Os 200 anos de independência e a Educação

O ano de 2022 já começou e, com certeza, trata-se de um ano que promete ser marcante por várias razões, mas concentro-me aqui nos 200 anos da independência do Brasil.

Li recentemente um livro que me marcou muito, publicado em 2021, para celebrar os 200 anos da independência grega frente ao Império Otomano, o “The greek revolution and the making of Modern Europe” (A revolução grega e a construção da Europa moderna, em tradução livre) de Mark Mazower. Ao ler, notei dois fatos interessantes. O primeiro é que a revolução grega de 1821 não foi um fato isolado, foi influenciada pela revolução francesa e pela independência dos Estados Unidos e teve, por sua vez, um papel fundamental nos movimentos nacionalistas do século 19. O outro é que o governo grego criou uma comissão para organizar as celebrações dos 200 anos da independência, de que o livro que eu pude ler é apenas um dos produtos.

Sem dúvida, 200 anos de independência, merecem um balanço e uma avaliação sobre que país está sendo construído. Foi o que pensaram também aqui no Brasil os que vieram antes de nós, ao celebrar os 100 anos de Brasil autônomo. O presidente Epitácio Pessoa organizou, para a ocasião, a Exposição do Centenário, realizada no Rio de Janeiro entre setembro de 1922 e julho de 1923, que atraiu mais de três milhões de visitantes e vários expositores estrangeiros. Apresentávamos então para o mundo um país que caminhava para a industrialização e, segundo a visão oficial, apto a se sentar à mesa com nações desenvolvidas.

No entanto, o que ficou na memória coletiva foi a Semana de Arte Moderna, que ocorreu de 11 a 18 de fevereiro de 1922 e teve um importante papel ao mostrar nossas raízes afro-brasileiras e indígenas, sem deixar de construir uma nova estética, inspirada, inclusive, em movimentos transformadores nas letras e nas artes visuais europeias.

Ao iniciar 2022, é importante pensar em celebrações que possam resgatar elementos da nossa história como país independente e, ao mesmo tempo, lançar as bases para o nosso futuro. Seria importante comemorar os 100 anos da Semana de 22 e sua contribuição para o mundo das artes, mas precisamos também nos desafiar a avançar em uma área decisiva para a construção de uma nação, a Educação.

Lembro-me bem do dia 6 de setembro de 2006, quando foi criado o movimento Todos pela Educação, nas escadarias do Museu do Ipiranga, que deve ser reaberto ao público neste ano de 2022. O Todos vinha com uma meta ainda não atingida, apesar de alguns avanços: alcançar até 2022 educação de qualidade para todos. Temos de criar um consenso nacional em torno da urgência de se garantir que nenhuma criança ou nenhum jovem fique para trás.

Afinal, não há país livre, coeso e desenvolvido sem um investimento sólido em educação de qualidade sem exclusões!

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