A grande ilusão

Por Nuno Crato

A recente pandemia tornou evidentes para quase todos nós as grandes vantagens do ensino presencial e as grandes limitações do ensino remoto. Mas vale a pena revisitar um pouco as ilusões que estavam por detrás de alguma encomiástica defesa do ensino remoto, pois esse debate, que hoje encontra suporte em dados científicos, pode levar-nos a melhorar tanto o ensino presencial como a minorar inconvenientes do ensino remoto. Essa melhoria é tanto mais importante quanto a pandemia nos trouxe atrasos ou mesmo retrocessos no esforço educativo. Com base em investigação científica muito recente, defende-se neste artigo que a resposta aos inconvenientes da pandemia não pode ser apenas manter os estudantes ocupados e em contacto com a escola e a aprendizagem. A resposta deve ser acelerar o ritmo e a qualidade da educação. Para o fazer, é ainda mais importante prosseguir um currículo exigente e ambicioso e proceder a uma avaliação de resultados frequente e rigorosa. Os meios remotos podem ser um complemento valioso do ensino presencial.

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Conteúdo originalmente publicado na revista científica Saber & Educar, número 28 / 2020: Oportunidades e desafios em educação matemática.

Ensino, pesquisa e práxis na formação docente

Por Maria Jucilene Lima Ferreira

O ato de ensinar requer, sobremaneira, o estudo aprofundado daquilo que se ensina e a definição clara dos fins da ação pedagógica. Este artigo investiga as relações entre ensino, pesquisa e práxis estabelecidas no processo de formação inicial de docentes em serviço e no processo de produção do conhecimento desses profissionais e indagar sobre essa proposta de ensino e suas contribuições na formação docente. Trata-se mais especificamente da experiência com os componentes curriculares Fundamentos da Práxis VI e Estágio Supervisionado VI, no curso de Pedagogia do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR), da Universidade do Estado da Bahia (UNEB). O estudo visa, sobretudo, investigar as relações entre ensino, pesquisa e práxis estabelecidas no processo de formação inicial de docentes em serviço e no processo de produção do conhecimento dos profissionais, vinculados à Rede Municipal de Medeiros Neto – BA, no 6º semestre do curso de Pedagogia, em uma turma de 20 (vinte) graduandos. A pesquisa se apoia no materialismo histórico dialético, adota a tendência pesquisa/participante/ação e se utiliza da revisão de literatura e pesquisa documental no processo de investigação. Os resultados apontam aspectos das relações entre ensino, pesquisa e práxis e das contribuições que tais aspectos oportunizam à docência.

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Conteúdo originalmente publicado na Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 21, n. 68, (2021)

Culturas infantis: contribuições e reflexões

Por Maria Carmen Silveira Barbosa

O propósito deste artigo é discutir as culturas infantis. Vive-se em uma sociedade cada vez mais globalizada e intercultural. As crianças constituem-se em lugares nos quais se entrecruzam distintas culturas: as familiares, as escolares, as midiáticas (BARBOSA, 2007). Portanto, torna-se cada vez mais difícil falar em “cultura” no singular. O objetivo central deste artigo é responder às seguintes questões: Crianças pequenas constroem cultura? Existe autonomia nessa construção cultural? O que caracteriza as culturas infantis? A partir da análise da obra de três autores estrangeiros reconhecidos na área, William A. Corsaro, Manuel J. Sarmento e Gilles Brougère, propõe-se uma resposta confluente. Se a cultura for compreendida como uma invenção do cotidiano, sendo o resultado de uma inteligência prática (DE CERTAU, 1995), é certamente possível afirmar a participação das crianças na construção cultural do mundo. Os três autores apontam para uma autonomia relativa das culturas infantis ante a cultura adulta, pois a sociedade contemporânea é altamente hibridizada e, em sua intersecção, cria novos espaços culturais. As culturas infantis são transmitidas e reelaboradas geracionalmente e caracterizam-se por estar relacionadas ao contexto de vida cotidiana das crianças, tendo como base elementos materiais e simbólicos. As culturas infantis emergem, prioritariamente, no convívio de pequenos e permanentes grupos com os quais as crianças realizam atividades em comum, em que repetem suas ações, proposições e reiteram suas conquistas. As culturas infantis também são vinculadas à ludicidade, ao trânsito entre o imaginário e o real tão característico da infância.

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Conteúdo originalmente publicado na Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 14, n. 43, (2014)

A transição da educação infantil para o ensino fundamental narrada pelas crianças

Por Ecleide Cunico Furlanetto, Aline de Souza Medeiros e Karina Alves Biasoli

O presente estudo se propôs ampliar a compreensão sobre a passagem de crianças da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. Para isso, foram ouvidas narrativas de crianças por acreditar que elas são capazes de contar o que lhes acontece e construir sentidos para suas experiências. O objetivo da pesquisa foi: analisar os sentidos atribuídos narrativamente por crianças a respeito da transição da Educação Infantil para o Ensino Fundamental. Sob o aporte teórico da pesquisa (auto)biográfica em Educação e da Sociologia da Infância, o estudo foi desenvolvido com seis crianças do primeiro ano do Ensino Fundamental oriundas de Escolas de Educação Infantil. Os resultados indicaram que a transição entre as duas escolas provocou algumas tensões, pois ao mesmo tempo em que as crianças se viam atraídas pelas inovações oferecidas pela nova escola, sentiam temores, lutos e sofrimentos, sobretudo, no que se refere à diminuição de oportunidades para brincar, ao acolhimento e à preparação da escola para recebê‑los. Para algumas crianças, as perdas foram compensadas pelas novas aprendizagens, enquanto outras estavam sofrendo e não contavam com recursos suficientes, necessitando de maior apoio para se incluírem nessa nova etapa. Os adultos responsáveis pelo ensino, acolhimento e introdução da criança nessas instituições têm um papel preponderante na adaptação da criança nesta nova etapa. São eles que podem estar com as crianças, detectando suas necessidades, de forma a auxiliá-las a se inserirem neste novo contexto.

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Conteúdo originalmente publicado na Revista Diálogo Educacional, Curitiba, v. 20, n. 66, (2020)