponto importante, é ter em mente que dar dinheiro para os filhos, com frequência, não costuma ser um bom aprendizado para a vida real, já que, na prática, é necessário ensiná-los a gerar dinheiro com suas habilidades, conhecimentos e esforços. Nós, adultos, sabemos e sentimos na “pele” os desafios para gerar dinheiro todos os meses, não é mesmo?

Vou listar seis sugestões que podem ser implementadas e que contribuirão para que o ato de dar a mesada seja mais educativo. Lembre-se de adaptar à sua realidade e sempre levar em conta a idade das crianças para não criar algo estressante e chato, afinal, queremos que nossos filhos desenvolvam uma relação positiva com o dinheiro.

1 – Estabeleça períodos intercalados para dar a mesada em vez de ser algo constante e garantido o ano todo, isso ajuda a eliminar a sensação de que o dinheiro vem de forma passiva para o bolso e contribui para o uso estratégico ao longo do tempo.

2 – Defina objetivos para o uso da mesada, por exemplo: o dinheiro deve ser usado para pagar os lanches da escola, o transporte e gastos pessoais extras. Isso exigirá que a criança ou o jovem planeje e gerencie o uso do dinheiro, ao longo do tempo, para cumprir os objetivos.

3 – Tribute o valor combinado na hora do pagamento e assim já estará ensinando sobre a necessidade de pagar os impostos, que no caso de assalariados, já é retido na fonte.

4 – Cobre juros para fazer adiantamentos e já ensine sobre o alto custo de usar crédito.

5 – Remunere o dinheiro que fica aplicado e incentive o hábito de guardar e fazer investimentos;

6 – Evite remunerar serviços domésticos do dia a dia, pois isso ajudará a ensinar sobre a importância da colaboração voluntária na família e na comunidade.

Estes são alguns exemplos de como incrementar a prática de dar a mesada para obter melhores resultados na Educação financeira dos filhos. Mas lembre-se, é possível ensiná-los sem dar a mesada e faremos outros artigos para trazer sugestões para os que preferem dar dinheiro esporadicamente e, também, para os que preferem não envolver dinheiro, no primeiro momento.

É possível ensinar aos filhos o uso responsável, empreendedor, ético e sustentável do dinheiro, e isso será útil para a vida pessoal, familiar e social deles, independentemente das escolhas profissionais. Invista tempo nesses ensinamentos e colherá frutos valiosos!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Três cuidados ao trabalhar educação financeira com as crianças e os jovens

Muitos dos desafios financeiros enfrentados pelas pessoas no Brasil vêm de paradigmas e crenças limitantes que vão sendo passadas de geração para geração e afastam as pessoas de conhecimentos valiosos sobre o dinheiro. Acreditar que só ganha dinheiro quem já tem dinheiro, que dinheiro não traz felicidade, que os ricos são desonestos e exploradores… são alguns exemplos de crenças que acabam gerando comportamentos pouco sustentáveis e afastam muitas pessoas de realizações e da prosperidade.

Cada dia mais, acredito ser imprescindível que as pessoas percebam e usem o dinheiro, apenas, como mais um dos recursos de que possuem para acessar os desejos e suprir as necessidades ao longo de toda a vida. É possível aprender a tomar decisões que gerem resultados financeiros positivos para a vida pessoal, familiar e, também, para toda sociedade. Pessoas boas e colaborativas, com dinheiro, podem ampliar os impactos positivos de suas ações. Elas são capazes de desenvolver, inclusive, empresas de impacto social positivo.

Para reduzir a pobreza, que mata e prejudica tantas pessoas, precisamos fazer com que mais pessoas tenham acesso ao dinheiro e consigam fazer bom uso dele. Para isso, é fundamental trabalhar educação financeira na escola e construir bases comportamentais sustentáveis desde cedo.

Aqui vai uma lista de três pontos que, pela nossa experiência, devem estar no radar dos educadores ao tratar do assunto dinheiro com as crianças e os jovens, e que muitas vezes passam despercebidos.

  1. Evite afirmar que dinheiro não dá em árvore. Simbolicamente, é possível ter uma árvore de dinheiro. Isto é, ter renda passiva a partir de ações e investimentos capazes de viabilizar ganhos futuros, sem a necessidade de presença e trabalho constantes (renda de dividendos, investimentos em imóveis, direitos autorais, são alguns exemplos).
  2. Atenção ao falar de ricos e pobres e fazer comparações. Existem muitas pessoas que consomem produtos caros mas que estão endividados, ou que tem estilo de vida luxuoso e ganham a vida fazendo atividades ilícitas, explorando trabalho escravo e roubando. Mais importante do que a quantidade de dinheiro que uma pessoa tem é saber de onde vem esse dinheiro, quantas pessoas ajuda ou atrapalha.
  3. Cuidado para não associar o dinheiro apenas com o consumo. Principalmente com as crianças pequenas, é comum incentivar que elas escolham desejos e juntem dinheiro para gastar. É necessário, desde o início, mostrar que fazemos escolhas com o dinheiro. Ao gastar em uma coisa, abrimos mão de outras coisas. Usamos o dinheiro para a alimentação, para cuidados com a saúde, para ajudar outras pessoas e, também, para realizar desejos.

Uma boa relação com o dinheiro se constrói a partir de conversas positivas sobre o tema, observações e experiências onde seja permitido questionar padrões de consumo e estilos de vida, pensar sobre o que se está comprando ao fazer determinadas escolhas, perceber pressões sociais, expor sentimentos e emoções que permeiam nossas decisões. 

Convido você a, cada dia mais, fazer as pazes com você e com o seu dinheiro para aproveitar a jornada de aprendizados infinitos que esse tema nos proporciona. Em cada fase da vida enfrentamos desafios diferentes e surgem, também, oportunidades. Que possamos estar sempre aprendendo e nos conhecendo, aprimorando habilidades para sermos capazes de usar bem o dinheiro, e usar o dinheiro para o bem. Conte conosco!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Como proteger a saúde financeira da sua família em 2021?

Estamos chegando ao fim de 2020, um ano difícil e cheio de desafios inusitados e me observo começando a ter a sensação de que ao iniciar 2021 tudo será diferente e melhor, mas será que isso faz sentido? Com tudo o que temos aprendido com as Ciências Comportamentais sobre os “seres humanos” já consigo perceber que isso, na realidade, não faz muito sentido.

Temos uma tendência ao otimismo, à inércia, a seguir os comportamentos do grupo em que estamos inseridos, somos fortemente influenciados pelo ambiente e o contexto e tudo isso gera vários problemas para a nossa vida. Acabamos nos privando de conforto, boas férias, descanso, vamos destruindo relacionamentos e nos afastando de pessoas amadas, sofremos problemas de saúde e prejudicamos o nosso bem-estar porque não conseguimos AGIR como gostaríamos.

Pense um pouco. Você tem comido pior do que gostaria? Tem feito menos atividade física do que gostaria? Guardou menos dinheiro? Tem cuidado menos da sua aparência? Tem sido menos paciente ou gentil com as pessoas ao seu redor? Enfim, sabemos o que precisa ser feito mas ficamos paralisados. Felizmente existem estudos e ferramentas simples e práticas para nos ajudar a tornar essa jornada mais leve e ter resultados mais prósperos. Esse é um dos motivos pelos quais me apaixono cada dia mais por esse tipo de conhecimento, é surpreendente o poder de transformação de pequenas ações!

O nosso “mergulho” tem sido principalmente nas finanças porque há uns 25 anos o dinheiro estava tendo um poder muito grande sobre nossas decisões. Estávamos abrindo mão do convívio com pessoas queridas, lazer, cuidados com a nossa saúde para gerar cada vez mais dinheiro. Mas, ganhar mais, não resolvia o nosso problema pois também passávamos a gastar mais e estávamos presos no ciclo “maluco” de ter sempre que ganhar mais, para gastar mais. Foi aí que decidimos dar um basta, construímos o caminho que virou o nosso método dos 6Gs e que desde 2008 vem sendo aprimorado e compartilhado com milhares de pessoas. São coisas simples e práticas capazes de serem aprendidas por crianças, jovens e adultos.

Como já estamos no final do ano, vou compartilhar alguns pontos, que na minha visão, poderão contribuir para fortalecer e proteger a saúde financeira da sua família em 2021. A primeira delas é aproveitar esse momento para fazer um levantamento do que aconteceu com seu dinheiro ao longo do ano que passou. Pegue papel e caneta e escreva, lembre-se de que queremos ajudar seu cérebro a fazer o que você já sabe que deveria fazer. Responda e escreva coisas como: De onde veio o seu dinheiro? Onde foi gasto? O que foi desperdiçado? Quais foram os gastos prazeroso e que valeram a pena? Onde gostaria de ter gastado e o que quer realizar em 2021 e nos próximos anos? Como está e como gostaria que estivesse a sua reserva para aposentadoria? Quanto precisa ter guardado para ter mais tranquilidade nos imprevistos?


O final do ano é um período propício para esse tipo de exercício e, também, é um momento onde, geralmente, ocorre uma variação nos gastos e ganhos das famílias. Como não é novidade, há um ciclo repetitivo anual conhecido e que pode ser usado estrategicamente para irmos melhorando os resultados e vivendo de forma mais leve.

Um dos 6Gs que devemos praticar é Guardar dinheiro. É um hábito que não está relacionado com o fato de ter dinheiro sobrando, como muitos pensam. A estratégia que melhor funciona é tirar o dinheiro da conta e já aplicar, antes mesmo de pagar as contas, deve ser o primeiro movimento e em muitos casos pode ser agendado na própria instituição financeira de forma automatizada.
No nosso método dos 6Gs que vem sendo desenvolvido há mais de 20 anos, sugerimos que as pessoas mapeiem as entradas e saídas de dinheiro, mensais e anuais e, ao longo de todo o ano, já guardem mensalmente pequenas quantias para os gastos anuais como férias, festividades, material escolar, IPTU, IPVA, renovação de seguro… Faça isso a partir de agora e conseguirá evitar “surpresas desagradáveis” em cada virada de ano. Já faça um 2021 bem melhor!

Tenho aprendido a focar na minha ação, mesmo que não seja fácil, pois as outras coisas são menos controláveis ainda ; ). Este ano de 2020 nos mostrou muito isso! Se está precisando de mais dinheiro, aproveite para pensar também em possibilidades de gerar renda extra vendendo produtos que estão entulhados nos armários, oferecendo serviços úteis nessa época. Muitas pessoas, com a pandemia, mudaram suas rotinas e precisarão de ajuda nas compras de Natal, decoração, comidas, materiais escolares… use a sua criatividade e amplie o seu olhar para novas possibilidades.
Infelizmente, temos visto o dinheiro “mandar” em muita gente independentemente da quantidade. Você pode ter mais controle e autonomia, evitar surpresas indesejáveis, entender mais sobre o fluxo do seu dinheiro ao longo do ano, antecipar os fatos, planejar os resultados que quer ter e se preparar sempre guardando, investindo e direcionando para as suas prioridades. Um dos maiores erros é ficar preso à quantidade de dinheiro, não foque na quantidade agora, crie esse processo na sua vida com pequenas quantias e fortaleça as finanças da sua família, para que cada dia o maior poder esteja na sua ação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

O que podemos ensinar para as crianças sobre dinheiro, dentro de casa?

Para educar financeiramente as crianças é necessário dar mesada? Como fazer com que os filhos valorizem o dinheiro e reduzam os desperdícios? Como evitar que meus filhos sejam consumistas? Como preparar as crianças para terem autonomia e consigam se sustentar financeiramente no futuro? Estas são algumas das angústias e dúvidas das famílias que percebem a necessidade de preparar os filhos para viver neste mundo cheio de desafios e oportunidades, com o consumo sendo incentivado em cada clique e em cada esquina. Um mundo onde muitos acham que o TER garantirá o SER.

Tratar do assunto dinheiro no dia a dia da família de forma natural e frequente é muito valioso para que as crianças entendam que o dinheiro é, somente, um dos recursos que temos à disposição. Elas precisam entender que ele precisa ser usado de forma estratégica, pois é finito, ele acaba independentemente da quantidade, e será sempre necessário ao longo de toda a vida, na infância, juventude, vida adulta e quando ficarem idosas. É usado na moradia, na alimentação, na educação, no lazer e, também, para realizar ações colaborativas e capazes de impactar positivamente a vida de mais pessoas. Então, não dá para não entender dele e desperdiça-lo, não é mesmo? 

Apresento algumas sugestões de atividades para engajar a família em experiências práticas para que comecem a desenvolver habilidades fundamentais para o bom uso do dinheiro como: criatividade, disciplina, organização, noção de quantidade, perceber desperdícios, saber esperar, ter contato com o lixo, explorar embalagens… São inúmeras as possibilidades de abordagens e estímulos, lembre-se de adequar a realidade de sua família e a idade das crianças e dos jovens. 

  • Investiguem e descubram um item que precisa ser comprado algumas vezes ao longo de um mês em sua casa. Façam registros mostrando onde ele é usado e para que ele serve. 
  • Quando estiverem assistindo as propagandas, observem as palavras e imagens que são usadas nos anúncios, quem é o público-alvo, o que está sendo vendido? Que paga essas propagandas? Por que elas existem?  
  • Investiguem e descubram um item que precisa ser comprado ou pago uma vez por ano, todos os anos. Façam um registro mostrando onde ele é usado e para que ele serve. 
  • Peguem copos com água, usem a sua criatividade e vejam se conseguem escovar os dentes somente com a água de um copo. Lembrem-se de que é importante lavar bem a boca para não engolir o creme dental. Façam o desafio em família! 
  • Antes de jogar fora o tubo de creme dental vazio, cortem a embalagem. Descubram quantas vezes ainda conseguem escovar os dentes com o produto residual que fica lá dentro e seria jogado no lixo. Conversem sobre o que descobriram.
  • Pensem em uma forma de separar o lixo da casa em dois recipientes: reciclável e não reciclável. Façam a sinalização das lixeiras para ajudar a lembrar onde descartar o lixo no dia a dia e observem o tipo de material das embalagens antes de descartá-las. 
  • Reúnam os boletos que precisam ser pagos e peçam que as crianças separem os gastos por tipos: alimentação, transporte, educação… façam somatórios, conversem sobre as escolhas de consumo. Planejem reduzir o que for viável e puder contribuir para redirecionar o dinheiro para outras prioridades.

Falar de dinheiro em casa de forma agradável, ao invés de somente na hora do stress financeiro das contas “apertadas” e atrasadas, é um passo a ser construído e que pode melhorar os resultados da família pra sempre. Cultive esse hábito, construa esse canal de comunicação e aos pouquinhos perceberá as mudanças positivas.

Questões financeiras mal resolvidas atrapalham os relacionamentos, o trabalho, a saúde… não deixe isso passar desapercebido. Invista na educação financeira de toda a família e colherão resultados positivos rapidamente. 

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Como usar o seu dinheiro para o BEM

Você já parou para pensar sobre o bem que é capaz de fazer com o seu dinheiro?

Por exemplo, se levar em consideração que ao comprar uma fruta no supermercado, você ajuda a pagar o salário dos funcionários, remunera o empreendedor dono do estabelecimento, as pessoas que transportaram a fruta do campo até a cidade, as pessoas que trabalham no campo irrigando, semeando, tratando e fazendo a colheita, perceberá que suas decisões financeiras, por mais simples que sejam, causam muitos impactos. Quantos empregos você gera? Quantas pessoas você ajuda, direta e/ou indiretamente?

Quando comecei a perceber de forma mais ampla os impactos que eu causava ao usar meu dinheiro, passei a ser mais criteriosa nas minhas decisões. Fui conversando com mais pessoas, disseminando ideias, ouvindo percepções e ajudando na mudança dos comportamentos financeiros. Minha motivação é crescente pois percebo que é possível agir e contribuir para uma sociedade mais justa e melhor. 

Muitas pessoas colocam a culpa dos problemas sociais e ambientais que vivemos no dinheiro, mas enxergo que o problema está nos comportamentos. Ao lado do Léo, meu marido e parceiro de negócios e propósitos, já se foram mais de 20 anos nessa trajetória de educação financeira comportamental. Em 2013 passamos a “plantar essas sementes” nas escolas, para fazer mais pessoas usar o dinheiro para o bem. Os pequenos hábitos do dia a dia, de cada um, são muito importantes. E são com eles que vamos construindo melhorias, ao vivenciar experiências, buscar soluções, refletir e discutir com o grupo.

Cada comunidade, cada família, cada pessoa tem uma realidade que precisa ser levada em consideração, existem muitas possibilidades de escolha e formas diferentes de levar a vida. Não precisamos ser vítimas e nem escravos do dinheiro, não precisamos  ter a vida igual a do vizinho ou das pessoas que vemos na TV ou nas redes sociais.

Convido você a listar quais são as coisas mais valiosas para você, o que gostaria de priorizar e avalie se está colocando o dinheiro para realizar essas coisas. Verifique, também, se seus hábitos de consumo estão alinhados ao que valoriza. Por exemplo, se valoriza a preservação ambiental

  • reduza a quantidade de lixo que descarta escolhendo produtos que trazem embalagens recicláveis e em menor quantidade. Geralmente, existem opções com proporção maior de quantidade de produto e menor quantidade de embalagem.
  • avalie se o conteúdo e embalagem são biodegradáveis e o tempo que levará para ser degradado.
  • separe o lixo em casa, pelo menos em reciclável (saco azul ou verde) e não reciclável (saco preto), pois isso já facilitará a reciclagem.

O dinheiro, quando usado de forma estratégica e para o BEM – o seu bem, o bem da sua família e o bem de toda a sociedade – beneficia muita gente. Já são mais de 100.000 pessoas impactadas, venha conosco participar desta transformAÇÃO!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Qual deve ser o limite de ganho de uma pessoa?

Eu nunca tinha pensado sobre isso, até que um dia, trabalhando com educação financeira comportamental, decidimos produzir um programa para ser usado nas escolas. Veio daí o desafio: o que ensinar às crianças e aos jovens, para que eles sejam capazes de perceber O LIMITE de ganho, mas sem limitar a criatividade e sem deixar de fazê-los sonhar com uma vida melhor para eles e para toda a sociedade.

Para mim sempre foi importante sonhar alto, isso me motivou a dar passos fundamentais para superar e enfrentar meus medos e inseguranças. Acredito no poder da superação quando temos algo que nos instiga e tira da zona de conforto, quando vamos em busca de algo que faz os olhos brilharem e o coração acelerar. Precisava manter essa chama acesa no coração dos estudantes!

Ao mesmo tempo, via que a ganância e a busca por cada vez mais coisas e mais dinheiro não fazia bem para as pessoas e nem para a sociedade. A gente vê pessoas abastadas que não conseguem usufruir de tudo o que têm, que não conseguem colaborar com os outros e que, muitas vezes, nem enxergam tudo isso. 

Também via pessoas ultrapassando limites éticos importantes, roubando, enganando, mentindo, desviando verba pública e privada sem o menor constrangimento em benefício próprio, para acumular mais e ter mais. Cegas, incapazes de perceber o mau que fazem para as pessoas próximas e para toda a sociedade. 

Veio daí o “estalo”, vamos ensinar que o limite de ganho de uma pessoa deve ser a ÉTICA! Tudo pode ser feito e sonhado desde que o respeito a si mesmo e aos outros seja mantido. Ficou fácil e simples de ser entendido, sempre que pensamos em realizar algo precisamos pensar: quem vamos prejudicar? quem vamos ajudar? Isso torna as decisões mais claras, a vida mais simples e a trajetória mais significativa. Nos faz pensar e agir além do próprio umbigo.

Aos poucos temos plantando sementes no coração dos professores, estudantes e famílias, levando discussões e reflexões sobre o uso do dinheiro para o bem em cada atividade proposta. Viabilizando ampliar o olhar para novas possibilidades e construindo hábitos saudáveis em relação ao uso do dinheiro. Venha conosco fazer essa transformação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Por que não basta fazer o Projeto Cofrinho?

Você já se empolgou reunindo moedinhas para depois de algum tempo, conseguir realizar um objetivo? Fazer um cofrinho é um processo motivante e cheio de aprendizados, e é bastante comum encontrarmos esta prática nos chamados “projetos cofrinhos” feito em escolas pelo Brasil afora.

Apesar de ser uma forma de introduzir práticas financeiras fundamentais, como: definir objetivos, aprender a esperar, perceber o poder do pouquinho, conhecer o Real, somar, realizar… temos percebido que são necessários cuidados para não estimular o consumismo e desenvolver alguns hábitos prejudiciais em relação ao uso do dinheiro. Quem dera que apenas aprender a guardar, que é um dos objetivos do cofrinho, fosse o suficiente para ter uma boa vida financeira!

Construir comportamentos financeiros proativos e saudáveis exige ações mais amplas e estratégicas. No Brasil, temos um histórico bastante ruim de resultados financeiros da população que geram desigualdade social e prejudicam a qualidade de vida de muitas famílias. Segundo dados de julho/2020 da Confederação Nacional do Comércio, 67,4% das famílias têm dívidas de consumo, sem levar em consideração os financiamentos imobiliários. E o pior, independentemente da faixa de renda, o que mostra que não é apenas uma questão de ter acesso ao dinheiro, isto significa que, distribuir dinheiro igualmente para as pessoas, poderia não resolver o problema. É por isso que muitos países têm programas nacionais de Educação Financeira, inclusive o Brasil, que desde 2010 tem a ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira), e agora tornou obrigatório nas escolas por meio da BNCC. Para resolver toda essa complexidade de problemas sociais causados pelo mau uso do dinheiro, se faz necessário programas de educação financeira mais amplos, focados em diversas e diferentes habilidades.

Esse é um dos motivos que tem nos feito trabalhar, pesquisar e testar estratégias pedagógicas nos últimos anos, desde que lançamos o Programa Oficina das Finanças na Escola em 2013. Entendemos que a educação financeira precisava ser mais completa e melhor estruturada para trabalhar os comportamentos, para contribuir e melhorar os resultados sociais e ambientais do Brasil. A partir das escolas, é possível gerar um impacto rápido e positivo na comunidade ao ajudar os alunos e, também, os educadores e as famílias.

As escolas que já fazem algum trabalho de educação financeira, como o projeto cofrinho, são muito especiais, pois já percebem a relevância do tema e, de alguma forma, desenvolvem ações com a proatividade e a criatividade de seus educadores. Entretanto, é necessário ir além, pois os desafios das “entrelinhas” do assunto dinheiro, os bloqueios comportamentais e a intensidade dos estímulos sociais de consumo também precisam ser considerados. Os pré-conceitos familiares, religiosos e culturais impactam os comportamentos, e confirmamos, na prática diária, tudo o que as Ciências Comportamentais estão descobrindo sobre a racionalidade humana. As nossas emoções falam mais alto em aproximadamente 95% das decisões, mas sabemos que é possível realizar intervenções estratégicas no design dos ambientes, nas nossas ferramentas de trabalho e lazer, e criar estímulos para que consigamos tomar melhores decisões para ser quem queremos ser e ter a vida que desejamos.

Para mobilizar ações e mudar comportamentos, é necessário ir muito além da matemática e do guardar o dinheiro para realizar objetivos, precisamos de várias outras habilidades e, também, perceber os malefícios que o descontrole financeiro e o mau uso do dinheiro geram na família, na sociedade e no meio ambiente, além de despertar o desejo de mudar essa realidade. Se você é sensível a esta causa e deseja impactar positivamente a vida de mais pessoas, venha conosco para fazer esta transformAÇÃO.

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Educação financeira é matemática financeira?

Você já se perguntou se Economistas, Contadores, Matemáticos ou Gerentes de bancos estão endividados ou têm dificuldades para gerir o próprio dinheiro?

Conhecer o desequilíbrio financeiro de pessoas com acesso a informações, conhecimento matemático e alta renda foi MUITO chocante e intrigante para nós. Descobrimos, há mais de 20 anos, que, infelizmente, esses fatores não garantem uma vida financeira próspera e sustentável. A explicação para essa aparente incoerência vem das Ciências Comportamentais que demonstram por meio de estudos e experimentos que, na prática, apenas 5% das decisões tomadas pelos humanos são lógicas e racionais, somos influenciados pelo contexto, comportamento do grupo, estereótipos…

Então, que tipo de educação financeira é possível e eficaz? Como é possível melhorar os nossos resultados financeiros? A resposta que temos encontrado é: transformando a forma como pensamos sobre nós mesmos e o mundo, desenvolvendo algumas habilidades e usando “estímulos” que nos ajudem a agir rumo aos nossos objetivos e valores.

Ao tratar de dinheiro a sensação é sempre de algo difícil, mas, na verdade, descobrimos que pode ser incrivelmente simples e como os novos hábitos começam a melhorar rapidamente várias áreas da nossa vida, passa a ser muito recompensador. Não pelo dinheiro em si, mas porque melhora a nossa saúde, o bem-estar, os relacionamentos ficam mais leves, o dia a dia e os desafios ficam menos pesados. Como o dinheiro está presente em muitas áreas da vida, os problemas financeiros não ficam no compartimento do dinheiro. Os desafios financeiros vão transbordando e atrapalhando várias outras áreas. Quantas brigas e desentendimentos na família você já teve ou presenciou por questões financeiras? Quantas noites de sono você perdeu? Quanta insegurança você sentiu?

É incrível como negligenciando o dinheiro, acabamos ficando “escravos” dele, e ao dominá-lo, nos libertamos! Porque o dinheiro é apenas um dos recursos que temos à nossa disposição, é uma moeda de troca, mas na prática parece ser algo muito maior. Precisamos saber como gerar dinheiro a partir das nossas habilidades e da nossa dedicação de tempo, mas isso não resolve os problemas. Você já viu pessoas que ganharam milhões e perderam tudo?

Para nós, tudo mudou de perspectiva, quando conseguimos perceber o “fluxo de dinheiro” na nossa vida, passamos a observar de onde ele vem e para onde ele vai a cada decisão, começamos a contabilizar os custos para se ter dinheiro, pensar em tudo o que estamos abrindo mão e realizando. Além disso, passamos a perceber os impactos pessoais, familiares, sociais e ambientais gerados a partir desse uso diário, desse fluxo.

A sensação é de termos colocado um novo óculos, com lentes capazes de desmistificar paradigmas e preconceitos e abrir o horizonte para enxergar novas possibilidades para o uso estratégico do dinheiro, isso ampliou o nosso olhar. Passamos a questionar a aquisição da casa própria como o primeiro imóvel na vida de uma pessoa, o valor imobilizado em um carro e a forma de utilizar crédito. Ficou explícita a necessidade de fazer o dinheiro trabalhar para nós, não fazia sentido transformar nosso tempo em dinheiro e somente comprar coisas que tiram dinheiro do nosso bolso, passamos a comprar coisas que também colocam dinheiro nele. A relação com os desperdícios mudou, afinal de contas, desperdiçar dinheiro passou a ser sentido como desperdício de tempo de vida, que não volta mais.

Sem dúvida, assim como a matemática está presente em tudo ao nosso redor, a matemática financeira é necessária e útil para fazer as operações, comparar grandezas, dividir custos, somar as despesas, raciocinar propostas e projetar possibilidades. Inclusive, nas escolas, temos visto que ensinar a matemática financeira a partir de experiências práticas da gestão do dinheiro em aulas de educação financeira, contribui para que o conteúdo se torne mais atrativo e significativo para os estudantes.

Mas é essencial termos consciência das fragilidades e limitações humanas nos processos decisórios, que vêm sendo mapeadas e, além disso, conseguir ter uma visão mais ampla dos impactos de cada decisão ao aplicar todo e qualquer conhecimento de matemática financeira. Afinal de contas, pode ser melhor economicamente utilizar ingredientes de má qualidade, mão de obra escrava, fazer com que as pessoas tenham um tempo de vida mais curto, reduzindo custos com previdência e tratamentos de saúde, mas os impactos de tudo isso precisam “falar mais alto” e ter um peso maior no comportamento dos indivíduos.

É esse uso do dinheiro mais ético, responsável e sustentável que pretendemos construir a partir da educação financeira comportamental. Convido você a conhecer mais sobre o assunto, mergulhar nessa jornada e fazer parte dessa transformação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

O que as minhas decisões financeiras tem a ver com a pobreza e destruição ambiental?

Você já parou para pensar sobre os impactos do SEU CONSUMO diário, mensal e anual, na sociedade e no meio ambiente? Para a maioria das pessoas as pequenas decisões do dia a dia passam despercebidas, são ações automáticas e muitas delas herdadas da família.

Por exemplo, quando você compra um sabão em pó e usa para lavar as roupas, o conteúdo do produto é dissolvido na água que, dependendo da região onde mora, vai para o esgoto e acaba voltando para a natureza, em alguns casos com tratamento e em outros casos, sem tratamento. Enfim, será que o produto que você escolheu é biodegradável? Será que a embalagem é feito com papel, plástico, material reaproveitável ou reciclável? Você calcula o custo por lavagem? Sabe se o fabricante paga impostos, atua de forma idônea?
Vale sempre uma reflexão, pois mesmo sem querer, podemos estar aumentando ou diminuindo os problemas sociais e ambientais com as nossas pequenas decisões diárias.

A ideia não é ficar ( psíquico ou) radical, mas começar a alinhar as decisões de consumo com os valores de vida, passar a se informar e ler embalagens, pois afinal, vivemos em uma sociedade que usa o dinheiro para suprir necessidades e atender aos nossos desejos, e podemos fazer isso com responsabilidade e sustentabilidade.

É por isso que é tão importante educar financeiramente os adultos, jovens e as crianças, para que tenhamos uma sociedade melhor preparada para usar o dinheiro e os recursos, com olhar mais amplo. Muitas vezes ficamos focados apenas no nosso bolso, querendo economizar ao máximo, enriquecer, ganhar mais e acreditando que todas as soluções dos problemas serão resolvidas com mais dinheiro. Mas não é bem assim, existem milhares de pessoas com ótimas rendas e, mesmo assim, endividadas, frustradas, perdendo o sono… porque lhes faltam habilidades comportamentais para fazer o uso dos recursos de forma leve, fluida e responsável.

A partir de agora, convidamos você a sempre pensar, antes de tomar qualquer decisão financeira, quais os impactos na sua vida, na sua família, mas também, os impactos sociais e ambientais que está gerando. Quem você está ajudando? Quem está atrapalhando ao consumir e gerar renda?

Para reduzir as desigualdades sociais e a pobreza, que prejudicam tanta gente, podemos começar a AGIR de forma diferente no dia a dia. Quando você compra produtos de produtores locais, menores, empreendedores sociais, você gera um movimento de apoio aos pequenos, que geram empregos no seu bairro, na sua cidade, e vai permitindo que a concorrência saudável faça sobreviver os melhores;
negócios, com seus produtos e serviços e não, simplesmente beneficia os que têm mais verba publicitária. Essa é uma das vantagens das redes sociais e internet, ela é capaz de dar visibilidade e aproximar pessoas e negócios com baixo custo, de forma mais acessível e democrática.

Lembre-se a sua ação gera impactos capazes de contribuir para um mundo melhor para todos. Faça a sua parte!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Quando começar a Educação Financeira das crianças?

Sabendo das incertezas do futuro, as pessoas estão sentindo “na pele” a falta que faz não ter tomado melhores decisões financeiras no passado, e surge a necessidade de rapidamente entender e dominar o dinheiro e começar a ensinar, o quando antes, as crianças e os jovens a lidarem melhor com os recursos que têm para viabilizar a qualidade de vida.

Enfrentar desafios tendo o dinheiro garantido acaba sendo sempre melhor do que sem ele. Quem está passando pela pandemia sem a necessidade de se preocupar com o dinheiro, já tem mais tranquilidade e opções para superar esse momento, por mais que o dinheiro não garanta tudo.

Mas aí vem a pergunta, quando começar a educação financeira das crianças? Uma Educação capaz de ajudá-las a resistir às pressões de consumo, entender o valor do dinheiro, a necessidade de planejar gastos e evitar os desperdícios. E, além disso, contribuir para que usem o dinheiro de forma ética e colaborativa.

Como mãe e educadora, tenho vivenciado diferentes etapas e aprendido muito no processo de educação financeira das crianças e jovens, podendo experimentar vários estímulos e observar os comportamentos. Para quem tem crianças por perto, é comum experimentar momentos de birra e espetáculos em lojas, comparações com as aquisições de amigos, chantagens, consumo excessivo de doces e bobagens com o próprio dinheiro…

Costumo dizer que o momento ideal para começar a educação financeira é quando a criança começa a se interessar pelos consumos e passa a pedir coisas. Mesmo antes de entender números e quantidades, é possível ensinar os comportamentos tão fundamentais para quem quer ter uma relação saudável e sustentável com o dinheiro. Por exemplo:

  • Saber esperar é fundamental e a criança pode ser estimulada a esperar não recebendo tudo o tempo todo no momento em que demanda, seja atenção, um alimento, uma brincadeira.
  • Organização é outra habilidade que pode ser praticada em família em diferentes momentos de lazer, arrumação do quarto e das tarefas da escola.
  • Planejamento pode ser trabalhado com a criança desde a preparação de uma receita de bolo, de um piquenique, de uma festinha de aniversário…
  • Listar desejos pode ser praticado criando registro de tudo o que a criança começa a pedir. Ao invés de dizer “é muito caro”, “não tenho dinheiro”, “você já tem um monte de brinquedos”, você pode incentivar que ela organize em uma lista tudo o que ela quer, para que possa ir se organizando, pensando em estratégias para realizar, possa avaliar se é realmente um desejo válido e consiga definir prioridades.
  • Definir prioridades é fundamental e quando as crianças vão crescendo é possível ir mostrando as opções que ela tem, fazendo comparações do tipo, com o dinheiro necessário para comprar esse caderno, você poderia comprar 3 cadernos daqueles ou essas canetinhas. O que você prefere?
  • Gerir os recursos percebendo a quantidade e a finitude, pode ser praticada com o estabelecimento de alguns limites de tempo de uso de celulares, tablets e até mesmo, limitando a carga de energia elétrica desses aparelhos e videogames.

Mesmo antes de dar dinheiro às crianças, é possível fazer com que gerenciem o tempo de uso e vão se organizando e definindo prioridades.

Os comportamentos são mais importantes do que o conhecimento sobre matemática, juros e investimentos, para uma vida financeira leve e sustentável. Temos visto muita gente bem informada e com ótimos salários, com péssimos resultados financeiros e incapazes de usar esse dinheiro para viver bem.

É necessário, também, incentivar o autoconhecimento, o senso crítico, empatia, a capacidade de perceber os desejos e as necessidades pessoais e familiares, entender os impactos sociais e ambientais do consumo, e tudo isso permitirá o desenvolvimento de comportamentos fundamentais para uma vida mais autônoma, leve, responsável e sustentável.

É nosso desejo, como pais e educadores, que a próxima geração esteja melhor preparada para superar os desafios e aproveitar as oportunidades da vida. Para isso, a habilidade de usar bem o dinheiro, investir na educação financeira deles desde cedo, é fundamental.

Por que educação financeira deve ser ensinada na escola?

Você já parou para pensar em quantas decisões toma por dia que envolvem dinheiro? Em quantas áreas da sua vida o dinheiro está presente: alimentação, saúde, moradia, transporte, educação, estética, lazer…? E, ainda, quanto tempo se dedicou a aprender sobre como usar melhor o dinheiro? Para a maior parte das pessoas estas reflexões levam à seguinte conclusão: o dinheiro faz parte de MUITAS áreas da minha vida, uso o tempo todo e eu ainda não me dediquei a aprender sobre ele. Isso explica a desigualdade de renda, pobreza e o ENORME desafio financeiro que as pessoas enfrentam para conciliar desejos e necessidades ao longo da vida, fazer reservas para saúde, e ainda construir condições para uma aposentadoria com qualidade e tranquilidade.

Os estudos comportamentais estimam que, diariamente, uma pessoa toma aproximadamente 35.000 decisões, e sem dúvida, muitas delas têm impactos no bolso. Por exemplo: no banho, se ele for rápido ou mais longo, a quantidade de produtos utilizados, se for com água fria ou quente e a forma usada para aquecer essa água, geram diferentes custos. E, quando paramos para pensar, isso acontece constantemente, pois, por mais que a gente não esteja comprando coisas o tempo todo, estamos usando coisas o tempo todo.

Aprender a usar melhor o dinheiro pode contribuir para que essas decisões do dia a dia estejam mais alinhadas com o que você valoriza e tem condições de realizar. Não se trata apenas de matemática, de investimentos, de calcular juros, trata-se de comer, dormir, viajar, passear, aprender, cuidar de você e das pessoas ao seu redor. Porque o dinheiro é apenas um dos recursos que temos à nossa disposição, mas ele está por trás de muitas ações e hábitos que fomos desenvolvendo ao longo do tempo.

Quando temos a oportunidade de aprender essa “linguagem” do dinheiro, temos condições de usar melhor esse recurso e tomar decisões éticas levando em consideração aspectos pessoais, sociais e ambientais. E, como são questões COMPORTAMENTAIS que passam por autoconhecimento, autoeficácia, disciplina e perspectiva temporal, quanto mais cedo começarmos os aprendizados, melhor.

Os impactos do mau uso do dinheiro afetam a vida pessoal e familiar, um estudo Employee Wellness Survey, de 2019, feito pela consultoria e auditoria PwC “mostrou que para 59% dos trabalhadores as finanças pessoais são a principal fonte de suas preocupações, superando o emprego (15%), relacionamentos (10%) e saúde (4%).” Além disso, um estudo realizado pelo Isma-Br em 2018, “mostrou que 56% dos entrevistados usavam bebidas alcoólicas para evitar pensar sobre as dívidas; 53% tomavam medicamentos e drogas para fugir do problema; e 35% descontavam a tensão em junkie food.” Então, desenvolver a educação financeira gera impactos positivos em vários aspectos para a qualidade de vida.

Ainda se considerarmos os problemas sociais como a corrupção, a violência, o trabalho escravo, a exploração sexual e a destruição ambiental, enxergamos facilmente questões econômicas por trás de cada um deles. É fundamental ter a perspectiva de que o investimento em educação financeira nas escolas permite contribuir com melhorias em pelo menos 6 dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: erradicação da pobreza, saúde e bem estar, educação de qualidade, trabalho decente e crescimento econômico, redução das desigualdades, e consumo e produção responsáveis.

O trabalho de educação financeira feito a partir das escolas atinge educadores, estudantes e as famílias e é capaz de impactar com enorme capilaridade e agilidade a sociedade. As escolas pioneiras, sem dúvida, já estão entregando ao mundo cidadãos melhor preparados para viver e atuar de forma responsável e colaborativa neste mundo em constante transformação.

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.