FAMÍLIA E ESCOLA: ALGUNS APONTAMENTOS SOBRE ESTA PARCERIA FUNDAMENTAL


Um famoso provérbio africano afirma que “é necessário uma aldeia inteira para educar uma criança”. De fato, essa expressão resume de forma bastante feliz o quanto a Educação exige comprometimento de todos os que fazem parte da vida do educando. Assim, família, escola e toda a comunidade devem reconhecer-se como parte ativa nesse longo e contínuo movimento. Mas, como pensar essa parceria num contexto de tantas crises e mudanças que interferem no dia a dia da sociedade? A seguir, destacamos três pontos importantes para colaborar no processo de retomada dessa perspectiva. 

  1. Compreender o contexto atual 

Desde o fim do século XX experimentamos uma verdadeira revolução tecnológica que tornou a vida mais confortável, diminuiu distâncias e nos fez mergulhar de vez no mundo sem fronteiras das relações virtuais. Tal mudança trouxe importantes avanços para a vida das pessoas, porém, enfraqueceu ainda mais o sentido de convívio comunitário, fomentando uma cultura do isolamento, que, por consequência, ajudou a aprofundar a crise de sentido e identidade humana, vista como uma das marcas da pós-modernidade. Os reflexos disso atingiram o relacionamento e a percepção familiar sobre a noção de responsabilidade com o desenvolvimento integral da pessoa. A isto se soma a exaltação de uma mentalidade consumista que aos poucos enfraqueceu a relação de parceria entre escola e família.  

Neste cenário desafiante, não poucos foram os alertas sobre a necessidade de mudanças. No entanto, é possível afirmar que nenhum tocou mais profundo que o caos provocado pela pandemia que ainda enfrentamos. As cruéis consequências do isolamento forçado, vivido por quase dois anos, descortinou de vez o problema de uma sociedade fragmentada e de relações tão fragilizadas. Neste contexto ganhou ainda mais força a necessidade de reafirmar o valor da parceria entre escola e família em vista da recuperação do bom desenvolvimento das crianças e dos jovens, fortemente atingidos tanto social quanto emocionalmente.  

  1. Despertar para o senso de responsabilidade  

De modo geral, tornou-se comum atualmente uma espécie de terceirização das responsabilidades. Assim, por exemplo, a Educação das crianças por vezes parece reduzida à busca por uma boa escola. Como se bastasse colocar a pessoa num tubo ou esteira e esperasse na saída pra ver o que acontece.  

Destarte, é importante compreender que acompanhar o desenvolvimento do educando trata-se da sublime tarefa de se deixar tocar pela beleza do crescimento do outro, e comprometer-se em diminuir as barreiras que possam impedir o saudável caminho de maturação. Por isso, faz-se necessário trabalhar com a família a necessidade do acompanhamento, do interesse pelo progresso e pelas descobertas da criança. Numa perspectiva prática, colocar a criança e o adolescente na agenda, no espaço de atenção. Neste ponto, a escola precisa insistir na necessidade da presença familiar, não somente para resolução de problemas pontuais, mas na própria organização sistemática do ambiente de aprendizado, compreendendo que esse é um passo lento, mas necessário. 

  1. O valor do diálogo e dos encontros 

Na ausência de elementos norteadores mais evidentes, é comum a procura pelo radicalismo, como forma de proteção da própria insegurança. E somente por meio da Educação será possível abrir espaços de crescimento saudáveis. Desta forma, investir no diálogo próximo e parceiro é o ponto de partida para que se crie uma relação de confiança e corresponsabilidade entre escola e família, procurando evitar lacunas que favoreçam os ruídos na comunicação. Além disso, a promoção de encontros para escuta e para troca de experiências pode ser fator fundamental para romper com as distâncias, muitas vezes provocadas pelo desconhecimento. Vale lembrar que, todo processo de humanização das relações passa também pela possibilidade de conhecer e compartilhar conhecimentos e vivências. 

É claro que esses são apenas alguns pontos. No entanto, é preciso urgentemente romper com o discurso de que não há mais jeito ou não se tem tempo. Cuidar da Educação é proteger a vida. Por isso, ainda que sejam muitos os desafios, é necessário acreditar e dar o primeiro passo, buscando compreender as fragilidades e ousar ser criativos no exercício constante de recriar laços, abrir novos espaços e semear a esperança de que é possível transformar a realidade, partindo das pequenas coisas. 

Ricardo Alexandre Ferreira 
Consultor Institucional Confessional; pesquisador em Teologia e Literatura pela PUC-Rio. 

 

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