Entrevista com Ana Maria Machado – Conheça o novo livro da autora O menino e o Maestro

Conheça o novo livro da autora Ana Maria Machado e se encante pela história da amizade musical de um maestro de uma roda de choro e um menino que toca tamborim numa bateria de samba. Confira a entrevista exclusiva com a autora que conta todos os detalhes sobre a criação do livro, além de trazer dicas para professores e para estudantes trabalharem o livro em sala de aula.

1- Qual foi sua inspiração para escrever O menino e o maestro?

A história de O menino e o maestro é inventada, nascida da minha imaginação. Mas os personagens que a inspiraram existiram, são pessoas que conheci. O menino era um garoto que  nasceu e se criou numa comunidade carioca, estudava flauta doce, gostava de Mozart . O maestro era o grande Paulo Moura, músico maravilhoso, que  tocava clarinete em rodas de choro, em conjuntos de câmera e em orquestras de música erudita. Não se conheciam mas se encontraram em minha história.

2- No prefácio de O menino e o maestro, Ricardo Prado, que é maestro e escritor, destaca que “sempre há pianos, canções, cantigas de ninar e caixinhas de música” nos seus livros. Por que promover o encontro da música e da literatura em muitas de suas obras? 

Eu nunca tinha reparado nisso. Mas quando o Ricardo escreveu, eu constatei que era verdade. Nunca me preocupei em promover encontro entre música e literatura em minhas obras. Mas tudo que escrevo reflete minha vida e quem eu sou. E sempre fui muito ligada à música. Ouço muita música e adoro. Sou casada com um músico, o Lourenço Baeta, que foi do quarteto Boca Livre por quarenta anos. Minha filha é designer gráfica mas sempre dá um jeito de tocar em alguma banda. Um de meus filhos ganhava a vida para se mover ao som de música: foi dançarino profissional por mais de 20 anos e dirigiu uma companhia de dança inclusiva em Londres.

3- Além da música, o livro também fala sobre trabalho infantil e abandono paterno. Por que escolheu abordar esses temas sociais? 

Eu não escolho abordar temas específicos quando escrevo. É mais como se os temas me escolhessem. Sempre me preocupei muito com questões sociais e procuro fazer o que posso a respeito – então isso se reflete em cada livro que escrevo. Vivendo no Brasil, não dá para ficar indiferente a essas questões. E basta olhar para as crianças em nossa sociedade, que logo saltam os olhos problemas como esses – dificuldades econômicas, exploração de trabalho infantil, gravidez adolescente, abandono paterno, falta de creches e de boas escolas públicas.

4- A obra aproxima conceitos musicais e realidades diferentes, como morros e teatros, música clássica e música popular, orquestras e rodas de samba. Como esses encontros se aproximam do Brasil?

 Existem muito mais iniciativas aproximando esses mundos do que a maioria das pessoas imagina, à primeira vista. Há inúmeros e variados projetos nessa área, geralmente de muito bom nível, e quase sempre ligados a ONGs. O que não há é uma inserção de projetos de Educação artística de alta qualidade no cotidiano das escolas públicas. Falta que esses encontros sejam rotineiros e naturais, no dia a dia da Educação.

5- O livro também apresenta ao menino Teleco e ao leitor a história de Mozart. Por que escolheu trazer esse compositor clássico para essa obra? 

Acho que era inevitável, brotou naturalmente. Nem me passa pela cabeça que se possa falar de música e criança sem lembrar de Mozart, o caso mais admirável de um menino prodígio que a humanidade já registrou na esfera musical. Mas na verdade, acho que foi o contrário. Eu não trouxe o Mozart para obra. Foi ele quem me levou para esse livro. A inspiração inicial da história veio de um encontro real com um menino morador de uma favela, que tocava flauta e gostava de Mozart. Para que isso não entrasse no livro, seria necessário um enorme esforço de rejeição – o contrário de meu impulso de acolher o tema logo que ele surgiu.

6- O livro oferece ao leitor conteúdos digitais extras, com o acesso via QR Code a vídeos de música e à história de um jovem talento brasileiro, o violinista Guido Sant’Anna, de 16 anos. Como a senhora analisa a união entre literatura e novas tecnologias?  

Acho que não se trata exatamente de união entre literatura e novas tecnologias, pois a literatura não entra no violino do Guido, nem a música dele entra em meu livro. Cada um de nós existe sem o outro. Mas o que vocês estão trazendo é uma obra nova, importantíssima, de Educação. Pois é justamente nisso que consiste o processo educativo: em estabelecer relações novas entre diferentes aspectos humanos e fazer crescer o indivíduo com essa reunião, de tal modo que ajude a sociedade a melhorar.

7- Além de autora de mais de 100 títulos de literatura infantojuvenil, a senhora já foi professora. Alguma dica para professores e para estudantes trabalharem esse título em sala de aula ou em grupos de leitura?

Fui professora há muito tempo. E me sinto sempre aprendendo com os nossos professores, não tenho que dar palpite no trabalho deles. Quem sou eu para pretender dar dica a eles? Fico sempre admirada com a criatividade do nosso pessoal do magistério. Tenho certeza de que os bons professores saberão encontrar no livro seus próprios estímulos para desenvolver as atividades docentes mais adequadas à sua turma. Conseguirão compartilhar com suas turmas uma escuta musical variada – de música popular ou não, tradicional ou atual. Serão capazes de se adequar a uma escuta sensível do que os estudantes cantam, tocam ou dizem e, a partir daí, traçar seus próprios caminhos para trabalhos coletivos, seja ouvindo música, seja conhecendo instrumentos, seja deixando que aflorem as dores do abandono paterno ou as alegrias reconhecidas pela dedicação materna ou o orgulho pelas belezas que seu grupo social é capaz de criar.

Confira um teaser do livro e se encante ainda mais pela história.

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