Criatividade e leveza em sala de aula.

Como nossas experiências moldaram o tipo de professor que nos tornamos? Será que isso tem a ver com a forma com que repassamos conteúdos aos estudantes? 

A partir desses questionamentos, Ana Medawar e Daiane Marreiro dão dicas aos nossos ouvintes de como transformar a sala de aula em um local para se usar ao máximo a criatividade com muita leveza e inspiração. O papo é conduzido pelo nosso querido host, Gabriel Falk. 

Abaixo, você confere nossa audiodescrição. 

Bom podcast! 

Evolution Teacher Talks  

Episódio 4 – Daiane Marreiro e Ana Medawar 

AM – Ana Medawar 

DM – Daiane Marreiro 

GF – Gabriel Falk  

(intervenções simultâneas) – falas ao mesmo tempo  

[correções] – correções de conteúdo  

[inserções] – palavras ou trechos faltantes  

[Música] – pausa musical  

[Música] 

Gabriel Falk: Oi, ouvintes! Eu sou o Gabriel Falk, e sejam bem-vindos a mais um episódio do Evolution Teacher Talks, um podcast da StandFor, o selo de língua inglesa da FTD Educação. Todo episódio eu convido professores e profissionais do ensino e aprendizagem de idiomas, e hoje a gente vai conversar com duas professoras incríveis, a Daiane Marreiro e a Ana Paula Medawar, sobre a relação do ensino de língua inglesa com a criatividade. Não existe uma receita pronta para que um conteúdo consiga ser passado com sucesso, e o principal motivo disso não são os ingredientes, mas, sim, quem vai estar consumindo essa receita. Alunos têm maneiras e formas distintas de consumir um conteúdo, e é desafio do professor encontrar maneiras eficientes e criativas para tornar as aulas mais envolventes e divertidas. Quem participa desse papo sobre criatividade comigo é a Daiane e a Ana. Então vou apresentá-la para vocês, e logo a gente começa o episódio. 

[Música] 

GF: Ana Paula Pugatchoff Medawar é formada em licenciatura em Letras Inglês-Português pela UNIFAI. Ela é professora de língua inglesa do primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental I no colégio Regina Mundi e também na Wizard, além de dar aulas particulares de inglês para brasileiros e de português para estrangeiros. Oi, Ana, muito obrigado por topar nosso convite. Tá animada para o bate-papo? 

Ana Medawar: Oi, Gabriel! Estou muito empolgada. Muito obrigada pelo convite. Me sinto honrada por participar do seu podcast. 

GF: A honra é toda nossa! E a Daiane é Estudante de Letras Inglês pela Faculdade [Universidade] Estácio de Sá, professora de língua inglesa da Educação Infantil ao Ensino Médio pelos colégios Sagrado Coração de Jesus. Também foi professora na Wizard idiomas, além de dar aulas particulares. Oi, Daiane, super bem-vinda ao nosso podcast! Como é que você está? 

Daiane Marreiro: Eu estou bem, estou ótima, estou muito honrada em ter sido convidada para poder conversar com vocês hoje. 

GF: Mas vocês duas estão honradas de participar, gente! A honra é toda minha. Olha, uma das coisas que eu mais gosto desse podcast que a gente faz é que a gente fala de assunto técnico importante enquanto conta uma história. Eu queria começar esse episódio com vocês duas contando para gente como vocês se tornaram professoras e, principalmente, por que vocês escolheram a língua inglesa. 

DM: Gabriel, eu tenho uma história que é muito interessante, que eu conto para os meus alunos, porque foi assim: na ordem cronológica, quando eu era muito pequenininha, eu adorava ouvir música em inglês e eu achava lindo aquele som, aquelas palavras eram diferentes e falava assim “nossa, eu quero falar assim também, eu quero entender o que essas pessoas estão falando”. E a minha história começa na sexta série. Eu sempre fui uma aluna muito boa em todas as disciplinas. Eu nunca pegava nota vermelha, nunca perdi a média. E aí o que aconteceu? Na sexta série, porque antigamente, na minha época, a gente chamava de sexta série, não era sexto ano igual a hoje, nós pegamos e tivemos uma prova de inglês. Nessa prova de inglês, todo mundo saiu bem na prova, e eu fui a única que perdeu média. Eu fiquei com 2 em 10, e a gente tinha o costume, hoje em dia também ainda tem esse costume, de ficar trocando a prova para ver no que errou, a nota que tirou, fazendo essa comparação. E eu não quis mostrar. Obviamente, eu não quis mostrar para os meus colegas a minha nota, a minha prova. Eu falei “não, não vou mostrar, não fui bem não, gente, fui mal, não fui bem, vou ter que estudar”. E aí o meu amigo, que era meu vizinho, frequentava minha casa, ele puxou a prova da minha mão, subiu em cima da cadeira e falou assim: “nossa, eu não acredito, a Dai tirou 2,0!”, e mostrou minha prova para todo mundo. 

GF: Meu Deus, anunciou para a sala inteira que você foi mal? Que absurdo é esse, gente?! 

DM: Sério, é real. E aí eu fiquei assim, “meu Deus!”, eu não consegui responder, daí eu senti aquele gelo no coração, peguei minha prova de volta, não bati boca, eu nunca fui de discutir, só que eu fiquei muito chateada e pedir a professora para ir até o banheiro. E lá eu fiquei. Professora estranhou que eu não tinha voltado. E nisso, nesse episódio, ela não estava dentro da sala, eu não sei o que ela estava fazendo, mas ela não estava. Sei que todo mundo riu, eu fiquei muito angustiada, fui chorar. A professora notou que eu não estava na sala, foi até o banheiro, falou “por que você está chorando?”, “não, você foi mal na prova, mas tem outra prova, você vai estudar, você vai se dar bem na próxima, estuda bastante. E, nisso, o que eu fiz? Eu resumi, assim, as minhas férias, todas em estudar. Eu falei “nunca mais eu vou tirar uma nota vermelha nessa matéria!”, então, em vez de eu pegar aquilo e colocar como um trauma para mim, eu falei assim “não, eu vou usar isso a meu favor”, porque eu já gostava, eu achava lindo as pessoas falando. E eu falei assim. “nunca mais eu vou tirar uma nota vermelha nessa matéria!”. E eu conto para os meninos quando eu vou entregar a prova para eles, eu conto essa história e falo para eles “olha, nunca deixem que algo que tenha sido ruim na vida de vocês te levar para baixo. Tira algo bom disso. E é por isso que vocês têm a professora que vocês têm aqui hoje”. 

GF: Que incrível, uma grande história de superação, Daiane, sensacional! E, Ana, conta como que você chegou a ser professora de inglês, conta um pouquinho da tua história para a gente. 

AM: Então, eu nasci e fui criada num ambiente super pluricultural. O meu pai nasceu no Egito, veio para o Brasil com 15 anos, e minha mãe é filha de russos, então minha mãe já fala russo fluente. Meu pai, além de falar o árabe e francês por causa do Egito, teve que aprender o português, inglês e outros idiomas também. Então, já, na minha casa eu escutava tudo quanto era tipo de música, até a minha religião, eu sou ortodoxa russa, né, e a gente tem essa vivência com outras culturas, com outras línguas, desde sempre. A minha irmã também. E o inglês foi mais uma ponte assim, digamos assim, um plus para minha bagagem. Eu acredito que eu cocriei a minha realidade, porque quando eu era pequena, eu estudava para as provas numa lousa, então eu fingia que eu era a professora, na época não era do inglês, mas todas as provas da escola eu estudava na lousa, fingindo que eu era professora. E o meu pai investiu no curso de inglês, ele me pôs no inglês, pronto, foi super tranquilo para mim. Me apaixonei pela língua, foi muito fácil, foi muito prazeroso. E eu frequentava as aulas. comecei a super gostar, quando eu olhei, já estava ficando fluente, né? E aí, 10 anos depois, eu estava no curso de inglês, e a professora simplesmente olhou para mim, falou “você quer dar aula aqui? Você quer ser professora, quer ser teacher?”. Eu falei “como assim?”; ela “é, que tentar ser teacher aqui?”. Eu falei “claro!”, eu não pensei duas vezes. Aí eu falei que sim, e foi aí que eu me encontrei. Quando eu comecei a dar aula na Wizard, e agora hoje eu dou aula no colégio Regina. Mundi, sou professora particular também. Eu fui expandindo, assim, a minha área, e hoje eu sou uma professora feliz e realizada. 

GF: Que sensacional ouvir como que vocês duas se aproximaram da língua inglesa e se tornaram professoras de inglês. Eu não sou professor de inglês, mas eu vou aproveitar 20 segundos desse podcast para contar, para os ouvintes, que eu gosto muito da língua inglesa e eu acho que eu tenho uma pronúncia legal e eu falo bem inglês, mas uma curiosidade, até os meus 12 anos de idade, eu não sabia falar a letra R, eu não sabia falar “trinta e três” bonito desse jeito, eu falava “turinta i tures”, eu não conseguia pronunciar. Até que os meus colegas, parecido com o que aconteceu com a Daiane, faziam muito bullying comigo. Só que a minha pronúncia da língua inglesa até os meus 12 anos, no acesso que eu tinha no colégio, era incrível, porque eu não sabia falar o “R”, o “R” combinava muito com o “R” do americano. Então minha pronúncia ficou muito, muito boa. Porém foi muito difícil, para mim, ter que fazer fonoaudiólogo e realmente aprender. Porém eu perdi o medo de falar inglês desde que eu era pequenininho, justamente por ter essa proximidade. Só que, gente, eu não enveredei para o lado de ser professor [risos]. A gente vai falar sobre processos criativos na sequência. Só que, antes de a gente entrar para falar sobre processos criativos, e a gente está contando bastante a história de vocês, é muito interessante ver as experiências que todo mundo passou e como se aproximou da língua inglesa, e vocês, é claro, não apenas se aproximaram e gostaram da língua inglesa, mas começaram a trabalhar com isso, né? Eu queria entender um pouco dessas experiências que vocês passaram com esse processo criativo. O que vocês entendem, primeiro de tudo, como a função da criatividade dentro da sala de aula para o professor de língua inglesa, mas principalmente como que as experiências de vocês, desde graduação, desde até mesmo antes da graduação, ajudam ou incentivaram vocês a trazer processos criativos para a sua didática? 

DM: Essa questão do processo criativo é bem interessante, porque os meninos não acreditam muito que a criatividade deles seja algo bacana, então eles ficam receosos, eles não querem tentar. E uma coisa interessante foi que a criatividade, para dentro da sala de aula, tanto para avaliação quanto para fazer os meninos quererem aprender o inglês, ela vai muito além de você fazer uma aula maker. Eu acho que a criatividade tem que trazer também aquilo que os alunos gostam. Por exemplo, se você pega para fazer uma prova, e aquela sala você sabe que aqueles meninos, você vai escutando uma conversa ali, uma conversinha aqui. Eu tive uma sala do terceiro ano que os meninos eram apaixonados por D.P.A., que é Detetives do Prédio Azul. O que eu fiz? Eu montei uma prova baseada na história do DPA. Então levando a gramática do inglês para aquele assunto que eles gostam, então eles iam se interessar para fazer a prova. Os meninos, quando pegaram a prova, que viram as imagens, que viram contexto daquilo, falaram “nossa, teacher, eu adoro isso aqui, como que você sabe?”. É que eu falei para eles que eu ia fazer, né? Deixei para eles verem durante a prova e ter esse entusiasmo, essa “nossa, meu Deus, que bacana!”. Então isso é bem legal, você estar atento aos gostos do aluno, o que eles gostam que está ali no momento que eles estão “nossa, meu Deus, isso aí é demais, eu gosto disso aqui”. Então a gente pegar isso, o gosto das crianças e trazer para dentro da aula, eu acho que é uma forma criativa. 

GF: E, Daiane, uma curiosidade que eu tenho: você chegou a ter uma experiência similar enquanto aluna? Teve professor que também fez esse mesmo processo contigo, que te incentivou, te trouxe, digamos, esse insight de você pegar algo que conversa muito com a realidade, com os gostos do aluno, para aplicar uma prova, ou como que você se aproximou um pouco dessa realidade para, “read the room”, né, entender o que o teu público quer ouvir e você traduzir o teu conteúdo para o que eles gostam, né. 

DM: Essa pergunta me lembra uma palavrinha que a Ana usou, ela falou “cocriação”, em cocriar. Então, depois dessa situação de bullying que eu tive na escola, a minha família era uma família que não tinha muitas condições financeiras quando a gente era criança, então eu tenho muito orgulho de falar que a minha mãe nunca teve que gastar um real para curso de inglês comigo. E o que aconteceu? Eu falei assim “gente, eu preciso estudar, eu quero dar um jeito de não tirar nota vermelha mais”. E aí eu comecei a fingir que eu dava aula e eu comecei a aprender inglês com músicas e filmes. E, dentro da escola, os professores, eles não tinham, eles não tinham essa visão de “olha, eu vou pegar algo que interessa para eles”, para poder atrair eles. Então quando eu brincava de dar aula, eu ficava imaginando o que, por exemplo, meu bichinho de pelúcia gosta? Ah, ele gosta de comer isso aqui, vou fazer uma cooking class do que ele gosta. Eu ficava inventando. Eu gosto muito de ficar criando cenários na minha cabeça, então isso eu acho que ajudou bastante. E ficar ouvindo foi, justamente, o que eu não tive, que eu tento colocar para os meus alunos. Eu tento fazer experiências. Olha, eu não tive isso, eu gosto disso, será que eu posso aplicar isso dentro da minha aula? 

GF: E você, Ana? 

AM: Então, a Dai mencionou a criatividade. Eu acho que nós, professores, a gente usa essa criatividade como uma ferramenta para os alunos chegarem ao conhecimento da língua e terem o domínio dela. E eu uso muito a metáfora da ponte, que a gente, nós nos transformamos numa espécie de ponte para levar o aluno, para encaminhá-lo, orientá-lo até a língua inglesa. E isso também tem muito a ver com o afeto. O que é o afeto? Porque o inglês é puro instrumento. Agora, o professor, é o que canaliza esse instrumento. Como? Ah, o que você gosta? Qual filme? Hoje em dia, então, muita série, muito filme, muito desenho. Qual seu personagem favorito? E sua música favorita? Eu vou dar um exemplo. Meus alunos adoram Naruto. Então, assim, eu tive que desenhar a Hinata. Eu nem conheço a Hinata. Na verdade, eu acabei sabendo quem era, tinha franjinha, cabelo roxo, então eu desenhei o rosto da Hinata para a gente aprender partes do rosto em inglês desenhando a Hinata. Então, além de eles terem interesse, porque era uma coisa do Naruto, eles também iam aprender as partes do rosto, as partes do corpo em inglês. E, outra coisa, às vezes eles não têm muito interesse, por exemplo, vou dar um exemplo, no Sistema Solar. Então, por mais que a gente passe um vídeo, às vezes não prende muita atenção. Então o que eu fiz? Em uma aula eu peguei um aluno, falei “ó, você é o Sol, you are the Sun, você é o Earth, você é o planeta Terra. Você fica brilhando, Sol, e o planeta Terra fica girando em torno dele mesmo, gira em torno de você só”. Eles adoram participar dessas coisas. Por mais que seja planeta, Sistema Solar, e a gente trabalha com essa coisa do CLIL, que é fazer a integração dos conteúdos que eles estão aprendendo em português com o inglês, então eles gostam muito de participar. Eles gostam de ser os protagonistas, gostam de ser os planetas, o Sol, eles adoram ser. 

GF: Eu estou muito chateado, sabia? Porque, por que vocês não foram minhas professoras há 10 anos atrás? Porque é interessante, eu vim de um ensino muito tradicional, seja da língua inglesa ou de qualquer outro tipo de ensino, tá? Eles têm lá uma metodologia e seguir aquilo vida inteira pelos 15 anos do colégio franciscano que eu estudei lá na minha cidade do interior do Paraná. Mas uma coisa que não tinha na minha época, e que tem hoje que eu acho que é um desafio grande para o professor, é atenção, né? O celular, rede social, e acho que as distrações dentro da sala de aula são um pouco diferentes. Na minha época, não tinha celular muito em sala de aula ou rede social, ou smartphone, para que isso acontecesse, mas hoje em dia é muito comum, então eu pergunto para vocês, como e quais são os desafios e como que o professor lida com esse desafio de segurar a atenção de um aluno que está ali “ligado no 220” e qualquer coisa, muitas vezes, é mais interessante do que aquele conteúdo que a gente está passando. Como que o professor consegue pensar em formas criativas de segurar a atenção do aluno? 

DM: Eu acredito que, as mídias sociais, a gente tem várias ferramentas que a gente pode usar ao nosso favor, então a gente tem que estar integrado do que está rolando na internet. Então, por exemplo, um [incompreensível] a gente pega, cria jogos. Eu estou trabalhando o corpo humano, vou fazer um joguinho aqui que eu posso projetar. Ou então o Kahoot, que os meninos podem usar o celular e eles adoram fazer. Então o Kahoot é uma ferramenta, né, que é muito bacana, porque o professor está ali administrando as perguntas, está soltando as perguntas, e os meninos, eles têm que usar o celular deles, né, usar o dispositivo deles para poder estar participando do jogo. Utilizar essas ferramentas dentro de sala de aula é algo benéfico, então a gente precisa estar antenado no que tem aí no mercado, no que tem na internet, para a gente trazer para prender a atenção dos meninos. 

GF: Você cria uma conexão com o que o aluno gosta, né? Isso é muito interessante, porque parece que a criatividade e conexão está muito ligado. Você não consegue, muitas vezes, ser criativo sem considerar para quem você está sendo criativo, ou propondo aquela nova tarefa ou aquele exercício, né. 

DM: Exatamente. E jogos, a geração de hoje é fissurada em jogos, então se você pega o jogo, coloca o seu conteúdo dentro de um jogo, acabou, você tem atenção. 

AM: Como meu foco na sala de aula, na escola que eu trabalho, são os alunos pequenos, então eles mal têm tempo para celular, eles não levam o celular para a sala de aula, e você tem que trabalhar com as ferramentas que são do dia a dia dos alunos, né? Pode ser meme, pode ser, mais uma vez, desenho, personagens. E a gente trabalha muito com dinâmica. Eu trabalho muito com dinâmica, com flashcards, com mímica, com fazer som, de fechar os olhos e tem que escutar, prestar atenção em quantas vezes eu bato palma. Então isso prende muita atenção, não dá tempo de eles ficarem ociosos. E outra coisa que eu gosto de fazer muito é dos assistants, que eu pego um menino e uma menina por dia para eles serem assistentes, fazerem a chamada. Então é a hora que eles brilham, porque eles sentem que eles estão puxando algo, então, “ah, eu não posso brincar, eu não posso causar”. Eu não posso brincar. 

GF: Tenho uma responsabilidade agora, né? Não estou só como ouvinte. 

AM: Exato, e eles sabem, eles sabem que se começar a se jogar no chão, conversar, brincar, eu apago nome, então para eles é muito importante ser assistente da teacher. Eu faço isso. Só como  

GF: Sensacional, usar também outros sentidos para incentivar ali, não só aprendizado mas a conexão e a participação dos alunos. Na introdução, quando eu falei da Daiane e falei da Ana, eu falei que vocês trabalham em colégios, mas vocês também dão aulas particulares. E aí minha pergunta é: as estratégias de criatividade dentro de uma sala de aula com um monte de aluno é diferente de quando você está dando uma aula particular para um aluno só? E como elas se diferem? É muito diferente da experiência do professor a preparação de um material didático ou no momento de conversar e passar aquilo para o aluno. Entre você criar algo um pouco mais coletivo, criar algo mais individual. Como que vocês enxergam? 

AM: As aulas particulares, geralmente elas têm, assim, um perfil mais personalizado. Então, por exemplo, existem alunos que “ah, eu preciso treinar para IELTS, preciso saber sobre um determinado assunto”. Vou dar um exemplo, um aluno que é chefe de cozinha ele vai querer um vocabulário mais voltado para gastronomia, por exemplo. Então, todo o material é baseado naquilo que o aluno propõe de início para as aulas particulares. Existem também dinâmicas, existem formas diferentes de trabalhar com o aluno, porque às vezes ele tá cansado, às vezes ele só está fazendo por obrigação porque precisa, mas geralmente os alunos particulares têm um perfil mais adulto, eles são mais focados, então é mais, é também gostoso de trabalhar. 

DM: Eu concordo com a Ana. Geralmente os alunos que buscam a aula particular, eles têm uma forma muito engraçada quando eles vão procurar o professor. Ele fala “olha, nossa, lembrei de você, estou precisando de inglês no meu trabalho. Consigo aprender em seis meses? Você é fluente? Então, assim, justamente como a Ana falou, cada aluno tem um perfil diferente. Eu tive um aluno que ele falou assim, ele estudou comigo na escola, inclusive ele viu esse episódio do bullying, e depois de anos ele falou assim “Daiane, eu estou precisando aprender inglês, porque eu tenho uma promoção que o meu chefe falou pra mim ‘olha, promoção está ali assim que você conseguir aprimorar o seu inglês, assim que você ficar fluente, eu vou te promover’”. Ele falou assim “eu preciso aprender”. E o que eu falei pra ele, eu repito pra todos os alunos: professor, ele vai te mostrar o caminho, como a Ana falou, ele vai te mostrar o caminho que você tem que percorrer, mas ele não vai caminhar com você. Então eu vou te mostrar como você pode aprender, eu posso te ensinar gramática, só que se aquele aluno ele não tira ali trinta minutos, vinte minutos por dia para ele treinar o que ele aprendeu, ele vai ficar preso a conversar apenas naquele horário com o professor. E aí ele não vai ficar fluente. Se ele quiser ficar fluente em seis meses, ele tem que conversar todo dia. É possível? É possível, desde que haja uma disciplina e uma dedicação. Voltando para a pergunta, foi sobre a criatividade, a metodologia de aula para o coletivo e para o individual, existem aulas que a gente pode adaptar, que a gente consegue adaptar pra atender os dois públicos, mas é totalmente diferente a gente atender um aluno particular, porque tem mais foco, a gente foca mais, né, no que aquele aluno busca. 

GF: Olha, a minha próxima pergunta é um assunto que eu não gosto muito de falar, que é avaliação. Não é que eu não gosto, é que eu não sou muito bom, sendo bem sincero com vocês. A minha pergunta, e aí tentando conectar avaliação de aluno com criatividade, é como que processos criativos podem influenciar a maneira como o professor avalia um aluno? A gente já falou em vários episódios aqui do Evolution Teacher Talks o quanto que é muito complicado você avaliar realmente a performance do aluno ou só o quanto que ele realmente aprendeu, o quão bom aquele aluno é, considerando uma nota. A avaliação é muito mais que isso, e ela não pode ter um caráter punitivo. E aí a pergunta que eu faço pra vocês é: a criatividade tem como impactar positivamente a avaliação de um aluno? 

AM: Sim, Gabriel, na verdade a criatividade é braço direito na avaliação, em todos os aspectos do ensino na língua inglesa. Só que, quero ressaltar que existe uma diferença entre avaliação e a prova, e o teste, né? Que a avaliação, ela tem o objetivo de diagnosticar o que foi ensinado em sala de aula, o que o aluno conseguiu absorver em sala de aula. Porque existe aquela coisa da prova como punição, como você tinha falado, “ah, vamos ver na hora da prova”. Não, não é assim, a avaliação nada mais nada menos é aquilo que o aluno viu em sala e ele realiza na folha, seja para apresentar um trabalho, seja para responder na folha avulsa e ela, obviamente que a escola pede o padrão, a tradição, que tenha a somativa, mas a gente também trabalha com a avaliação formativa. Tem a parte da autoavaliação também, “ah, você acha que você foi bom? O que você acha que você pode melhorar, o que você não gostou, o que você gostou de aprender aqui? Eu acho que a avaliação é um processo, não é só apenas uma cartada final, não sei. 

AM: Antes de eu começar a estudar inglês na Estácio, eu fiz um curso todinho de Letras Português e Inglês, fui até o último semestre e sofri outro trauma. Então, o que aconteceu? A questão do processo avaliativo, eu tenho muitas histórias, eu tenho muitas situações, como aluna, que me fazem hoje pensar “olha, eu não quero fazer o meu aluno passar pelo o que eu passei”. Eu estava na faculdade, a primeira faculdade que eu fiz, de Letras Português e Inglês, e o carro chefe do curso era Português. Então eu cheguei na faculdade achando que eu ia aprender várias coisas que eu não sabia. Porque o inglês falado eu aprendi com filmes e músicas. Então eu falei assim “pronto, agora eu vou aprender um monte de coisa técnica, um monte de coisa que eu não consegui aprender sozinha, vai ser ótimo”. E foi assim, um balde de água fria, porque eu cheguei na faculdade e o curso era todo voltado para português. Isso foi o que me fez procurar uma segunda graduação mais voltada para o inglês. Então eu tinha um professor de língua portuguesa, que ele deu a prova e eu, adivinha, fui péssima na prova, fiquei triste. E o que esse professor fez, gente? Ele me chamou lá para falar “olha, olha aqui, encerrou isso aqui”, então ele começou a corrigir a prova junto comigo. Só que o que acontece? Todo mundo que estava conversando começou a silenciar, e nisso ele soltou a infeliz frase “sabe, eu acho que você está no curso errado, você está jogando dinheiro fora”. Eu lembrei disso hoje, tanto é que o Gabriel me fez viajar no tempo aqui agora, porque a sala toda parou para poder ouvir, e eu falei “mas por que você está falando assim comigo? Eu posso fazer uma recuperação, eu posso me dedicar mais, eu posso tirar uma nota melhor, eu não vou sofrer por causa disso aqui, eu não fui bem”. E ele falou “eu acho que você está jogando dinheiro fora e eu acho que você devia mudar de curso”. 

GF: A Ana comentou antes que uma das funções do professor é criar pontos, né, conectar o interesse do aluno com o que está sendo passado. E eu acho que o professor tem até uma função de inspirar o aluno a querer aprender mais, a mostrar que aquilo é legal, onde é que aquilo gera valor pra vida dele. Num comentário desse, Daiane, meu Deus, ele desestimula qualquer cidadão, cidadã, que ouvir um feedback desse. 

DM: Eu realmente desisti, eu não quis mais fazer e eu procurei uma segunda graduação voltada para o inglês e estou feliz, estou feliz nisso. E o que acontece? A questão do caso punitivo em avaliação, eu acho que nota não diz quem é o aluno, eu procuro avaliar o meu aluno gradualmente, aula a aula, procuro ajudar, porque se você for definir o seu aluno pela aquela nota que ele tirou, não é bem assim, porque tem dia que a gente não acorda bem, a gente pode estar com dor de cabeça, nervosismo, ansiedade, então aquela nota não define. Eu tenho alunos, agora, por exemplo, a gente voltou de quase dois anos de ensino remoto, eu tenho alunos excelentes que eu conheço já há três anos e, assim, tiraram notas na prova que foram abaixo da média, esses meninos sofreram muito. Então o professor também faz um papel de psicólogo, porque conversei muito com esses meninos. Falei “olha, a gente está voltando de um trauma, porque essa pandemia foi um trauma coletivo para todo mundo, e você não é essa nota. Eu não vou deixar de te admirar, não vou deixar de te ajudar por essa nota que você teve”. 

AM: A Daiane me lembrou duas coisas; é interessante porque a prova também é um registro. Você conhece o seu aluno, o professor sabe quando o aluno tem conhecimento ou não tem. Então, por exemplo, quando você pega uma avaliação e o aluno não foi bem, ah, aconteceu alguma coisa ou deu um, sei lá, deu um branco nele. Mas você sabe que ele participou, você acompanha. É o que a Dai falou, a gente faz uma minha avaliação, uma avaliação diária. A gente acompanha o aluno. Outra coisa que é Daiane também me fez lembrar, eu nunca fui fã de literatura, nem no ensino médio, nem na faculdade, mas eu tive todos os professores de literatura na minha faculdade que davam um show, que eu conseguia entender tudo o que eles passavam. Uma coisa ou outra não entender faz parte, mas eu conseguia me dar bem, porque eles eram essa ponte, mas de uma forma tão fluída, de uma forma tão centrada, que nem parecia que você estava numa aula de literatura. Você só queria entrar na aula para escutar o que o professor tinha para dizer e para passar, e falar “nossa, eu adorei essa aula”. Então eu acho que esse é o segredo, é a didática. Como eu falei, o inglês é só instrumento, a literatura é só instrumento. Se o professor souber dar aquele show, não precisa falar lindo, maravilhoso, ter 10 diplomas, 10 PhD. Não. É ele saber conduzir essa ponte, então eu consegui me dar super bem na literatura por causa dos professores. 

GF: E para os nossos ouvintes que estão escutando esse episódio, são professores, e estão vendo a gente falar sobre, vendo não, né, ouvindo a gente falar sobre criatividade, porém tem dificuldade não é fácil para todo mundo; quem sabe não estão começando agora e ainda não sabem como explorar essa criatividade com seus alunos, dependendo até, né, a Daiane tem um perfil de aluno, a Ana tem outro, o nosso ouvinte pode ter um perfil de aluno muito diferente; que dicas vocês poderiam dar para quem está começando nesse momento e gostaria de entender como explorar a criatividade dentro de sala de aula, para complementar, complementar, não, eu acho que ser um aliado, uma ferramenta ao processo didático, ao professor? 

DM: Ó, pra quem está iniciando, e até mesmo para quem já está aí na estrada há um bom tempo, a gente tem que pensar duas coisas. A gente tem que pensar na estrutura que a gente tem dentro de sala de aula para saber o que levar. Então, por exemplo, não adianta nada eu começar a dar dica, falar “olha, usa de Jamboard, usa o Word Wall, usa o Kahoot, usem isso, usem aquilo, se o professor não tem aqueles equipamentos, ele não tem toda aquela aparelhagem. Só que eu gosto muito de fazer jogos com materiais recicláveis, eu gosto muito de criar. Então, vamos ver, algumas dicas para aqueles professores que têm um ambiente propício para usar a tecnologia para fazer uso de tecnologia, abusem, usem e abusem das ferramentas gratuitas que a gente tem na internet. O Kahoot, o Jamboard o Word Wall. Eu tenho sites, por exemplo, do British Council, de Cambridge, que eles têm vários materiais, eles têm digital flashcards, que vocês podem usar. Tem vídeos, no YouTube tem vários canais bem bacanas para quem dá aula para criancinha pequenininha, para os toddlers, vocês têm vários canais, vocês podem olhar no YouTube, por exemplo, como [incompreensível], Super Simple Songs, tem vários canais bem bacanas. E para quem não gosta ou não tem o perfil de usar a tecnologia, vocês podem pesquisar no Pinterest. Tem vários jogos bacanas que vocês podem fazer com papelão, vocês podem fazer projetor, gente. Uma dica bem legal para vocês fazerem com os meninos, para eles contarem pequenas histórias, é pegar um copo descartável, corta o fundo do copo descartável, coloca um papel filme, né, aquele transparente. Os meninos podem fazer desenhos e depois você vai para uma sala escura, pega a lanterna do celular e mostre o fundo para os meninos projetarem, eles vão fazer mini projetores e eles podem começar a contar pequenas histórias, usar vocabulário simples, uma dica bacana. 

AM: Além dessas dicas que a Dai deu usando a tecnologia, eu acho importante também o professor analisar o perfil da turma, porque, por exemplo, existem turmas que têm um perfil mais introvertido, outras turmas que têm um perfil mais extrovertido, então tem que saber encontrar um equilíbrio com essas turmas para poder aplicar a sua didática. Então, por exemplo, eu sou uma pessoa, eu sou uma professora espontânea, eu gosto muito de falar, às vezes coisas que dão na telha. Tem turmas que se você dá esse gás, nossa, você não dá aula. Então, depende muito. Você pode ser um pouco mais sério com aquele perfil, você pode ser um pouco mais engraçado com um perfil mais tímido, então você vai achando um ajuste para as turmas se sentirem à vontade de aprender com você. E eu acho importante trabalhar com ice break, você saber os gostos dos alunos, como eu tinha falado anteriormente, desenho, personagem. Tem alunos que adoram desenhar, tem alunos que adoram pintar, tem alunos que não gostam de jeito nenhum de dançar, por exemplo. Então tem que achar esse meio-termo. 

GF: Esse episódio está maravilhoso, mas eu preciso fazer uma pergunta final, gente, a gente precisa fechar, não adianta. Infelizmente, tudo que é bom na vida chega ao fim. E a gente sempre fala aqui no Evolution Teacher Talks que a nossa conversa é uma porta de entrada. A gente gosta de terminar os episódios com recomendações para os ouvintes que se interessaram pelo assunto continuarem aprendendo mais fora do podcast. Se vocês pudessem dar uma recomendação, seja um livro, seja um filme, um outro podcast ou algo que fale sobre criatividade que vocês gostam de consumir, um site, um conteúdo, um criador de conteúdo talvez; qual recomendação vocês poderiam dar para o nosso ouvinte que quer expandir, continuar ouvindo e aprendendo sobre esse assunto?  

DM: Pessoalmente, eu adoro alguns professores de inglês que eu sigo no Instagram, então tem a teacher Paula Gabriela, o Instagram dela é [@Teacher]PaulaGabriela. Ela é muito espontânea, ela tem o perfil dela, ela é muito divertida, que ela dá dicas bacanas. Eu sugiro vocês seguirem professores maravilhosos que a gente tem aqui no Brasil. Vocês podem dar uma olhadinha no Instagram, tem vários. Coloca “teacher” lá que você vai ver vários perfis de professores, porque é muito bacana a gente aprender com um colega, a gente olhar experiências que eles tiveram. A gente pode pegar, aprimorar, modificar, então eu sugiro seguir outros colegas de profissão. A gente consegue um conteúdo.  

GF: E se inspirar neles também, né, Dai? 

DM: Exatamente. 

AM: Eu indico o filme Sociedade dos poetas mortos, com o Robin Williams, é bem legal esse filme, é sensacional. Tem um livro do Leo Fraiman, que é Como ensinar bem, também, ele dá umas dicas muito legais. Os dois professores do Instagram que eu também recomendo, eu assisti às palestras Odeles, são muito profissionais, é o Diego Moreira e o Dyego Feitosa. O Dyego Feitosa é com “Y”. Os dois são sensacionais, extremamente inspiradores. 

GF: Recomendações incríveis Dai e Ana. Obrigado pelas recomendações, os ouvintes com certeza agradecem, e eu preciso agradecer vocês por participarem dessa gravação do Evolution Teacher Talks. Por favor, voltem sempre. 

AM: Muito obrigada, Gabriel, pela oportunidade. A próxima estamos de volta. 

DM: Brigada, foi um prazer conhecer a Ana, o Gabriel. É muito bom trocar experiências, foi uma experiência muito bacana. 

[Música] 

GF: Se você gostou desse episódio, segue a gente no Spotify, Apple Podcasts ou na sua plataforma de streaming preferida. Afinal de contas, o Evolution Teacher Talks está disponível em todas elas, e a gente tem episódios novos a cada duas semanas. Eu quero te convidar também para seguir a gente lá no Instagram, através do @FTDEducação, e conhecer os conteúdos extras no site de conteúdoaberto.ftd.com.br. Ah, e não esquece de compartilhar esse episódio com seus colegas de trabalho, família e amigos para conhecerem um projeto incrível da FTD Educação. Eu te encontro no próximo episódio e até a próxima, pessoal! 

[Música] 

Ficha técnica
Apresentação: Gabriel Falk  
Produção: Nathália Xavier Thomaz  
Roteiro: Gabriel Falk  
Pauta: Nathalia Xavier Thomaz, Isabel Lacombe  
Convidadas: Ana Medawar e Daiane Marreiro 
Realização: FTD Educação  
Edição: Maremoto 

Você também pode acompanhar pelas plataformas Deezer, Apple Podcast e Google Podcasts.

Você gostou?

Clique nas estrelas

Média da classificação 4.4 / 5. Número de votos: 7

Nenhum voto até agora! Seja o primeiro a avaliar este post.

Compartilhe

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on whatsapp
Share on email

Veja mais conteúdos que podem te interessar:

Olá! Que bom ter você conosco! :)

O Conteúdo Aberto oferece gratuitamente conteúdos com curadoria pedagógica para estudantes, escolas e famílias.
Para ter acesso aos melhores conteúdos, efetue seu login ou cadastro:

Olá! Que bom ter você conosco! :)

O Conteúdo Aberto oferece gratuitamente conteúdos com curadoria pedagógica para estudantes, escolas e famílias.
Para ter acesso aos melhores conteúdos, efetue seu login ou cadastro:

Olá! Que bom ter você conosco! :)

O Conteúdo Aberto oferece gratuitamente conteúdos com curadoria pedagógica para estudantes, escolas e famílias.
Para ter acesso aos melhores conteúdos, efetue seu login ou cadastro: