A educação infantil depois da pandemia

Com a recente desaceleração da COVID, é fundamental refletir sobre o que foi vivenciado e aproveitar as lições que este triste período trouxe para a Educação Básica. Tenho escrito neste espaço muito sobre recomposição de aprendizagens com um olhar mais focado em Ensino Fundamental e Médio. Neste texto, pretendo destacar o que se passou com a educação infantil e pensar no como devemos aperfeiçoá-la nos próximos anos.   

É ainda recente a atenção mais focada na importância da Primeira Infância e seu papel para a formação de um indivíduo pleno e para o nivelamento das diferenças de origem socioeconômica para o desempenho escolar futuro. Mais ainda, demoramos muito para entender o acesso a uma educação infantil de qualidade como um direito da criança.

A atenção à Primeira Infância é, por natureza, intersetorial. Para um desenvolvimento saudável de bebês e crianças pequenas, não basta a creche e a pré-escola. A saúde e a nutrição, incluindo a amamentação exclusiva até os 6 meses, assim como as políticas de assistência social têm um papel igualmente relevante. Mais do que isso a formação de vínculos afetivos na família afeta não só o bem-estar dos pequenos, como o desenvolvimento neurológico tão necessário para o aprendizado.

Mas como estávamos em educação infantil antes da pandemia e como ela afetou esta etapa de escolaridade? Em primeiro lugar, apesar de avanços no acesso à pré-escola nos anos mais recentes, há profundas diferenças entre quartis de renda no acesso à creche. Em 2019, enquanto 54,3% do quartil mais rico estavam matriculados em creches, o dado é de apenas 27,8% do mais pobre. Ou seja, muitas das crianças que mais precisavam mais do efeito creche, não tinham acesso.

E o que ocorreu com o advento da pandemia? Com o fechamento das unidades escolares, pensou-se numa forma de aprendizagem remota para os alunos do ensino fundamental e médio e os pequenos da Educação Infantil tenderam a ser esquecidos. Não que fizesse sentido o uso de plataformas e aulas síncronas para a etapa, mas muitos pais ficaram sem saber o que fazer e, no final prevaleceu a visão de que na etapa a única coisa importante seria o cuidado.

Muitas creches e pré-escolas privadas de bairro quebraram, já que os pais afetados pela crise não viam por que continuar pagando mensalidades para um serviço que não estava sendo prestado.

Mas, para tudo há conserto, inclusive na possibilidade de se retornar a uma Educação Infantil transformada e com acesso menos desigual.  Para este último ponto, políticas públicas e investimento de qualidade precisam ser adotados.

Para o primeiro, a BNCC nos dá pistas importantes do que deve ser feito para promover uma educação infantil de qualidade, com bons materiais de apoio e melhor formação profissional dos professores que atuam na etapa.

O mantra “brincar com intencionalidade pedagógica” deve ser o principal orientador de nossas práticas daqui para frente, tanto em creches quanto na pré-escola. Isso demandará um esforço importante de preparação de atividades e organização do tempo e espaço para a ação educacional. Mas, afinal, nossas crianças merecem!

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