Para o estudante Três cuidados ao trabalhar educação financeira com as crianças e os jovens

Muitos dos desafios financeiros enfrentados pelas pessoas no Brasil vêm de paradigmas e crenças limitantes que vão sendo passadas de geração para geração e afastam as pessoas de conhecimentos valiosos sobre o dinheiro. Acreditar que só ganha dinheiro quem já tem dinheiro, que dinheiro não traz felicidade, que os ricos são desonestos e exploradores… são alguns exemplos de crenças que acabam gerando comportamentos pouco sustentáveis e afastam muitas pessoas de realizações e da prosperidade.

Cada dia mais, acredito ser imprescindível que as pessoas percebam e usem o dinheiro, apenas, como mais um dos recursos de que possuem para acessar os desejos e suprir as necessidades ao longo de toda a vida. É possível aprender a tomar decisões que gerem resultados financeiros positivos para a vida pessoal, familiar e, também, para toda sociedade. Pessoas boas e colaborativas, com dinheiro, podem ampliar os impactos positivos de suas ações. Elas são capazes de desenvolver, inclusive, empresas de impacto social positivo.

Para reduzir a pobreza, que mata e prejudica tantas pessoas, precisamos fazer com que mais pessoas tenham acesso ao dinheiro e consigam fazer bom uso dele. Para isso, é fundamental trabalhar educação financeira na escola e construir bases comportamentais sustentáveis desde cedo.

Aqui vai uma lista de três pontos que, pela nossa experiência, devem estar no radar dos educadores ao tratar do assunto dinheiro com as crianças e os jovens, e que muitas vezes passam despercebidos.

  1. Evite afirmar que dinheiro não dá em árvore. Simbolicamente, é possível ter uma árvore de dinheiro. Isto é, ter renda passiva a partir de ações e investimentos capazes de viabilizar ganhos futuros, sem a necessidade de presença e trabalho constantes (renda de dividendos, investimentos em imóveis, direitos autorais, são alguns exemplos).
  2. Atenção ao falar de ricos e pobres e fazer comparações. Existem muitas pessoas que consomem produtos caros mas que estão endividados, ou que tem estilo de vida luxuoso e ganham a vida fazendo atividades ilícitas, explorando trabalho escravo e roubando. Mais importante do que a quantidade de dinheiro que uma pessoa tem é saber de onde vem esse dinheiro, quantas pessoas ajuda ou atrapalha.
  3. Cuidado para não associar o dinheiro apenas com o consumo. Principalmente com as crianças pequenas, é comum incentivar que elas escolham desejos e juntem dinheiro para gastar. É necessário, desde o início, mostrar que fazemos escolhas com o dinheiro. Ao gastar em uma coisa, abrimos mão de outras coisas. Usamos o dinheiro para a alimentação, para cuidados com a saúde, para ajudar outras pessoas e, também, para realizar desejos.

Uma boa relação com o dinheiro se constrói a partir de conversas positivas sobre o tema, observações e experiências onde seja permitido questionar padrões de consumo e estilos de vida, pensar sobre o que se está comprando ao fazer determinadas escolhas, perceber pressões sociais, expor sentimentos e emoções que permeiam nossas decisões.

Convido você a, cada dia mais, fazer as pazes com você e com o seu dinheiro para aproveitar a jornada de aprendizados infinitos que esse tema nos proporciona. Em cada fase da vida enfrentamos desafios diferentes e surgem, também, oportunidades. Que possamos estar sempre aprendendo e nos conhecendo, aprimorando habilidades para sermos capazes de usar bem o dinheiro, e usar o dinheiro para o bem. Conte conosco!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

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