Entrevista com Estevão Azevedo – Conheça o primeiro livro infantil do autor, “Pronto, foguete, vamos!”

O entrevistado do mês é o escritor e editor Estevão Azevedo, que fala sobre o processo de criação e inspiração do seu primeiro livro infantil, Pronto, foguete, vamos!, lançamento da FTD Educação. A história acompanha a pequena criativa Iolanda que, na companhia de sua arara de pelúcia, inventa um universo de fantasia com muita imaginação. 

1 –  Qual foi sua inspiração para escrever o livro “Pronto, foguete, vamos!”?   

Como pai, leitor e escritor, sempre me interessou o fascínio que as crianças pequenas têm pela repetição: querem as mesmas histórias e as mesmas brincadeiras uma, duas, incontáveis vezes. Na literatura infantil, muitos livros bebem desse fascínio, seja repetindo situações, seja repetindo palavras ou sons. Outra característica infantil maravilhosa é a capacidade de transformar, num piscar de olhos, uma coisa em outra. E melhor: sem a necessidade de justificar. Começa uma brincadeira de pirata e, de repente, sem transição, o navio já é uma astronave, e o pirata, um explorador espacial. Esses dois jeitos de ser me inspiraram a escrever “Pronto, foguete, vamos!“. A tentativa da menina de construir um foguete passa por um acúmulo de situações repetidas (a busca e o empilhamento de objetos), e tem muito dessa capacidade de transformar, própria das crianças: o penico vira banquinho, o foguete vira submarino, tudo na velocidade da necessidade ou da imaginação.  

2-  No livro, a pequena Iolanda constrói um foguete a partir de objetos e móveis, usando a imaginação para criar uma aventura. Como era o menino Estevão na infância? Você também brincava de construir castelos, submarinos ou foguetes com objetos do cotidiano?   

Eu e meus irmãos brincamos muito com os elementos da casa: colchões e almofadas cobertos com lençóis para construir fortalezas, uma cadeira da cozinha em especial que deitada se transformava numa perfeita cabine de piloto etc. Nada melhor do que uma grande caixa de papelão na vida de uma criança, não é?   

3 –  Como a Literatura Infantil pode ser usada como ferramenta para estimular a imaginação e a criatividade das crianças?   

A leitura de um bom livro de Literatura não é uma atividade passiva, nunca. Quem lê completa (ou transforma) a criação do escritor. A leitura é, portanto, uma atividade criativa, e com crianças isso fica muito perceptível. Um exemplo simples, claro, vem da leitura de textos que têm rimas ou outros jogos sonoros. A criança os ouve e imediatamente continua a brincadeira, extrapola o que está no livro. Se o texto diz: Iolanda tinha cheirinho de lavanda, o pequeno leitor ou a pequena leitora pode rapidamente repetir a brincadeira com o próprio nome ou com o nome de quem lê para ela. A criança não aceita passivamente os limites da história que leu: ela escolhe outros caminhos para os personagens, inventa outros finais, mistura personagens de diferentes histórias, cria as próprias histórias.   

4 –  Além da criatividade, a obra também aborda valores como perseverança? De que forma?  

A menina do livro tenta, etapa por etapa, fazer o foguete decolar, mas por muito tempo ele não sai do chão. O que ela percebe, e é muito sabida em perceber, é que se o objetivo principal não se cumpriu, isso não é motivo para deixar de extrair algo positivo de cada situação: se com a poltrona o foguete não decolou, por que não um cochilo nela antes da próxima tentativa? Se com o penico o foguete não decolou, por que não aliviar a bexiga antes de continuar? A vida de todos nós, crianças e adultos, tem muito disso: às vezes o realizado não está à altura do sonhado, mas isso não significa que o ponto a que chegamos não possa nos oferecer alegria, descanso, amor ou algum outro tipo de satisfação, às vezes até inesperado. É como diz a dedicatória: às vezes um tropeço é o início de um salto.  

5 –  Como as ilustrações do livro ajudam a contar a história e mesclar imaginação e realidade?   

A artista Ana Matsusaki acrescentou uma camada encantadora e divertida ao texto: o contraponto entre as cenas de realidade, que se passam de dia, em que a menina carrega os objetos reais pelo quintal, e as cenas como vistas em sua imaginação, com fundo noturno, em que vemos os objetos e animais transformados em foguete e seres alienígenas. A virada de página permite um jogo prazeroso: o de procurar identificar que transformação sofreu cada elemento da ilustração.  

7-   Alguma sugestão para professores, alunos e família trabalharem este título em sala de aula, em grupos de leitura ou em casa?   

A minha sugestão para os mediadores de leitura, em casa ou na escola, é que permitam que as crianças leiam sem rédeas e com a liberdade de imaginar o que quiserem a partir da leitura. E, claro, que a partir da leitura do livro, promovam brincadeiras similares, de construção de mundos imaginários com os elementos que têm à disposição, por mais simples que sejam.   

Confira uma degustação da Obra 

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