NÃO TRAGA O MEIO AMBIENTE PARA A SALA DE AULA: LEVE A SALA DE AULA ATÉ ELE!

“A natureza é o único livro que oferece  

um conteúdo valioso em todas as suas folhas.” 

Johan Wolfgang Goethe 

Esse aí sou eu. Dá pra notar que, nessa época, eu precisava dar um jeito na minha vida. 

Esse geralmente era o comentário das pessoas que viam esta foto, tirada em 1994, na Ilha da Trindade (1.200 km da costa brasileira). Lá, trabalhei com o Projeto TAMAR na preservação das cinco espécies de tartarugas marinhas que desovam no Brasil. O trabalho no TAMAR, porém, foi a culminância de uma jornada que começou muito antes, ainda na infância. 

Desde pequeno tenho duas paixões: saber como as coisas funcionam (e para tanto vivia desmontando despertadores, rádios, caixas de som, torneiras e diversas outras coisas, para desespero de meus pais) e a Natureza, com toda a sua diversidade, fascínio e mistérios. Na escola, era aquele aluno ansioso pela visita ao “audiovisual” – uma sala onde as professoras guardavam os segredos da Vida. Vidros com álcool preservando insetos, morcegos, aranhas, embriões de cachorros e gatos, esqueletos de diversos animais, alguns bichos empalhados… Sem contar com as folhas secas e flores de diversas plantas, caprichosamente coladas em folhas brancas e organizadas em pastas. 

Mais tarde, estas duas paixões se combinaram no curso de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul – onde pude aprender um pouco sobre como funciona a Natureza. Depois, pus em prática estes ensinamentos que recebi, seja nas salas de aula da cidade grande, seja no grupo escolar improvisado embaixo dos coqueirais, lá em Sergipe, durante o estágio no TAMAR. E foi nestes encontros com eles, os alunos, que percebi a importância de transmitirmos uma mensagem efetiva de preservação do meio, dos recursos, da vida. Seja qual for a realidade deste jovem – inserido numa metrópole altamente populosa, tecnológica e poluidora, ou morando numa comunidade de pescadores na foz do Rio São Francisco (meu saudoso povoado Ponta dos Mangues), é vital a percepção de que todos são importantes e fundamentais nos processos de diminuição da degradação do meio ambiente. Para os jovens da cidade, alertando sobre o consumo excessivo (que acaba gerando demandas industriais poluentes), sobre o desperdício de recursos (água potável, luz, alimento), bem como o manejo do lixo (de preferência, diminuindo sua produção). Já os jovens inseridos num contexto menos urbano (e aí não precisa ser numa comunidade com 300 pescadores, no Nordeste; pode ser aí na sua cidade do interior, que ainda consegue preservar muito das matas nativas, por exemplo), ensinar que seu papel é tão importante quanto o papel do “menino da cidade”. Na verdade, até um pouco mais – pois nestas localidades ainda podemos encontrar a Natureza em seu estado mais preservado, aumentando a responsabilidade por preservar estes verdadeiros santuários ecológicos. Nas grandes cidades, infelizmente, esta situação muitas vezes é irreversível.  

Então, meus queridos colegas professores: eu não levaria o meio ambiente para dentro da sala de aula. Pelo contrário, colocaria a sala de aula dentro de um grande contexto de preservação e cuidado com o meio no qual ela está inserida. E aí, os projetos que podem ser conduzidos só terão limite na imaginação e criatividade de vocês! Alguns exemplos: 

  • Como está a produção e a reciclagem de lixo em nossa escola? Temos coleta seletiva? Separamos os componentes orgânicos que podem alimentar a horta da escola? Temos uma composteira que pode produzir húmus, que por sua vez pode ser comercializado e gerar recursos para aplicação em outras ações sustentáveis? 
  • A questão energética da escola é monitorada? Usamos lâmpadas eficientes? É possível adotar medidas para economizar luz durante o dia? É possível desenvolver um projeto que possa utilizar meios alternativos de energia (eólica, solar)? 
  • É possível pensar e implementar na escola um projeto de cisternas, para coletar água da chuva e usá-la nos sanitários, horta e limpeza das salas/lavagem do pátio? 

O ideal é que estas ideias sejam sempre pensadas (preferencialmente) do MICRO para o MACRO. Vamos cuidar de nosso quintal, nossa casa, nossa escola, o bairro, a cidade, o estado… se todos fizerem isto, estaremos cuidando do planeta. 

A FTD tem em seu acervo de literatura diversas obras que podem ajudar você professor, familiar ou estudante a mergulhar nesse mundo do Meio Ambiente, preservação ambiental e luta por um futuro melhor para as próximas gerações. Trago aqui alguns destes títulos: 

MAPINGUARI 
História criada por André Miranda (texto) e Gabriel Goés (ilustrações), Mapinguari traz para o mundo dos quadrinhos a realidade dos seringueiros da Amazônia. A parceria inédita da FTD Educação com o WWF-Brasil para o lançamento desse conteúdo visa defender a harmonia entre o ser humano e o planeta por meio da literatura e chamar a atenção para temas importantes da realidade da floresta Amazônica. Ganhou o prestigiado selo internacional White Ravens, concedido anualmente pela International Youth Library, de Munique, na Alemanha. Assista a live de lançamento do livro


TERRA, NOSSA CASA! 
Neste livro, Fernando Carraro conta a história de Donato, um menino de 10 anos que cursa o 5º ano. Ele mora em uma comunidade pobre não atendida por serviços importantes como saneamento básico. Na escola onde ele estuda, todo ano realiza-se a distribuição de presentes doados por um empresário. Assim, Donato ganha um livro com depoimentos de pessoas que lutam em defesa do meio ambiente, com um capítulo sobre o saneamento básico. E a leitura desse livro muda a vida de Donato. 


O MUNDO MUDA…SE A GENTE AJUDA! 
A autora Flávia Savary conta a história de Lucas, um menino de 10 anos, sonhador e imaginativo, que vive na pequena e pacata cidade de Alvorada da Passarada. Alegando a necessidade de progresso e modernização, o prefeito pretende derrubar a mangueira centenária, símbolo da cidade, para construir um palanque. É hora de arregaçar as mangas e fazer algo para proteger o patrimônio da cidade! Nessa tarefa, Lucas vai descobrir que suas ideias têm mais força do que ele imaginava. Com a ajuda da professora Renata, do avô Antônio e do padre Geraldo, o menino redige uma redação na qual descreve um mundo devastado pela mão do ser humano. 


UMA CONVERSA DE MUITA GENTE 
Edson Gabriel Garcia conta neste livro como o diretor João Paulo, frente à ameaça de racionamento de água, convoca professores e pais de alunos para uma reunião e juntos decidem criar o conselho participativo, que irá discutir essa e outras questões da comunidade e procurar soluções para elas. O livro é uma ótima oportunidade de diálogo com os jovens sobre a importância da cidadania e preservação ambiental. 


AMAZÔNIA – QUEM AMA RESPEITA! 
Fernando Carraro conta a história de quatro amigos que ganham um concurso e fazem uma viagem pela Amazônia. A experiência marca suas vidas para sempre. Eles se encantam com a exuberância natural da região e, também, se decepcionam com as desigualdades sociais e com a degradação ambiental de algumas áreas. 


A FEBRE DO PLANETA – A PREOCUPAÇÃO COM O MEIO AMBIENTE 
Edson Gabriel Garcia traz nesta obra a campanha em favor do meio ambiente que a diretora Guga inicia, a partir de uma “guerra de lixo” que emporcalha o pátio da escola. A ação mobiliza a escola e a comunidade para a conscientização ambiental. Eles fundam uma entidade para liderar movimentos de atuação na escola e no bairro. 

Para finalizar este texto, nada melhor do que citar Chico Mendes (1944-1988), um dos maiores ativistas ambientais do planeta. Ele resumiu, numa frase, todo o sentimento de respeito que devemos cultivar em relação ao meio ambiente: 

Não quero flores no meu enterro, pois sei que vão arrancá-las da floresta.


Paulo Lima é Consultor Educacional Confessional da FTD. Biólogo de formação, é também escritor, palestrante e, atualmente, faz mestrado em Educação na Universidade Federal do Rio Grande.  


*Práxis é a união dialética entre teoria e prática.  

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