O futuro da aprendizagem

Fique por dentro

A seção Fique por Dentro reúne os mais interessantes artigos de duas renomadas publicações: revista Harvard Business Review (HBR), com textos que proporcionam a reflexão inteligente sobre as melhores práticas na gestão de negócios, e a revista Educação, com conteúdos que abordam as principais questões relacionadas a inovações no setor educacional, políticas públicas, literatura, pedagogia e cultura.

A seção Fique por Dentro reúne os mais interessantes artigos de duas renomadas publicações: revista Harvard Business Review (HBR), com textos que proporcionam a reflexão inteligente sobre as melhores práticas na gestão de negócios, e a revista Educação, com conteúdos que abordam as principais questões relacionadas a inovações no setor educacional, políticas públicas, literatura, pedagogia e cultura.

O poder da narrativa como ferramenta de ensino

A estratégia que se apoia no ancestral poder que as histórias exercem sobre os seres humanos mostra sua força também na educação

Por Paulo de Camargo

Em uma das suas mais recentes obras, A estranha ordem das coisas (ed. Companhia das Letras, 2018), o respeitado neurocientista português António Damásio escreve que o domínio do homem sobre o fogo trouxe grande impacto para a espécie humana – por muitas razões, entre elas, uma menos lembrada. Estendendo a duração do dia e permitindo a reunião dos humanos para algo mais que coletar, caçar e comer, ao fim da jornada cotidiana, a luz e o calor das chamas abriram espaço para conversar, bisbilhotar, reparar laços, buscar significado para os fenômenos, enfim, para contar histórias. É pelo menos tão antigo como o uso cotidiano do fogo, portanto, o prazer humano pelas narrativas, elo entre o passado e o presente, ponte para o futuro, capaz de gerar ou produzido por “… um sentimento encorajador de desejo e antecipação. Chamemos-lhe magia”, escreve o autor.

Visto de um ponto de referência tão longínquo, não é de surpreender, portanto, que o poder das histórias narradas tenha se tornado, no complexo mundo do século 21, uma estratégia utilizada cada vez mais na comunicação – e, agora, também na educação. É um mágico poder que faz a mensagem chegar ao destinatário, fazendo frutificar o desejo por ouvir atentamente, saber mais e converter o conhecimento em fermento de transformações. Multiplicam-se pelo país os que estudam ou atuam profissionalmente sobre essa nova face das narrativas, agora sob o nome inglês storytelling, ou o bom e velho conhecido hábito dos humanos: contar histórias.

Entre esses profissionais, alguns já andam pelo mundo das celebridades há algum tempo, como é o caso do comunicador e escritor Marcelo Tas, que recentemente se tornou professor do Ibmec. Para Tas, o objetivo principal do uso de estratégias de storytelling é garantir o engajamento dos estudantes, conceito que a seu ver está bastante desgastado, mas cujo significado realmente importa. “O engajamento é muito diferente do fascínio, por exemplo, das redes sociais. As redes sociais trabalham com o encantamento, com uma atração, cientificamente estudada para a sedução”, explica.

Para ele, a partir da certeza da qualidade do seu conteúdo, o professor deve pensar qual a melhor maneira de criar o engajamento, quais são as ferramentas, as metodologias para se criar não apenas narrativas mas também experiências (cada vez mais valorizadas, e com razão), ou seja, problemas a serem selecionados pelos alunos. “E não estou falando apenas da pandemia. O que aconteceu na pandemia foi apenas a evidência da necessidade de novas formas de praticar a educação”, considera.

A atual geração de crianças e adolescentes, na avaliação de Tas, já está mais acostumada com a formulação de diversas formas de narrativas. Não apenas games, mas também construção de protótipos, invenção de artefatos novos, soluções para problemas antigos ou que ainda nem existem, o que teria fortalecido, por exemplo, a cultura maker.

Para ele, as narrativas implicam em curadoria. “Podemos usar a metáfora do técnico de futebol. Não adianta juntar as crianças e adolescentes e dar a bola para jogarem. Precisamos do técnico, que orienta, diz que o jogo tá bom ou ruim, pede mais. O técnico é o cara que tem a experiência, já percorreu a jornada, tem estratégia, sabe aonde quer chegar. Mas, ele tem de estar aberto a aprender, pois vai aprender bastante”, diz. Nesse exemplo, as narrativas assumem novos contornos. “Na vida acelerada e conectada em rede, todos participam da construção das narrativas. Não é que todos fazem o que querem. A era digital não deve ser um vale tudo. A construção é colaborativa e em rede, mais democrática e aberta. Mas precisa ser organizada, estruturada….na educação, pelo professor”, conclui.

O poder das boas histórias

Para compreender o universo do storytelling, é preciso separar o fundamental ato de contar histórias de um processo mais complexo, que é justamente criar narrativas. As narrativas encadeiam acontecimentos, atribuem sentidos aos fatos aparentemente desconexos, conduzem o pensamento para um modo mais integrado de compreensão da realidade. O psicólogo Jerome Bruner, que lecionou nas universidades Harvard e de Oxford, estudou o poder que há por trás de uma boa história. Segundo Bruner, as chances de lembrarmos algo que foi narrado pode ser 22 vezes maior, pois a mente humana processa mais facilmente as histórias.

Isso tudo vem sendo transformado em técnicas apropriadas pela indústria do entretenimento, pelos comunicadores, pelos políticos. No campo do cinema e da TV, trata-se de um velho conhecido, e o sucesso das séries, tão populares hoje em dia, são evidências de uma audiência ávida por boas histórias, mas cuja atenção é cada vez mais difícil de capturar. “Hoje, ninguém consegue ficar mais do que cinco minutos sem checar mensagens ou navegar em redes sociais, mas quando vemos um filme bom, ficamos duas horas sem olhar para o  celular”, lembra Bruno Scartozzoni, cofundador da StoryTalks e autor de um procurado curso sobre o tema no qual é especialista. Da mesma forma, argumenta, todos dizem não ter tempo para nada, mas quando uma série é muito boa, criamos um tempo que não existia.

Scartozzoni diz que esse poder de manter a atenção do público passa pelo uso de técnicas em busca de resultados engajadores, que ajudam a contar boas histórias. Para ele, são habilidades cada vez mais importantes para os educadores. “Os professores têm muita dificuldade de conseguir a atenção dos alunos, seja na sala de aula física, seja na sala de aula virtual”, ele lembra. Para o especialista em storytelling, o maior concorrente pela atenção das pessoas é o celular. “No smartphone, os alunos encontram temas mais interessantes que a aula, desde a conversa no grupo de amigos até um filme da Netflix. Nas aulas remotas, nem precisa do celular…é só abrir mais uma aba no navegador de internet no computador”, diz.

No entanto, pela experiência de Scartozzoni, não se trata de uma concorrência invencível. “Quando alguém começa a contar uma história cativante, as pessoas param para prestar atenção. Você consegue transformar seu conteúdo em histórias, ou empacotar seu conteúdo com histórias, ou mesmo ilustrar seu conteúdo com histórias, e aí há uma chance de vencer o celular ou outras distrações”, diz.

Uma das estratégias, claro, passa por temperar os conhecimentos com a emoção das narrativas. “As pessoas se lembram quando se emocionam. A cada tópico de conteúdo que você trabalha, o que o aluno sente? Esperança, medo, nojo, amor, um quentinho no coração…toda vez que a pessoa sente algo, aquilo se torna memorável”, destaca Bruno Scartozzoni. Por isso, aconselha, cada bloco de conteúdos deve estar associado a uma emoção. Há várias formas de trazer essa emoção à tona: contar algo pessoal, trazer para o contexto a trajetória de uma figura histórica, utilizar filmes, encenar peças, entre outras estratégias.

O impulso da pandemia

Com a covid-19 e o isolamento social, muita coisa mudou no mundo da educação. No esforço de adaptação feito pelos professores às aulas remotas, tornaram-se mais prementes desafios que já acompanhavam a profissão nos últimos anos: como prender a atenção dos alunos, que agora estão do lado de lá das telas, no mais das vezes com o vídeo fechado?

Para João Jonas Veiga Sobral, professor de língua portuguesa, literatura e orientador educacional, houve uma aceleração de tendências também nesse campo. “Se modernamente o aluno já vinha deixando de ser simples espectador de aulas e exposições orais, o ensino on-line, que prevaleceu durante o período de pandemia, consolidou essa tendência”, considera.  Por isso, a seu ver, cada vez mais a aula deve ser pensada como o roteiro de uma narrativa, na qual crianças e adolescentes são roteiristas e atores do processo de ensino-aprendizagem”, diz.

Nesse sentido, os recursos tecnológicos até mesmo podem favorecer a construção de narrativas, criando novas e variadas oportunidades de o aluno assumir maior protagonismo, tornando-se aliados valiosos do professor. Sobral comenta que, ao longo deste ano, diante do ineditismo da situação em que se viram, muitos professores começaram por reproduzir pelo computador as aulas que davam antes, em sala. “Mas isso não funciona”, diz o educador, que fez esse percurso. “Percebi que, passados uns 30 minutos, a aula ficava enfadonha e os alunos tendiam a se distrair. Uma diferença importante é que na aula presencial eu posso me movimentar, modular a voz, variar a postura. Não podemos esquecer que o corpo fala”, ensina.

Para o professor, essa discussão é fundamental porque algumas mudanças vieram para ficar. Em primeiro lugar, explica, não há clareza sobre como será o ano de 2021 nas escolas, por exemplo, em relação a quantos alunos poderão estar em sala de aula. “Turmas de 30 ou 35 anos serão, provavelmente, inviáveis”, diz. Nesse contexto, o modelo híbrido, com aulas presenciais e remotas, deve prevalecer.

Não se trata, porém, só de questões de segurança, saúde e higiene. Não se sabe mesmo como os alunos vão retornar, seja no que se refere ao conteúdo que conseguiram aprender, seja no campo dos procedimentos de trabalho – ou seja, como se comportar em aula, como estudar ou como se concentrar em temas mais abstratos. “Como foi o tempo dessa criança ou desse adolescente em casa? Em um ano, tudo muda. Talvez, quando voltarem, sejam outros, com questões que nem imaginamos”, reflete o professor.

Nesse contexto, um modelo que misture o remoto e presencial terá de equilibrar as diferentes dimensões do processo ensino-aprendizagem, em especial, as de ouvir e fazer. “A sala de aula pode estar voltada, principalmente, às trocas entre os alunos e ao fazer em grupo”, sugere.

Justamente, por isso, pode ser um bom caminho de reflexão – e de prática – olhar para o que já acontece no mundo das redes sociais, com uma força inédita. É o que recomendauma profissional que vem conseguindo grande sucesso na web – a youtuber mineira Débora Aladim. Dona de um dos maiores canais educativos da internet, essa estudante de história da Universidade Federal de Minas Gerais iniciou sua trajetória como professora virtual com 15 anos e hoje, com 24 anos, tem mais de 2 milhões de seguidores para aulas de história, redação, bem como dicas gerais de estudo.

Para ela, o sucesso de seu trabalho está na linguagem utilizada e nas referências que constrói com produtos culturais do momento, como músicas e séries. Entre as estratégias que utiliza, surge com força o storytelling, cujas técnicas domina como poucos. Ela sabe, por exemplo, que para uma boa aula os primeiros segundos são essenciais. “É preciso ir direto ao ponto, colocar uma música ou vinheta legal, e usar muitos vídeos e imagens para ilustrar”, ensina. Assim, toda aula é uma boa história a ser contada.

Para Débora, isso está ao alcance de todo professor. “Pela própria profissão, o professor já é bem articulado – e, se não é, desenvolve essa habilidade no exercício da profissão”, acredita. Segundo a youtuber, as aulas virtuais demandam, sim, adaptação, já que não há audiência física, com pessoas reais acompanhando as aulas e com mais interação. Por isso, é mesmo difícil falar para a câmera como se fosse uma pessoa, no início. “Mas, depois de um tempo, é até melhor, porque você pode ensinar com seu ritmo, pode se permitir errar e corrigir algo na edição, adicionar elementos posteriormente. É a prática que ensina, mas você pode assistir outros professores e youtubers como exemplo para aprender uma forma diferente de comunicação e edição”, recomenda.

Estudar o modo de trabalhar de outros profissionais é, aliás, uma recomendação importante, segundo Débora Aladim. É preciso ver quais se assemelham ao seu próprio estilo, com seu modo de falar, ver em qual tipo de edição cada professor se encaixa melhor. “Depois, mão na massa!”, incentiva. “Não tem problema ficar quatro horas gravando um vídeo que, no final, vai dar 30 minutos, isso tudo faz parte do processo criativo. E o apoio do público e dos alunos é fundamental, a propaganda boca a boca é a que mais converte inscritos e seguidores”, diz, mostrando o caminho das pedras. Sim, pedras. Mundo virtual não quer dizer mundo mais fácil, e os desafios dos professores tornam-se, como tudo, cada vez mais complexos. Está na hora de uma nova história da educação começar a ser contada.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Novembro de 2020.

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Para empoderar os professores

Educação híbrida dá os primeiros passos no Brasil, num aprendizado forçado pela pandemia. Entre as várias iniciativas desse período trágico, o blended learning deve permanecer como método de educar para os novos tempos

Por Edimilson Cardial

A trajetória de Maria Inês Fini mostra sua inquietude intelectual voltada para a educação. Entre vários cargos que ocupou no cenário nacional, foi presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). O educador Mozart Ramos costuma dizer que ela é uma referência no campo educacional e que “inspira na construção de políticas públicas no Brasil”.  É doutora em educação, pedagoga, e pesquisadora em psicologia da educação, especialista em currículo e avaliação. Junto a um grupo de educadores resolveu criar a Associação Nacional de Educação Básica Híbrida (ANEBHI). Essa ideia nasceu, segundo ela, do entusiasmo e solidariedade de alguns profissionais da educação brasileira com o trabalho dos professores da educação básica durante a pandemia. 

Desde março de 2020, esse grupo procurou apoiar os professores, ajudando-os a se reinventar. Foi aí que se consolidou a criação dessa associação sem fins lucrativos, como oportunidade de criar um espaço para que as excelentes experiências que a escola brasileira estava vivendo não se perdesse, e mais, criar um suporte para transformá-las em conhecimento.

O objetivo, nas palavras de Maria Inês Fini, é criar uma comunidade colaborativa de professores e gestores para abrigar essas experiências e dar-lhes uma curadoria acadêmica, transformando-as em conhecimento e divulgando-as. “Temos mais de 100 conselheiros nas diretorias entre os mais renomados educadores brasileiros. Há alguns parceiros fundadores que nos ajudaram a viabilizar os primeiros passos.”

A seguir, a entrevista:

O que define um ensino híbrido?

Preferimos usar o conceito de educação híbrida que pressupõe ensino e aprendizagem presencial e ensino e aprendizagem remota.

Uma escola que dá aula online está aplicando a educação híbrida?

Não. O conceito da educação híbrida vem do “blended”, que significa misturado, e não pode se configurar como tal sem o ensino e aprendizagens presenciais.

A educação híbrida fora da escola estará sempre atrelada à tecnologia ou em casa o aluno pode ter, por exemplo, atividades baseadas em projetos?

A educação híbrida pode valer-se de uma grande variedade de recursos tecnológicos para as etapas remotas sempre em complementação às atividades presenciais. Metodologia de projetos é uma modalidade didática muito motivadora para envolver alunos de todos os níveis e modalidade da qual o professor pode se valer tanto nas atividades presenciais como remotas ou, preferencialmente, combinando ambas de forma híbrida.

Saindo da realidade atípica pandêmica, o modelo híbrido é autorizado para a educação básica brasileira?

Não há legislação que regule a estrutura do planejamento curricular que se estruture como uma proposta de educação híbrida. Desde que demonstre o cumprimento dos dias e horas letivos e as determinações da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e das DCNs (Diretrizes Curriculares Nacionais), as escolas têm autonomia para definir sua arquitetura curricular dentro dos parâmetros de educação híbrida.

Como resolver a situação de uma família cujos pais trabalham fora e que têm de se ausentar? Como controlar o tempo e a dedicação aos estudos?

As escolas sempremandaram lições para serem feitas em casa, na forma de grande variedade de exercícios pós-aula presencial como fixação e verificação de conceitos ou leituras prévias para preparo de novas aprendizagens. O que mudou quando os pais ficaram em casa foi, de um lado, maior visibilidade das tarefas a serem realizadas e a constatação de uma rica variedade de trabalhos propostos aos alunos, e de outro, a intensa presença dos professores no cotidiano dessas famílias por meio dos diversos recursos de interatividade com os quais os professores brasileiros, tão corajosos e criativamente, mantiveram os vínculos com seus alunos e entre eles. Seja por meio de plataformas digitais, pela TV, pelo rádio, pelo WhatsApp, telefone, recados pelo telefone do vizinho, envio de tarefas com a merenda pelo transporte escolar e posterior recolha, a escola se reinventou num tempo muito curto e seus esforços devem ser comemorados pela sociedade.

Qual é o aproveitamento do aluno comparando o ensino presencial e a distância?

Não podemos igualar o conceito de educação híbrida com educação a distância. Essa última tem legislação própria para ser aplicada no ensino superior onde se pressupõem autonomia cognitiva e de autogestão da aprendizagem total por parte dos alunos. A educação híbrida pressupõe um projeto pedagógico que integra ensino e aprendizagens presenciais às remotas de tal maneira que as diferentes etapas não se substituem, antes se complementam. A educação híbrida requer materiais pedagógicos próprios, meios de comunicação que permitam interatividade com e entre alunos durante a fase remota e que sejam suportados pelos recursos tecnológicos possíveis a cada comunidade escolar, envolvendo professores e famílias, e que permitam personalização de percursos curriculares e avaliação adaptativa que indique aprendizagens a serem repostas.

A educação híbrida prevê um professor à disposição do aluno a todo momento. Isso é viável?

Aeducação híbrida é protagonizadapelo mesmo professor da classe que deverá combinar em seu plano de trabalho as atividades de ensino e aprendizagens presenciais e remotas e não necessariamente sua “presença virtual” na casa dos alunos, ou em outro espaço da escola precisa ser sempre ao vivo. Podem ser vídeos gravados, roteiros impressos, etc.

Como uma escola deve fazer o planejamento para adotar esse novo sistema presencial e a distância?

Creio que uma das lições mais preciosas da pandemia para as escolas está sendo o despertar para esse mundo interligado que já fazia parte da vida cultural dos alunos. Reconhecemos e valorizamos o papel da escola e do professor, vislumbramos outro vínculo mais próximo entre escola e família, aprendemos de uma vez que informação sozinha não é conhecimento e que na educação básica, o conhecimento de crianças e jovens para ser construído precisa da mediação do professor, mas acima de tudo aprendemos a melhorar as rotinas pedagógicas das escolas usando recursos tecnológicos de informação e comunicação. Não podemos perder essas aprendizagens, antes precisamos robustecê-las.

Deverá ocorrer uma mudança no currículo para a inclusão de aulas a distância? Como fazer isso na escola pública?

O planejamento pedagógico pós-pandemia impõe a toda escola de educação básica, seja publica ou privada, outra composição curricular, considerando incorporar a riqueza dos recursos do ensino e aprendizagens remotos em complemento à educação presencial, numa abordagem híbrida.

Onde a escola vai gastar mais: em tecnologia ou em mais professores?

Essa é uma questão muito inte­ressante que nos remete a um grande equívoco quando pensamos em modernizar nossas escolas.

A tecnologia e a respectiva conectividade são importantíssimas num projeto pedagógico inovador, mas elas não são o coração da escola.  São complementos necessários, possíveis de diferentes formas a uma comunidade escolar, mas sempre estarão a serviço de uma robusta proposta pedagógica feita por professores e equipes técnicas. Então, a resposta à sua pergunta é: mais para os professores, mais e melhores condições de trabalho, mais adequada formação continuada.

O professor vai preparar uma aula presencial e os conteúdos digitais separadamente. Ele vai dar conta disso?

Se isso acontecer, será um fracasso total. Quem interage com os alunos para favorecer seu desenvolvimento e consequentes aprendizagens dos alunos é o professor, ele é o maestro. Imagine a dissonância que haveria se as abordagens não forem integradas, principalmente se feitas por professores diferentes ou assistentes?

Nossos professores não tiveram uma formação para o mundo digital, daí o grande valor de suas rapidíssimas apropriações desde o inicio da pandemia. Então vamos arregaçar as mangas e ensiná-los a usar os mais variados recursos tecnológicos e de informação disponíveis para que se tornem autônomos na estruturação de seus projetos, vamos empoderá-los, mesmo porque seus alunos já dominam esses recursos de A a Z.

Como avaliar os alunos a partir desse novo formato?

A maneira mais tradicional de lhe dar essa resposta seria indicar que a avaliação na educação híbrida deveria ser realizada nas etapas presenciais. Isso daria conforto e segurança aos pais e professores além de garantir o controle visível da aprendizagem.

Mas seria falacioso de minha parte negar os excelentes insumos que já estão na cultura da avaliação, referidos a outras maneiras de avaliar além dos tradicionais testes padronizados, cuja preparação tem de ser muito cuidadosa para que os resultados possam evidenciar as aprendizagens já desenvolvidas e indicar aquelas que ainda precisam melhorar. Eu me refiro a instrumentos mais holísticos de avaliação, como estruturação de portfólios, digitais ou não, elaboração e execução de projetos, questionários de autoavaliação, quiz, vídeos, entre outros que as novas metodologias ativas estão a nos mostrar e dos quais precisamos nos apropriar melhor.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Novembro de 2020.

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Respostas para suas dúvidas sobre trabalho, família e covid-19

Conselhos de especialistas sobre como cuidar de si mesmo, lidar com a incerteza e culpa.

Por Laura Amico

No início da pandemia, quando meu marido e eu estávamos começando a trabalhar em casa e ao mesmo tempo cuidando de nosso filho na pré-escola e do bebê e procurávamos ter um estoque de leite, ovos e lenços umedecidos para manter todos alimentados e seguros, eu comecei a usar um email de resposta automática para alertar meus contatos de que eu poderia não estar disponível imediatamente como costumava estar.

No começo era uma mensagem genérica dizendo que as respostas poderiam atrasar. Mas à medida que a pandemia avançava, manter todas as atividades funcionando ficava cada vez mais complicado, então comecei a usar o espaço para entender a estranheza de trabalhar a paternidade/maternidade durante a pandemia. E, por isso, se você me enviou um email, você ouviu falar de meu filho de quatro anos com fobia a cachorros anos implorando que lhe desse cinco filhotes no aniversário, ou chamando minha nova cadeira giratória de “assento cheio de frescura”, ou se referindo muito habilmente à nossa casa como “casa divertida”.

“Agora a vida está bem estranha”, é como eu encerro cada mensagem automática. “Por favor, tenha paciência comigo”. Foi uma súplica, — na verdade, um grito — para as pessoas saberem que não havia nada normal na forma como minha vida havia mudado da noite para o dia. A alegria dessas mensagens era o fato de eu receber retorno de tantos colegas: “sim, exatamente isso”. Seguido muito de perto por, “mas falando sério — como vocês estão se virando com a escola/trabalho/gestão do tempo/culpa/etc.?”

Sinceramente, eu não tinha — e ainda não tenho — a menor ideia. Na maior parte do tempo, preencher uma atribuição e acordar no dia seguinte para fazer tudo de novo são conquistas bem grandes. Mas eu posso, nós podemos fazer melhor? Será que podemos? Para descobrir, a HBR perguntou a pais do mundo todo que trabalham fora (falando figurativamente, pelo menos) de casa: O que é mais difícil nesse momento? No que você precisou de ajuda? As respostas a seguir foram coletadas do grupo no Linkedin da HBR, e organizadas por tema:

  • Cuidando de si
  • Lidando com interrupções
  • Demissões e caçando talentos
  • O que as crianças estão aprendendo sobre o trabalho
  • Lidando com a incerteza e a culpa

Depois apresentamos essas questões a um júri de especialistas para obter algumas respostas. Entre os participantes estavam:

Julia Beck, fundadora e CEO do It’s Working Project

Amber Coleman-Mortley, diretora de envolvimento social da iCivics, e podcaster de Let’s K12 Better

Brad Harrington, diretor do Center for Work & Family, do Boston College

Becky Kennedy, psicóloga clínica, @drbeckyathome no Instagram

Laila Tarraf, diretora de pessoas, Allbirds

A via agora é estranha, todos eles afirmaram. Mas mostramos aqui como sobreviver (as dúvidas e conselhos foram editados para maior clareza).

1. Cuidando de si

Antes da pandemia, havia muita pressão para os pais serem funcionários perfeitos e mães e pais mágicos. Agora, a pressão é ainda maior. Não é só postar um quadro das fantasias de Halloween no Pinterest, é também estar no comando das tarefas escolares, preparando o almoço e snacks todos os dias, se preocupando com o que o isolamento social está causando a seu bebê de dois anos ou ao filho que está no ensino médio, o tempo todo participando de chamadas de vídeo e do afastamento de colegas.

Há também mais tensão no trabalho, entre interrupções comuns, perdas de emprego verdadeiras ou ameaças, e cronogramas irregulares. É isso que ouvimos dos leitores mais que qualquer outra coisa. Como colocou sucintamente Nedra Hutton, de Round Rock, Texas: como se manter mentalmente são? Eu me sinto como se estivesse falhando em tudo.

Na Índia, um leitor anônimo escreveu: minha empresa está dispensando funcionários no mundo todo. E se isso acontecer comigo? Isso me preocupa tanto que eu me privo de horas de sono para me dedicar o máximo possível ao meu trabalho porque não quero prejudicar meu filho de dois anos privando-o do tempo que ele merece. Então eu ouço todos recomendarem fazer exercícios físicos e cuidar da saúde. Tudo isso é tão assustador.

Eu sinto muita empatia por esses dois leitores. Há tanto a fazer e tanta preocupação incorporada em tudo. O que podemos fazer?

Becky Kennedy: Primeiro, comece dedicando a si mesmo uma dose horária de compaixão.

A autocompaixão tem o poder de transformar nossas preocupações do intolerável para o ainda difícil, mas tolerável. De hora em hora, pare o trabalho, coloque seus pés no chão e uma mão no coração, e repita o mantra: “este é um momento realmente difícil para ser pai/mãe. Estou fazendo o melhor que posso. Estou fazendo o suficiente. Eu sou suficiente”.

Segundo, pense em pequenas doses de cuidados pessoais. Isso pode significar um banho de ducha especial, três minutos de meditação, ou uma caminhada de 10 minutos sozinha. Como seus dias são extremamente exaustivos, seu corpo precisa se recuperar. Respeite essa necessidade.

Amber Coleman-Mortley: Quando você está sentindo o caos girar à sua volta, feche os olhos por alguns minutos e inspire e expire. Eu me pego repetindo a “oração da serenidade” em meus momentos de ansiedade. Ajuda. Eu também tento me lembrar de que havia uma pressão enorme sobre pais que trabalham para cumprir os padrões irrealistas mesmo antes da Covid-19. Você pode romper essa pressão focando em rotinas baseadas em bem estar, gratidão, e cuidado pessoal. De quais rituais, hábitos ou valores irrealistas você pode abrir mão? É do jantar todas as noites às 18 horas? Ou ir dormir impreterivelmente às 20 horas? Você é capaz de abdicar de um pouco da rigidez da rotina com rituais viáveis como discussões em família, mais abraços, melhores hábitos alimentares, jogar à noite com a família, horário de dormir flexível, ou ler por prazer?

Laila Tarraf: Vamos tentar dar um pouco de folga uns aos outros. As linhas que dividem trabalho e família se misturaram, o que exige que todos nós — funcionários e empregadores — devemos estabelecer limites mais fortes e praticar os cuidados pessoais de forma mais consciente.

Na Allbirds, continuamos a encorajar a flexibilidade para todos os funcionários, mas principalmente os pais que trabalham com filhos pequenos em casa. Nós interditamos os horários entre 8 e 9 horas da manhã para garantir que os pais possam fazer as crianças se organizarem pela manhã, e em uma tarde por semana não marcamos nenhuma reunião. Tentamos encorajar nossos pais a bloquear suas agendas durante o dia quando eles precisam dar atenção a seus filhos. Isso pode ser uma hora no almoço ou trinta minutos às 15 horas, quando as crianças saem da escola, ou às 16 ou 17 horas quando as crianças querem sair e brincar.

No entanto, as empresas não podem criar limites sadios para as pessoas, portanto, cabe a cada um de nós, determinar o que é necessário fazer para cuidar de nós mesmos. Os cuidados pessoais vêm em várias formas e tamanhos e se você tiver a capacidade, tempo e motivação para pular em seu Peloton ou ir correr, então ótimo. E se todos puderem dispor desse momento é hora de dar uma boa respirada, fechar os olhos e sair do computador, reservar pausas durante o dia para se alongar, ou fazer uma caminhada — isso também é ótimo.

2. Lidando com as interrupções

Provavelmente, todos nós já participamos de uma videoconferência ou uma reunião por vídeo em que uma criança “apareceu de repente”. Nossos leitores perguntaram como lidar com esse tipo de interrupção, que pode ser momentaneamente engraçadinho, mas pode ter impactos de longo prazo.

Vineeta, de Mumbai perguntou: Por causa da pandemia, estou trabalhando em casa com um bebê de um ano cuja alimentação e outras necessidades não podem ser postergadas ou pré-planejadas. Em minha empresa, trabalhar remotamente não era a norma antes da pandemia. Como não ser interpretada como pouco profissional se eu interromper ou adiar uma ligação por uma necessidade urgente do bebê? Seria melhor ser sincera sobre os motivos, ou eu seria considerada uma pessoa em quem não se pode confiar?

Andria, de Centreville, Virginia, também quer saber como lidar com as interrupções: como posso ser produtiva mesmo sendo interrompida e monitorando as crianças constantemente o dia todo? Meu foco está mudando a cada 30 minutos, e está provocando um verdadeiro colapso de atenção. Algum conselho?

Julia Beck: O colapso de atenção que você descreve é bem real, e prejudicial. Todos nós precisamos de tempo para pensar, idealizar e processar. Trabalhar em um espaço que também é escola, lavanderia e restaurante (só para mencionar alguns), é inviável. Minha resposta direta é encontrar um local onde você não pode e não quer ser interrompida. Eliminar todas as variáveis sempre presentes melhora a produtividade e protege sua saúde mental e bem-estar.

Amber Coleman-Mortley: A comunicação com seu supervisor e sua equipe é fundamental. Seja claro sobre suas necessidades e exija clareza em relação a eles, depois passe um tempo desenvolvendo uma estratégia que possa apoiar melhor a todos, e de forma equitativa. Existem pequenas manobras que podem ajudar, como por exemplo, desligar a câmera e o som até ser absolutamente necessário ligá-los?

Leia o manual do funcionário para ver como ele trata das necessidades dos pais. Você está utilizando os serviços e políticas disponíveis? Há espaço para a criatividade em relação a horários de trabalho? Como os outros pais que trabalham estão administrando a vida nesse momento, e é possível criar um grupo de apoio onde você compartilha as melhores práticas, dicas e mecanismos de enfrentamento? Se você não dispuser de um grupo de apoio no trabalho, procure sua indústria no Facebook. Há vários grupos que você pode participar para obter apoio.

Finalmente, pense em como gerenciar a disponibilidade de sua agenda. Bloqueie alguns períodos de cada semana para evitar que reuniões aleatórias sejam marcadas em horários inoportunos.

3. Dividindo a carga em casa.

Eu realmente amo/odeio essa pergunta de um leitor anônimo de Londres, que escreveu sobre as expectativas de gênero de empregadores e colegas em relação a cuidar das crianças: minha esposa desempenha uma atividade muito similar à minha. Na verdade, ela ocupa uma posição mais sênior. Quando estou participando de uma chamada por vídeo e preciso terminar antes, ou acomodar meu horário para cuidar das crianças, me perguntaram várias vezes, “o que sua esposa está fazendo?” ou “sua esposa não pode fazer isso?”

É frustrante ouvir que isso está acontecendo, embora saibamos que as mães assumem a assistência aos filhos durante a maior parte do tempo. O que as pessoas, como esse pai, podem fazer numa situação dessas?

Brad Harrington: Está na hora de os homens enfrentarem preconceitos de gênero ultrapassados como esse. Nossa pesquisa no Center for Work & Families, do Boston College, mostrou que os pais são mais suscetíveis que as mães em atender as ideias organizacionais sobre o que se espera deles no trabalho — sejam elas sinalizadas pelos colegas ou pelas percepções dos homens sobre o que significa comportamento “apropriado” em suas empresas.

Em qualquer caso, os homens precisam avançar e ser aliados sinceros. Converse com seu parceiro para tomar as decisões certas para sua família e exponha suas convicções claramente para seus colegas. Ao fazer isso, você também estará contribuindo para maior igualdade de gênero.

Becky Kennedy: Eu adoro a ideia de Kasia Urbaniak de responder questões inapropriadas com uma pergunta como uma forma de mudar a narrativa e estimular a dinâmica na relação. Eu penso que, para ser verdadeiramente impactante e eficiente, o pai aqui pode dizer algo como, “por que você pensa que minha esposa deveria fazer isso e não eu? ou “o que faz você pensar que eu não participo equitativamente das obrigações em casa?”. Isso realmente funciona porque força o interlocutor a enfrentar seus estereótipos.

4. Demissões e caça talentos

Ouvimos vários leitores que perderam o emprego durante a pandemia. Um deles, Lisa Eisensmith, de Lancaster, Nova York, perguntou: eu fui dispensada de meu emprego em tempo integral no final de julho. Eu tenho dois filhos em idade escolar e eles estão num sistema de aprendizado de meio período presencial e meio período virtual. Enquanto isso, estou procurando um novo emprego. Como abordar a situação em uma entrevista? Se eu conseguir o emprego, como abordar a situação da escola com o novo empregador?

Ouvimos também leitores que estão preocupados com os empregos e as empresas onde trabalham devido às suas responsabilidades de pai/mãe. Um leitor anônimo de Dallas, Texas, escreveu: nós organizamos nossas vidas para que o trabalho sempre tivesse prioridade máxima, mandamos nossos filhos para a escola e providenciamos assistência pós-escola para não interromper nosso dia de trabalho. Agora somos forçados a dividir nossa fidelidade à medida que as demandas de escola online e o trabalho virtual estão mais intensos que nunca. Estou preocupado porque as empresas podem querer priorizar a contratação e promoção de funcionários que não têm filhos e deixar de fora os que têm.

Essas duas questões realmente atingem o ponto central de como a criação dos filhos e o trabalho mudaram tão violentamente, enquanto que as próprias empresas (e suas normas e prioridades) talvez não tenham mudado tanto. Como você administraria esse conflito?

Laila Tarraf: poucas empresas consideram funcionários que são pais menos desejáveis que os não pais. A Covid acabará desaparecendo e eu acredito que a maioria das empresas tem uma visão de prazo mais longo.

Ao ser entrevistada para um emprego, não creio que deva esconder sua situação de maternidade, principalmente se seu trabalho começar sendo remoto. Talvez você possa abordar o assunto com possíveis empregadores perguntando que práticas e protocolos eles adotam atualmente. A maioria das empresas precisou adequar sua forma de trabalhar, portanto, fazer perguntas sobre expectativas e como os atuais funcionários estão conciliando família e trabalho lhe dará uma ideia se a empresa é uma boa opção para você.

Julia Beck: trabalhar — durante a pandemia ou não —, requer foco total e capacidade de ativar a criatividade sem limitação ou ansiedade. O ambiente geral de sua casa pode não ser ideal para você começar a procurar emprego ou participar de uma reunião importante, mas você pode encontrar ou criar momentos quando isso acontecer?

Por exemplo, Peggy, executiva de uma fintech sediada em San Francisco, me revelou que seu ponto de partida para procurar emprego era seu carro estacionado em um local tranquilo no Embarcadero onde ela podia trabalhar duas ou três horas por dia. Quando ela conseguiu um emprego, ela firmou contratos de baixo custo para encontrar o espaço de que precisava longe dos filhos, enquanto ela se estabelecia em sua nova organização (o apartamento vazio de um amigo, por exemplo, ou um Airbnb a bom preço). No final, ela encontrou uma forma de trabalhar no quintal de sua casa.

Muitas pessoas podem se surpreender pela forma como a flexibilidade introduzida pela Covid se tornará norma. Neste contexto, o leitor que escreveu sobre organizar a assistência aos filhos e seu horário de trabalho sem interrupção poderia começar a pensar em como seria organizar a assistência aos filhos e conciliar as necessidades da família. Elas podem pensar que seus gestores e suas empresas estão, na maior parte, entendendo. Afinal, quando os funcionários encontram formas de se comprometer criativamente, os empregadores também se comprometem.

5. O que as crianças estão aprendendo sobre o trabalho

Havia uma linha interessante nas respostas sobre como as crianças estão vivenciando o trabalho neste exato momento.

Eu realmente sofri um impacto com esses dois comentários. O primeiro é de Roxana Contreras, de Lima, Peru: percebi que meu filho (de três anos) está associando “ter de trabalhar” com “momento triste”, mesmo quando eu digo a ele que amo o que faço. Ele só quer brincar, e é difícil para ele entender que mamãe e papai não podem brincar sempre que ele quer.

Derya, de Dubai, fez uma pergunta parecida: minha filha percebe que quando estou trabalhando, estou estressada, infeliz, ansiosa. Constantemente me culpando por não ser capaz de esconder minhas emoções e que eu respondo irritadamente toda vez que ela entra na sala e eu estou numa ligação. Estou preocupada que ela possa associar trabalho a infelicidade ou estresse ou raiva. Como controlar minhas emoções? Estou ensinando a ela que trabalhar é desagradável?

Amber Coleman-Mortley: Para qualquer criança pequena, trabalho ou qualquer atividade que não as envolva parece um obstáculo. Três anos é uma idade difícil para aprender como esperar e respeitar o tempo e o espaço dos outros, mas, no entanto, é possível e importante.

Meu conselho é estabelecer um prazo limite e pedir que seu filho volte a ver como você está ou lhe dê um abraço quando esse prazo terminar. Às vezes, crianças muito pequenas só querem proximidade. Se possível crie espaço para seu filho pequeno trabalhar ao seu lado com um tablet durante um determinado período.

Em relação às emoções negativas associadas ao trabalho, a questão mais importante é: qual é o sentido do trabalho em sua vida e para sua família? Você precisa reconciliar isso antes de conversar com seu filho. À medida que as crianças crescem, devemos conversar sobre esses assuntos e explicar que é com o trabalho que sustentamos nossa família financeiramente. Se você ama o que faz, compartilhe essa alegria com seu filho. Se você não está gostando do trabalho, repense em como você corre atrás das paixões e alegrias da vida em qualquer lugar.

Becky Kennedy: Em vez de ser realmente bom em fazer as coisas certas logo na primeira vez, tenha por meta ser realmente bom em corrigir. Isso significa que em vez de dizer a si mesma, “não vou gritar com meu filho hoje”, diga, “se eu gritar com meu filho hoje, vou me corrigir”. Aqui está um exemplo do que pode ser um bom conserto: “oi, meu amor. Hoje mais cedo eu gritei com você. Você estava certo ao perceber isso e estou certa de que você se sentiu mal. Exatamente como você, às vezes, sente forte emoções, mamãe também as sente e estou tentando manter a calma mesmo quando estou tendo um dia difícil. Eu te amo muito”.

6. Quando a culpa corre solta.

Vários leitores perguntaram como lidar com a culpa. Andrew, de Orlando, Flórida, escreveu sobre a culpa que sente em mandar seu filho para a escola quando ele acredita não ser seguro. Laura, de Alberta, Canadá, escreveu sobre a culpa que sente por saber o que seus filhos estão perdendo durante a pandemia. Outros escreveram sobre sentirem-se pessoalmente culpados ao tomar uma decisão de sair do emprego para administrar as tarefas domésticas.

Várias outras respostas repetiram os sentimentos deste leitor anônimo de Ashburn, Virginia, que escreveu: Há uma sensação constante de culpa nos malabarismos entre ter um emprego exigente em tempo integral e conseguir tempo para cuidar dos filhos, o que finalmente nos faz ser 200% no trabalho e em casa — e isso é extremamente cansativo mentalmente.

Eu sinto muito isso. O que podemos fazer com esses sentimentos de culpa? O que eles significam? É possível não se sentir culpado exatamente neste momento?

Becky Kennedy: É importante ter em mente que quando o mundo muda, precisamos mudar. Bem, na verdade, fazemos uma coisa mais complexa: nós nos adaptamos. A adaptação é o processo pelo qual um organismo consegue se ajustar melhor ao seu ambiente. Se você está tomando decisões diferentes sobre a criação dos filhos das que tomou meses atrás, é um sinal de sua capacidade de se adaptar. É um sinal de força, e ele é necessário para a sobrevivência.

Brad Harrington: Dadas as atuais circunstâncias, culpa é a última coisa que qualquer um de nós deveria estar sentindo. Nossa empresa precisa de nós, mas nossos filhos também e, muitas vezes, suas necessidades são mais urgentes — e, sinceramente, no longo prazo, mais importantes.

Nunca houve uma oportunidade mais importante para mostrar compreensão e empatia por aqueles que estão em situação difícil. Gestores e organizações precisam oferecer condições de trabalho flexíveis sempre que for possível. Isso inclui trabalhar em casa se as crianças não puderem ficar na creche ou na escola. Talvez seja impossível trabalhar de segunda a sexta, das 9 às 17 horas neste exato momento, mas permitir que as pessoas gerenciem seu tempo de formas diferentes pode ajudar muito. Se você for afortunado e tiver um parceiro(a), esses arranjos podem permitir que os cônjuges se alternem durante a semana.

Amber Coleman-Mortley: Certamente frustraremos nossos filhos, haja pandemia ou não. Não importa quanto nosso trabalho exija de nós, nossos filhos ainda podem crescer e sentir que eles deveriam ter recebido mais um abraço, mais um brinquedo ou um sorriso. Essa é a realidade que todos os pais precisam aceitar.

Quando você começa a enfrentar os sentimentos de culpa, pode colocá-los no devido contexto. Explore o que está no cerne da culpa. Se você está tentando criar um mundo onde seu filho não sente dor nem desconforto, boa sorte. Isso é completamente insustentável para você, e predispõe seu filho a expectativas irracionais do mundo e até de seu futuro cônjuge. Se sua culpa estiver ancorada em seu ego ou em como você mede seu valor, comece a explorar seu valor como uma constante do universo que não depende de você ter concluído um trabalho “com sucesso”.

7. Lidando com a incerteza

Uma leitora anônima de Boynton Beach, Flórida, escreveu: meu filho teve Covid em abril. Felizmente ele sobreviveu. Ele cumpriu a quarentena em casa sendo que era só eu que cuidava dele. Sou mãe solteira sem nenhuma estrutura familiar de apoio. Preciso ser forte para meu filho, e serei, custe o que custar, mas quando estou sozinha com meus pensamentos me preocupo com todas as incertezas de nossas vidas. Como lidar com toda essa incerteza? Estou me esforçando, mas tudo depende de mim.

Becky Kennedy: este é um caso contundente para se discutir a ansiedade e a preocupação: a ansiedade surge da compreensão de nossa capacidade de enfrentar algumas incógnitas futuras.

Muitas vezes, tentamos superar a ansiedade enfrentando a incerteza — tentando planejar coisas e prever problemas. Mas como não podemos controlar o futuro, isso não funciona. Uma estratégia melhor é trabalhar nossas capacidades de enfrentamento e nossa estimativa de quanto elas serão eficientes. Na próxima vez que você sentir uma pontada de ansiedade, tente lidar com isso como uma conversa íntima: “eu posso enfrentar coisas difíceis, eu sempre as enfrentei e sempre as enfrentarei” ou “estou em condições de enfrentar isso se acontecer”. Lembre-se de sua resiliência.

Laila Tarraf: Quando percebo que estou entrando na toca do coelho, tento perceber o que está indo bem, e o que há para agradecer, mesmo que seja simplesmente ar puro e um teto sobre minha cabeça.

Se você estiver em um momento da vida no qual não pode conversar consigo mesma sobre ansiedade e não consegue confiar nos amigos ou familiares para ajudá-la, pense em procurar um profissional de saúde mental ou um grupo de apoio.

8. Evitando o ressentimento

Uma leitora anônima de Washington, DC, escreveu: eu me orgulho de ser confiável e responsável — por minha família, meus funcionários e os alunos que minha empresa atende — e capaz de assumir diferentes papéis ao longo do dia. Essa pandemia me forçou a questionar tudo de que me orgulhei.

Não consigo ensinar minha filha de quatro anos a ler enquanto participo de um webinar via Zoom. Não consigo ter uma conversa franca com um fundador se minha filha chora ao fundo. E não consigo manter a dieta prescrita pelo médico para minha família se faço as compras do supermercado online. Mas é isso que a pandemia espera de mim.

Tenho medo de ter um desempenho inferior a 100% no trabalho por temer perder nossa maior fonte de renda e nosso plano de saúde. Por isso, por necessidade, estou permitindo que minha vida familiar, a educação de meus filhos e nossa saúde sejam prejudicados, e pela primeira vez em minha vida adulta, eu me ressinto por ser uma mãe que trabalha.

Amber Coleman-Mortley: Ninguém está pretendendo tirar nota 10, nem ser promovido por ser “uma ótima mãe”. Apenas seja o melhor que você pode ser em um dado momento, que pode mudar ao longo do dia, da semana, do mês. Significa aceitar que “controle” não é mais uma meta da criação dos filhos. A meta deve ser crescer ou simplesmente sobreviver a esse dia.

Aqui estão algumas sugestões:

  • Faça com que qualquer uma das crianças com idade suficiente ajude nas tarefas domésticas. Elas não executarão as tarefas que você delegar com perfeição, mas você terá de aprender a aceitar isso.
  • Tente ser criativo no horário do estudo em casa. Membros da família — primos maiores, tios, tias e avós, ou amigos da família — podem passar 20 ou 30 minutos no Zoom ou no FaceTime lendo para sua filha de quatro anos?
  • Pense em como seus filhos se beneficiam por você ser um pai/mãe que trabalha. O que você pode ensinar a eles sobre amor, paciência e engenhosidade que são necessários para conciliar vida profissional e vida familiar? Exclua mensagens e pessoas negativas de sua vida. As fotos perfeitas postadas no Pinterest ou Instagram estão alimentando seus sentimentos de inadequação ou imperfeição? Você tem o poder de parar de seguir, apertar o botão descartar, e desconectar quando as postagens forem de pessoas ou conteúdos desagradáveis.

Lembre-se que esse período representa somente uma pequena porcentagem de uma longa carreira e da linha de tempo familiar. Sim, ser pais e mães que trabalham é conflitante e imperfeito. Mas também é muito recompensador. 

Laura Amico é editora sênior da Harvard Business Review.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Harvard Business Review – Janeiro de 2021.

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Os insubstituíveis

Ler os clássicos do pensamento pedagógico para entender nas raízes de suas reflexões o que eles imaginaram

Por Célio da Cunha

“É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível” Ítalo Calvino

O cenário das escolas mudou muito nestes primeiros anos do século XXI. A crescente luta pelos direitos humanos e pela universalização da cidadania, somada a oscilações econômicas, sociais e culturais, e acirrada competitividade por mercados, e tudo permeado por notáveis avanços da ciência e de sucessivas inovações tecnológicas, contribuíram para o delineamento de cenários humanos sem precedentes na história.

 Certamente, a escola erigiu-se como um dos palcos que mais sofrem as influências de todas essas mudanças paradigmáticas. Com muita frequência, os gestores e professores ficam perplexos diante de tantas incertezas e desafios que surgem no cotidiano escolar. Precisam mobilizar o melhor de suas energias e de seus conhecimentos pedagógicos, mas nem sempre encontrando caminhos e rumos que atendam às suas próprias expectativas, como também as da sociedade.

O reconhecimento da importância da educação em nosso país pode ser visto pelo longo percurso que crianças e jovens devem percorrer no cenário de complexidades, desigualdades e interrogações em que sonhos e fracassos se revezam e podem deixar marcas no itinerário da vida.

 Com os avanços da ciência da infância, a pedagogia contemporânea passou a considerar fundamental a educação desde os primeiros anos de vida. E até chegar ao final do ensino superior, é quase um quarto de século passado nas escolas. E com o reconhecimento da escola de tempo integral, o tempo de formação se amplia ainda mais. Esse longo percurso coloca em evidência a importância da escola e o que acontece dentro e fora dela.

É certo que a escola por si só não opera milagres. Seria pedir muito.  A escola faz parte de um contexto social e econômico repleto de humanidades e desumanidades. Seu maior e mais nobre objetivo será sempre o de lutar para que a dimensão humana tenha a primazia com a esperança de que essa diretriz possa iluminar os caminhos que serão percorridos durante a existência cada vez mais longeva.

Acredita-se que nesse longo percurso que crianças e adolescentes devem passar nas escolas, o papel de gestores e professores e também da família reveste-se de relevância ímpar e insubstituível. O marco das tendências atuais é de cada vez mais destacar a imprescindibilidade de uma boa formação. Há mais de 100 anos, Durkheim, em sua obra clássica sobre a evolução pedagógica, acentuou a importância de uma cultura pedagógica na formação de professores. Dizia Durkheim que não basta prescrever aos professores com precisão o que terão de fazer. É preciso também que estejam em condições de julgar, de avaliar essas prescrições, de ver sua razão, de ver as necessidades às quais respondem.

Para Durkheim, é necessário que os professores estejam conscientes das questões às quais essas prescrições trazem soluções provisórias. E isso só se consegue por meio de uma cultura pedagógica. Por isso, a importância de ler os clássicos do pensamento pedagógico para entender nas raízes de suas reflexões o que eles imaginaram muito além das prescrições e de receitas e soluções ditadas pelas circunstâncias.

Sócrates -Na linha pedagógica dos tempos, elegemos alguns clássicos em busca de ensinamentos e lições que podem ser úteis em tempos tão desconcertantes como o que estamos vivendo. O primeiro deles é Sócrates, que ensinava em praças públicas e que nos legou a importância pedagógica da pergunta e do diálogo fecundo para lembrar uma expressão usada por um educador esquecido que foi Rafael Grisi.

Por isso, Sócrates foi considerado o inventor do conceito. Empregou-o, observou Hubert (2967), para descobrir os mistérios da natureza. “Assim compreendida, continua Hubert, a educação é coisa inteiramente diferente de uma socialização, da integração de um espírito num sistema de crenças feitas e estranhas a ele, adaptação de uma vontade a um conjunto de hábitos preestabelecidos.

 “O fim supremo da educação: atingir o deus, lugar e fonte de todos os conceitos, virtudes nas almas, beleza em todas as produções da natureza e do homem”. O ideal pedagógico de Sócrates foi muito bem caracterizado na maior das obras clássicas sobre educação – A Paideia, de Werner Jaeger.

Assim, valendo-se da maiêutica de Sócrates, pode o professor, no cenário imaginado e possível, incentivar a criatividade dos alunos e ensejar a revisão de preconceitos, mostrando, por exemplo,  que o conceito de beleza veiculado pela mídia deixa à margem muitas coisas boas e belas, mas que não atendem aos critérios estabelecidos pela mídia. E certamente com esses ensinamentos o processo educativo poderia ser enriquecido de percepções importantes sobre a vida em sociedade.

Todavia, a Paideia grega entraria em declínio como também a pedagogia da pergunta de Sócrates. Em que pesem os esforços da civilização romana de levar a cultura grega para várias partes do mundo, o fato é que durante a Idade Média os “fundadores da racionalidade” ficaram à margem e muitas de suas obras escondidas em mosteiros e abadias. Apesar do esforço de Quintiliano de mostrar que a paixão de aprender depende da vontade, que não pode ser forçada, daí se concluindo que os castigos haveriam de continuar ainda por séculos, impedindo a revelação de talentos e, por conseguinte, da autorrealização humana.

A Paideia grega foi aos poucos deixando os mosteiros e, graças a vários fatores, entre eles, o dos caçadores de livros do século XV, as ideias de Sócrates, Platão e Aristóteles, para citar apenas alguns, começaram a penetrar e iluminar horizontes e novas direções do pensamento.

 Idade da Renascença. E no final do século XVI veio ao mundo um notável pensador que Jean Piaget não se cansava de admirar. Seu nome: John Amós Comenius, que depois de ler intensamente as melhores obras da época, escreve a Didática Magna, a arte de ensinar tudo a todos. E o que tem a ver essa obra de mais de 300 anos com a pedagogia do século XXI?

 Muitas coisas. A título de exemplo, um dos problemas de aprendizagem mais comuns hoje em nossas escolas: alunos que não estão conseguindo aprender.  E, se numa reunião de professores de uma escola, convocada para a elaboração do projeto pedagógico de instituição escolar, Comenius fosse chamado, ele recomendaria:

Deve-se inflamar, de qualquer modo nas crianças, o desejo ardente de saber e de aprender;

O método de ensinar acende-se e favorece-se nas crianças, pelos pais, pelos professores, pela escola, pelas próprias coisas, pelo método e pelas autoridades civis;

Os professores, por sua vez, se forem afáveis e carinhosos, e não afastarem de si os espíritos com qualquer ato de aspereza, mas os atraírem afetuosamente com atitudes e palavras paternais(…) facilmente conseguirão tornar-se senhores de seus corações, de modo que eles sintam até mais prazer em estar na escola que em casa.

Importância do Estado – Observe-se a atualidade pedagógica dos ensinamentos de Comenius e a importância que ele atribui às relações entre mestres e discípulos, como também a atenção que ele dispensa à articulação com a família, a escola, os pais e as autoridades civis. E por que autoridades civis?  Porque Comenius já percebia a importância da responsabilidade do Estado na política educacional, que deveria estar integrada desde a sala de aula com gestores e professores capazes de conquistar os corações de crianças e adolescentes, de modo a tornar a escola prazerosa, com os pais presentes e com o poder público consciente de sua responsabilidade.

Comenius viveu numa época de mudanças paradigmáticas, com o Renascimento, a Reforma e a Contrarreforma e notável impulso da ciência com Descartes, Galileu, Kepler, Newton, entre outros. Essas mudanças continuariam e chegariam ao século XVIII, o século do Iluminismo, das Luzes, fase da história em que a razão humana eleva-se ao status de guia suprema dos rumos pelos quais deveria trilhar a humanidade.

 Diderot, Voltaire, Locke, Smith, Montesquieu, para lembrar alguns dos expoentes do pensamento dessa época, indicam e postulam novos horizontes. Porém, pertenceu também a esse século um dos maiores pensadores da educação de todos os tempos, que lança alguns pressupostos indispensáveis para uma verdadeira educação que transcenda a supremacia da razão. Seu nome: Jean-Jacques Rousseau (1712-1778).

 Se retomarmos o cenário com os professores reunidos para discutir o projeto da escola e uma professora pedir a palavra e advertir que não se poderia pensar o projeto pedagógico sem antes o colegiado discutir o conceito de educação, certamente sua proposta será aceita, seguindo-se várias percepções como: o fim da educação é preparar os jovens para a vida; adquirir o domínio dos conhecimentos necessários ao mundo de hoje; preparar para o mundo do trabalho etc.

E se Rousseau fosse chamado para essa reunião, ele expressaria sua opinião:

Viver é o ofício que quero ensinar-lhe. Ao sair de minhas mãos, concordo que não será nem magistrado, nem soldado, nem padre. Será homem em primeiro lugar; tudo o que o homem deve ser, ele será capaz de ser, se preciso, tão bem como qualquer outro; e ainda que a fortuna o faça mudar de lugar, ele sempre estará no seu;

Tem-se muito trabalho para buscar os melhores métodos de ensinar a ler; inventam-se escrivaninhas, mapas, faz-se do quarto da criança uma oficina gráfica. Locke pretende que a criança aprenda a ler com os dados. Não é uma invenção bem pensada? Que pena. Um meio mais seguro do que tudo isso é aquele que sempre é esquecido: o desejo de aprender. Dai esse desejo à criança, e depois deixai vossas escrivaninhas e vossos dados, pois qualquer método lhe servirá;

De onde provém a fraqueza do homem? Da desigualdade existente entre a sua força e os seus desejos. Nossas paixões tornam-nos fracos, pois para satisfazê-las precisamos de mais forças do que as que a natureza nos deu. Diminui, pois, os desejos, e será como que aumentásseis as forças; quem pode mais do que deseja tem forças de sobra e certamente é um ser muito forte.

 É provável que após terem ouvido Rousseau,  o projeto pedagógico da escola inclua preocupações e alguns objetivos mais próximos da ideia de que a educação, antes de se curvar a circunstâncias que podem ser efêmeras e frágeis, atente para a necessidade de formar pessoas, porque, assim sendo, as crianças e jovens de hoje, qualquer que seja a profissão escolhida, pautarão sua vida por valores da essencialidade humana.

As Luzes do século XVIII, sobretudo as de Rousseau, continuariam nos séculos seguintes a iluminar mentes e experiências. E uma das mais brilhantes foi a de John Dewey (1859-1952) que pensou o processo educativo e a escola com a perspectiva de formar mentes livres e democráticas.

A sua obra magna, Educação e democracia, tornou-se um clássico de leitura indispensável para os educadores de qualquer grau ou modalidade do ensino. Exerceu profunda influência em Anísio Teixeira que com ele estudou na Universidade de Columbia. E se a finalidade da educação é a de formar pessoas, como queria Rousseau, as ideias de Dewey poderiam ajudar a atingir esse objetivo. Assim, além de Sócrates, Comenius e Rousseau, Dewey e também Anísio Teixeira foram “convidados” a fazer parte da reunião dos professores para expor suas ideias sobre como enfrentar as dificuldades de aprendizagem e eventuais insucessos:

Dewey:

Dewey pensou o processo educativo e a escola com a perspectiva de formar mentes livres e democráticas. Como aprender, de fato, honestidade, bondade, tolerância, no regime de “deveres” marcados para o dia seguinte? Só uma situação real da vida, em que se tenha de exercer determinado traço do caráter, pode levar à sua prática e, portanto, à sua aprendizagem. Daí ser necessário que a escola ofereça um meio social vivo, cujas situações sejam tão reais quanto as de fora da escola.

Anísio:

Deve-se partir para a vida como para uma aventura. Se se tivesse de aconselhar uma atitude única, aconselharíamos a atitude esportiva. Cada um dos momentos da vida é um jogo com o futuro. Quanto mais armado para a luta, melhor. Vitória e derrota, todas têm, porém, a sua parte do prazer. Mais do que isso. O verdadeiro prazer está na luta. Se bem-sucedida, a luta de amanhã será mais interessante. Se a sorte não for favorável, a experiência valeu os momentos vividos, ensinou coisas novas e a expectativa de melhor êxito estará sempre acesa no coração dos homens

Veja-se como as reflexões de ambos os pensadores se complementam e podem dar uma direção mais segura ao processo educativo.

Dewey e Anísio marcaram profundamente o pensamento pedagógico brasileiro. Suas ideias e ensinamentos estão vivos e atuais e somam-se aos esforços para fazer da escola uma instância de aprendizagens, alegrias e permanente ressignificação das experiências de vida.

 Suas ideias foram aos poucos se incorporando nos discursos e até nas práticas como nas escolas-parques de Brasilia ou nos Cieps do Rio de Janeiro. Na década de 1960, outros clássicos da educação entraram na luta, sendo o principal deles o educador pernambucano e hoje patrono da educação nacional – Paulo Freire.  Suas reflexões sobre o contexto de abandono e esquecimento dos segmentos mais vulneráveis do Nordeste e do Brasil contribuíram para a proposta de uma pedagogia dos oprimidos. Suas ideias percorreram o mundo e elevaram-se à condição de prioritárias para pensar e planejar a educação não apenas do Brasil, mas de vários países. Assim, a sua presença na “reunião” dos professores que a essa altura estava discutindo o desafio da gestão e da participação democrática torna-se imprescindível:

(…) a necessidade inadiável que tem o nosso processo educativo de estabelecer relações de organicidade com esta atualidade para que, só assim , possa assumir a posição de instrumentalidade em dois planos: o da preparação técnica de nosso homem, com que se inserirá aptamente no desenvolvimento econômico do país; e o da criação de disposições mentais democráticas, críticas e permeáveis, com o que se situará legitimamente no crescente surto de democratização cultural e política, uma das manifestações do nosso “hoje”;

Todos os analistas de nossa formação histórico-cultural têm insistido na nossa ‘inexperiência democrática”, na ausência, no tipo de formação que tivemos, daquelas condições necessárias à criação de uma consciência participante que nos tivesse levado à feitura da nossa sociedade com ‘nossas próprias mãos”, o que caracteriza, para Tocqueville, a essência da própria democracia.

Provavelmente as palavras de Paulo Freire tenham sido relevantes para colocar em pauta o papel da escola para superar o déficit de democratização acumulado durante séculos de colonização, sobressaindo, dessa forma, a necessidade de formar mentes abertas, críticas, participantes, como as que foram possíveis na construção da maior democracia do Ocidente, a dos Estados Unidos, tão bem caracterizada por  outro clássico da ciência política, que foi Alexis de Tocqueville.

A “reunião” prosseguiu com os professores aprofundando suas reflexões sobre como deveria ser elaborado o projeto da escola para o início do semestre. Neste momento, o diretor da escola convida para emitir suas opiniões dois dos maiores pensadores modernos da educação, Jean Piaget e Vigotsky. A eles são dadas as palavras:

Piaget:

Podemos agora compreender o que são os mecanismos funcionais comuns a todos os estágios. Pode-se dizer de maneira geral (não comparando somente cada estágio ao seguinte, mas cada conduta, no interior de qualquer estágio à conduta seguinte) que toda ação – isto é, todo movimento, pensamento ou sentimento – corresponde a uma necessidade. A criança, como o adulto, só executa alguma ação exterior, ou mesmo inteiramente interior, impulsionada por um motivo e este se traduz sempre sob a forma de uma necessidade (uma necessidade elementar ou um interesse, uma pergunta etc,). Ora, se como já bem mostrou Claparède, uma necessidade é sempre a manifestação de um desequilíbrio

VIGOTSKY:

Quando a criança passa a essa variedade de pensamento já superou até certo ponto o seu egocentrismo. Já não confunde as relações entre as suas próprias impressões com as relações entre os objetos – um passo decisivo para se afastar do sincretismo – e caminha em direção à conquista do pensamento objetivo. O pensamento por complexos já constitui um pensamento coerente e objetivo.

Tanto Piaget quanto Vigotsky examinaram em profundidade e experimentalmente a evolução do pensamento da criança, com subsídios fundamentais para a condução e melhoria do processo educativo.  A leitura de suas obras indica que, do ponto de vista pedagógico, a compreensão da evolução da criança e do adolescente, por diversas fases e de lógicas do pensamento em cada etapa, é imprescindível com vistas a uma perspectiva de desenvolvimento integral de crianças e jovens. Indicam que os alunos devem estar na centralidade do projeto pedagógico; e mostram ainda que o ofício docente está entre os mais complexos e, contraditoriamente, um dos mais degradados como salientou recentemente Maurice Tardif, um dos mais eméritos estudiosos da profissão docente.

Por último, aproveitando a oportunidade da crise sanitária mundial, com efeitos desastrosos não somente na economia, mas, sobretudo, nos segmentos mais desfavoráveis, colocando à vista o enorme desafio das “múltiplas desigualdades” para lembrar o título de um livro de François Dubet. Como atesta o histórico protesto nos Estados Unidos contra mais uma barbárie cometida, creio ser oportuno incluir Darcy Ribeiro entre os clássicos. E caso fosse ele também convocado para a reunião dos professores, diria:

Nós brasileiros, nesse quadro, somos um povo em ser, impedido de sê-lo. Um povo mestiço na carne e no espírito, já que aqui a mestiçagem jamais foi crime ou pecado. Nela fomos feitos e continuamos nos fazendo. Essa massa de nativos oriundos da mestiçagem viveu por séculos sem consciência de si, afundada na ninguendade. Assim foi até se definir como uma nova identidade étnico-nacional, a de brasileiros.  Um povo até hoje, em ser, na dura busca de seu destino.

E qual o sentido pedagógico desse excerto de O povo brasileiro de Darcy Ribeiro, com profundas implicações no projeto pedagógico de uma escola? A Lei Áurea precisa ser regulamentada de modo a completar a abolição da escravatura, cabendo à escola fazer a sua parte.

Célio da Cunha

Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Católica de Brasília; antes: Assessor Especial da Unesco no Brasil, Professor da FE-UNB e Superintendente de Ciências Humanas e Sociais do CNPq

Obras pesquisadas para a produção desta matéria:

• CALVINO, Ítalo. Por que ler os clássicos? S.Paulo: Companhia das Letras, 1993
• DEWEY, JOHN. A escola e a reconstrução da experiência. In:
• WESTBROOK, R.B. John Dewey. Coleção Educadores. Recife: Fundaj,2010
• FREIRE, Paulo. Educação: atualidade brasileira. S.Paulo: Cortez Editora-IPF, 2001
• HUBERT, René. História da pedagogia. 2ª. ed. S.Paulo: Editora Nacional, 1967
• JAEGER, Werner. Paideia. S.Paulo: Martins Editora, 1979
• PIAGET, Jean. Seis estudos. Rio: Forense, 1967
• ROUSSEAU, Jean-Jacques. Emílio ou da educação. 3ª.ed. S.Paulo: Martins, 2004
• TEIXEIRA, Anísio. Pequena introdução à filosofia da educação. Rio: Editora UFRJ, 2007
• VIGOTSKY, Lev Semionovich. Textos selecionados por Edgar Pereira Coelho. In: VIGOTSKY, L.S. Coleção Educadores. Recife: Fundaj, 2010


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Junho/Julho de 2020.

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Para identificar os riscos com antecedência, invista em análise de dados

Ajude a fazer as perguntas certas e aprender mais rápido.

Por Cassie Kozyrkov

Provavelmente você já ouviu líderes empresariais justificarem sua paralisia numa crise alegando que toda organização voa às cegas em tempos de profunda incerteza. Mas, na verdade, alguns líderes sabem exatamente para onde vão. Eles sabem o que é preciso para traçar um caminho para atravessar a turbulência do mercado, e criaram organizações com grande consciência situacional.

Quando se trata de desenvolver a capacidade de descobrir que rumo as coisas estão tomando e responder agilmente a um ambiente em mudanças, nada é mais importante que a análise de dados. Infelizmente, nos últimos anos, analytics (também conhecida como mineração de dados ou inteligência empresarial) tornou-se o enteado malquisto das ciências de dados, ofuscado pelo aprendizado de máquina e pela estatística. Essas duas disciplinas posicionam a sofisticação matemática sobre uma base de intuição humana, criando uma ilusão sedutora de objetividade e uma orientação ágil. Ironicamente, das três, a análise de dados é a competência essencial para navegar durante as crises.

As soluções que se baseiam em IA e em aprendizado de máquina seguem em sintonia durante tempos estáveis, mas desaparecem quando o desastre assoma. Essas tecnologias automatizam as tarefas extraindo padrões dos dados e transformando-os em instruções. Esses modelos podem se tornar rapidamente obsoletos quando os inputs do sistema mudam. A análise de dados, no entanto, alerta quando as regras do jogo estão mudando. Sem esse tipo de alerta, as soluções de automação podem se degradar em instantes, deixando você exposto a choques exógenos.

Na crise, a estatística tem uma desvantagem. Os estatísticos ajudam os tomadores de decisão a obter respostas rigorosas. Mas, e se eles estiverem fazendo as perguntas erradas? Embora habilidades estatísticas sejam necessárias para testar hipóteses, os analistas têm a perspicácia de apresentar desde o início as hipóteses certas. Para utilizar a estatística sem a análise de dados, você precisaria ter confiança absoluta em suas suposições — o tipo de confiança que é temerária quando a crise lhe puxa o tapete.

Os analistas prosperam na ambiguidade. Seu talento é a exploração, que os torna particularmente bons em prever e responder a crises. Buscando informação crítica em fontes de dados internas e externas, os analistas têm uma indicação do que está acontecendo. Eles podem perscrutar o horizonte em busca de tendências e formular questões sobre o que está por trás delas. Sua função é inspirar executivos com possibilidades instigantes, mas qualificadas. Uma vez que as hipóteses de mais alta prioridade foram pré-selecionadas pelos líderes, então está na hora de chamar um estatístico para submetê-las a um teste de pressão e separar os verdadeiros insights das pistas falsas.

Em tempos favoráveis, grandes organizações desenvolvem competências de análise de dados para fortalecer sua capacidade de inovação. A habilidade dos analistas de encontrar pistas em itens como mudança de gostos do cliente pode ajudar as empresas a aproveitar oportunidades antes que concorrentes menos espertos o façam. No entanto, quando as coisas se complicam, o que parecia ser um propulsor de uma inovação inestimável se transforma em rede de proteção indispensável. Certamente, alguns eventos são impossíveis de prever — os verdadeiros cisnes negros —, mas lidar com as consequências requer olhos bem abertos.

Infelizmente, é muito difícil improvisar um departamento de análise de dados consistente em cima da hora. As habilidades técnicas que permitem que os analistas digiram os dados na velocidade da luz simplesmente aumentam o volume de informações que eles encontram. Para localizar uma preciosidade nos dados é preciso algo mais. Sem conhecimento da área, visão empresarial e fina intuição do valor prático das descobertas — bem como de habilidade de comunicação para transmiti-las eficientemente aos tomadores de decisão —, os analistas precisam se esforçar muito para serem úteis. Leva tempo para eles aprenderem a julgar o que é importante além do que é interessante. Não espere que eles sejam a solução mágica da sua crise. Veja-os como investimento para quando você mais necessitar de agilidade.

Também leva tempo para ter acesso a fontes de dados promissoras de que os analistas precisam. Idealmente, os gestores não esperam por uma grande disrupção para criar vínculos com vendedores de dados, parceiros industriais e especialistas em coleta de dados. Tenha em mente que, diante de um choque extremo, suas fontes de dados históricas podem tornar-se obsoletas. Se sua compreensão do passado não consegue lhe oferecer uma visão prática do mundo de amanhã — talvez porque a pandemia tenha mudado tudo —, pouco importa se sua informação foi boa ontem. Você precisa de nova informação. Depois do desastre financeiro de 2008, por exemplo, os bancos do mundo todo reconheceram que deveria haver uma vantagem em analisar sinais não tradicionais da capacidade de endividamento, como dados de cartões de fidelidade de supermercados, mas nem todos os atores estavam igualmente posicionados para acessá-los.

Além disso, seus estoques de dados internos podem precisar de processamento especial antes de os analistas poderem minerá-los, por isso vale a pena pensar em contratar engenheiros de suporte de dados. Se a análise de dados é a disciplina que os torna úteis, então a engenharia de dados é a disciplina que os torna utilizáveis. Ela fornece a infraestrutura dos bastidores que compatibiliza relatórios de máquinas e de bancos de dados gigantescos com os kits de ferramenta da análise de dados.

Quando eu comecei a explicar a importância da análise dados nas conferências, eu acreditava que convencer a plateia de seu valor era a parte mais fácil. O clima mudou quando eu expliquei a pegadinha: análise de dados é investimento de tempo. Não queira encontrar algo útil em cada incursão a um conjunto de dados. Para ser bem-sucedida na exploração, sua organização precisa de uma cultura de análise de dados descomprometida. Como líder, você é responsável por determinar o escopo (que fontes de dados devem ser analisadas) e o prazo (“você tem duas semanas para explorar esta base de dados”). Depois você precisa garantir que os analistas não serão punidos se voltarem de mãos vazias.

Quando os líderes empresariais entendem que a análise de dados representa um investimento que pode não trazer vantagens imediatas, eu chego ao próximo obstáculo: a percepção de que somente uma organização grande e tecnologicamente sofisticada, como a Alphabet, tem condições de pagar por ela. Isso é um absurdo. Minha experiência mostra que a probabilidade de as analíticas prosperarem é maior em startups que em gigantes consolidadas.

As startups investem naturalmente em análise de dados enquanto tentam navegar em um novo mercado, e vários generalistas assumem uma parte do trabalho exploratório. Então, à medida que a startup cresce, a cultura muda. Os funcionários são menos confiáveis e se tornam mais responsáveis pelo retorno de seus esforços, e uma gestão demasiado zelosa sufoca oportunidades de crescimento da análise de dados. Os analistas contratados nessa cultura raramente chegam a curtir a parte mais interessante de seu trabalho — exploração; em vez disso, atuam como motores de busca humanos e zeladores de painéis de instrumentos. Muitos desistem pela frustração de ver seu potencial desperdiçado.

Criar uma cultura onde a análise de dados possa crescer requer liderança forte. À medida que as organizações crescem, somente as mais visionárias terão coragem de promover um verdadeiro departamento de análise de dados e garantir que os líderes empresariais possam acessá-lo e ser influenciados por ele. As indústrias que mais sofreram com uma crise anterior — o setor bancário é um bom exemplo — são as que terão maior probabilidade de investir em análise de dados e aplicá-la à gestão de risco.

Tornar-se líder em analytics requer comprometimento para confiar em seus analistas e dar-lhes espaço para fazer seu trabalho. Afinal, o trabalho deles será de revelar ameaças que você nem pensou que poderiam estar no seu radar. Esse tipo de trabalho não pode ser gerenciado com cronômetro e checklist.

Crises como uma pandemia — quando ninguém sabe as respostas, e a incerteza é grande — nos lembram de como é importante fazer as perguntas certas. A análise de dados dá às empresas uma vantagem de aprendizado e adaptação. Quando o mundo de repente vira de cabeça para baixo, os que aprendem mais rápido têm melhores chances de ser bem-sucedidos. Empresas inteligentes investirão em análise de dados hoje para estar na dianteira do que quer que o amanhã lhes reserve.


Cassie Kozyrkov é cientista chefe de decisão da Google.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Harvard Business Review – Julho de 2020.

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A escola intermitente

O currículo terá de ser simplificado ou adaptado para garantir a continuidade pedagógica de muitos alunos, tornando a escola mais flexível e, portanto, mais adaptável

A evolução da pandemia nas diferentes sociedades está testando a resistência de toda a população em múltiplos aspectos: econômicos, trabalhistas, psicológicos, sociais e de saúde, entre outros. Alguns setores tiveram de enfrentá-la com maior proximidade e risco para evitar contágio. Mesmo alguns deles, como a saúde, epicentro da intervenção preventiva e paliativa, sentiram o esgotamento e os efeitos do estresse ao extremo do desequilíbrio. Como não poderia deixar de ser, o mundo educacional também respondeu. E se a princípio administrou o confinamento escolar com incertezas, a distância e tendo de responder rapidamente às mudanças e à demanda, então teve tempo para refletir, ler e organizar as necessidades que surgiram e os efeitos medidos, de forma a ajustar uma resposta mais estruturada, segura e coerente na nova escola que queremos ou que possamos ter.

Com efeito, pensamos que a nova escola deve ser face a face, para que possa ser uma escola. Uma tela não é uma escola, o que não diminui nem um pouco a necessidade de digitalização. Mas a mensagem implícita desta pandemia, de que as outras pessoas com quem interagimos são uma possível ameaça à nossa própria saúde, é uma mensagem devastadora para a convivência face a face, especialmente para a escola, onde os professores sabem que é impossível (difícil?) manter as medidas de segurança o tempo todo (grupos, salas de aula, corredores, recessos, refeitórios, transporte, …) com as relações professor/aluno, vagas disponíveis e disponibilidade atual de professores. Na Espanha, muitas equipes de gestão escolar afirmam que não poderão garantir as orientações que as administrações públicas assinalaram como adequadas para o regresso às aulas. Isso nos desenha uma paisagem de presença, confinamento ou semipresença que nos faz ver uma escola intermitente.

A nova escola deve curar muitas feridas e lacunas causadas pela evolução desta pandemia em nossos alunos e professores. Terá de compensar mais e melhor as desigualdades tecnológicas dos menores e seus ambientes para garantir oportunidades para todos. O currículo terá de ser simplificado ou adaptado para garantir a continuidade pedagógica de muitos alunos e o progressivo avanço dos mesmos, tornando a escola mais adaptada e, portanto, mais adaptável. Deve ser um espaço ativo de colaboração com as famílias também para facilitar e possibilitar níveis de alimentação, proteção, vínculo, apoio e acompanhamento, principalmente entre os mais vulneráveis. Será necessário fortalecer redes de apoio (estruturas e equipes) dentro das escolas de adultos e menores que ajudem a enfrentar os problemas de ansiedade, depressão, solidão, medo, estresse ou desconexão (saúde mental) já ocorridos. E que vão acontecer nesta nova escola, às vezes presencialmente e a distância. Isso exigirá ser capaz de preencher algumas lacunas afetivas e emocionais promovendo uma pedagogia de cuidado e apoio. E essa mentoria deve ser estendida também aos acadêmicos, ajudando a organizar os horários de trabalho e estudo e promovendo o trabalho colaborativo e o networking.

Sem dúvida, será uma escola que terá de se tornar mais versátil e adaptada à realidade de uma sociedade cada vez mais líquida e com uma evolução mais incerta, com desafios como sustentabilidade, decrescimento, independência de pensamento ou não discriminação.

Esta nova escola é também desafiada por outra das mensagens implícitas que esta pandemia deixa para toda a sociedade. É a interdependência pessoal e intergeracional que nos torna todos participantes numa jornada comum interligada que devemos partilhar com respeito, na qual o sentido de nossas ações acaba impactando o bem-estar alheio, por meio de uma cadeia de causa-consequências. Isso faz com que seja necessário implantar ainda mais na escola o trabalho de convivência escolar e valores morais, e a construção explícita e intencional no currículo dos jovens de conquistas como a empatia, a solidariedade ou o respeito aos direitos dos outros. Debater a independência pessoal dos direitos individuais versus a interdependência coletiva dos deveres. Ou seja, até que ponto presumo mudar individualmente para tornar o coletivo mais sustentável, possível e saudável. Uma formação necessária para a convivência democrática, sem dúvida, ainda pendente.

E devemos continuar a fazer tudo isso com nossos alunos em nossas escolas quando voltarmos. Portanto, vamos montar um plano coerente que capture essas ideias. Vamos organizar o reencontro, para fazer uma catarse na experiência, para expressar e compartilhar coletivamente que estamos juntos fisicamente novamente, reiterando nosso desejo de mudança e consciência da interdependência. Esse projeto será inevitável nas escolas. Isso significa transferir o eixo da programação para as competências educacionais, nas possibilidades dos alunos de enfrentá-las e em sua funcionalidade formativa. Dando a eles a palavra em uma escola da qual eles gostam e à qual pertencem. Levar os alunos a pensar e ensiná-los a fazê-lo, de forma crítica, traçando acordos que lhes permitam viver em paz, sem discriminação ou violência e respeitando as diferenças. Esse será o aprendizado que esta nova escola necessária lhes trará, assegurando-lhes independência de pensamento como forma de viver de forma positiva. Valores democráticos, enfim, da sociedade de que precisamos e que ainda não temos.

José Maria Avilés Martínez é doutor em Psicologia e professor da Universidade de Valladolid, na Espanha. Referência global em pesquisas sobre bullying e cyberbullying.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Setembro de 2020.

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Construção de uma etapa significativa

Em 3 de agosto, o Estado de São Paulo anunciou a homologação do currículo do novo ensino médio, o primeiro do país. Os itinerários formativos oferecem 12 opções de cursos estruturados em 1.350 horas. Somando com a formação básica, o currículo paulista tem 3.150 horas. A previsão é que algumas escolas estaduais implantem o novo modelo para seus alunos do 1º ano em 2021.

A nova lei, que inclui a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do ensino médio, foi homologada em 2018 pelo então ministro da Educação e hoje secretário estadual de Educação de São Paulo, Rossieli Soares. O secretário também coordena a Frente Nacional de Currículo e Novo Ensino Médio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed). Confira, a seguir, a entrevista exclusiva com o secretário.

Qual o papel do senhor no Consed em relação ao novo ensino médio e como o conselho está apoiando para a reforma acontecer?

Atualmente, lidero a Frente Currículo e Novo Ensino Médio, uma das frentes de trabalho do Consed que tem como objetivo apoiar a elaboração dos novos currículos e a implementação do novo ensino médio. Desde 2012, o Consed tem um GT voltado ao ensino médio, o qual foi responsável por debates, seminários e coleta de evidências que culminaram na atual reforma. A frente, após a aprovação da lei e da BNCC, atua com formação aos técnicos das secretarias estaduais (coordenadores, equipe de currículo, entre outros) e apoio à gestão. Promovemos quatro encontros formativos presenciais e dois a distância, atingindo mais de 1.300 pessoas. Realizamos um acompanhamento nacional das ações, reuniões com as equipes técnicas para apoiar as equipes locais no processo de implementação e engajamos o grupo de secretários/as para a troca de experiências a fim de garantir um ensino médio voltado aos interesses e protagonismo dos jovens brasileiros.

Quais os principais desafios para o novo ensino médio ser implantado nas escolas brasileiras?

Dentre os desafios, a ampliação da carga horária para 1.000 horas/anuais, a adequação das avaliações como o Enem e dos livros didáticos e, principalmente, a garantia da flexibilização curricular. Implementar um ensino médio que dialogue com a realidade da juventude e se adapte às necessidades dos estudantes é diferente do que temos hoje. Enquanto a taxa de abandono nos anos iniciais é de 0.7% e nos anos finais 2.4%, no ensino médio isso sobe para 6.1%, ou seja, precisamos tornar a etapa significativa e relevante aos jovens. As redes precisam elaborar novos currículos, formar os professores, rever os materiais e repensar a arquitetura, de modo a garantir o desenvolvimento do projeto de vida dos alunos, integração curricular por área do conhecimento e opções de itinerários formativos, que permitirão aos alunos a escolha com as quais mais se identificam e a possibilidade da formação profissional. Apesar dos desafios, a mudança é necessária e urgente.

O aumento da carga horária implica um maior investimento no salário dos professores ou novos contratos. Já há um investimento maior pensando nisso? De onde virá o financiamento para a implantação da reforma?

Primeiro, a rede precisa realizar um bom diagnóstico das suas condições de oferta para verificar quais as possibilidades de rearranjo e alocação de professores para a implementação do novo ensino médio. Depois, estudar a arquitetura da implementação, pensar os cenários, firmar parcerias, entre outros. Em alguns casos, pode haver a necessidade de contratar mais professores; uma possível solução é criar um modelo em que o jovem poderá fazer parte da carga horária comum em uma escola e parte flexível, 1.200h, em outra. Isso tem capacidade de otimizar a oferta na rede e o investimento já alocado.

Em relação a desenvolver habilidades e competências e sair do foco apenas de conteúdo e, mais ainda, do professor se tornar um mediador, esse educador já formado precisa de uma formação continuada. Sabe como isso ocorrerá? De que forma o Estado de São Paulo já vem apoiando ou pretende apoiar os educadores e como está esse debate em nível nacional?

Isso precisa ocorrer. Recentemente tivemos a divulgação do Ideb 2019 e, apesar do avanço de 0.4, saindo de 3.8 em 2017 para 4.2 em 2019, o país ainda está distante da meta projetada de 5 pontos. Em âmbito nacional, por meio da Frente Currículo e Novo Ensino Médio do Consed que lidero, estamos apoiando as secretarias estaduais por meio de formações e apoio técnico para que criem bons planos de formação de professores para a implementação dos novos currículos.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Outubro de 2020.

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O futuro de nosso trabalho remoto

As melhores práticas para organizações totalmente remotas

Antes de 2020, havia um movimento fermentando nas organizações do ramo do conhecimento. A tecnologia pessoal e a conectividade digital avançaram tanto e tão rápido que as pessoas começaram a se perguntar se de fato precisavam trabalhar juntas num escritório. A resposta veio durante os lockdowns da pandemia. A grande maioria de nós, na verdade, não precisa trabalhar lado a lado com os colegas no mesmo local. Funcionários, equipes, forças de trabalho inteiras podem ter bom desempenho e ao mesmo tempo estar completamente espalhados — e estão. Por isso, agora as perguntas são outras: organizações total ou majoritariamente remotas são o futuro do trabalho do conhecimento? O trabalho remoto (Work-from-anywhere ou WFA, na sigla em inglês) veio para ficar?

Sem dúvida, o modelo oferece benefícios notáveis para as empresas e funcionários. Elas reduzem ou eliminam custos de instalações, contratam e aproveitam talentos globalmente mitigando as questões de imigração e, como mostra a pesquisa, talvez até aumentem a produtividade. Os empregados podem morar onde quiserem, eliminar os trajetos diários de ida e volta e desfrutar de melhor equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal. No entanto, restam dúvidas de como o WFA afeta as comunicações, incluindo brainstorming e resolução de problemas; compartilhamento de conhecimento, socialização, camaradagem e tutoria; remuneração e avaliação de desempenho; segurança de dados e regulamentação.

Para melhor entender como os líderes podem aproveitar o lado positivo do WFA e, ao mesmo tempo, superar os desafios e evitar resultados negativos, analisei várias empresas que adotaram total ou majoritariamente a modalidade remota de trabalho. Algumas delas: o Escritório de Patentes e Marcas dos Estados Unidos, ou USPTO (com várias centenas de funcionários WTA); Tulsa Remote; Tata Consultancy Services, ou TCS (empresa global de serviços de TI que anunciou seu plano de em 2025 ter 75% de suas atividades remotas); GitLab (maior empresa mundial completamente remota, com 1,3 mil funcionários); Zapier (empresa de automatização de fluxo de trabalho, com mais de 300 funcionários, nos Estados Unidos e em 23 outros países; e a MobSquad (startup canadense que emprega funcionários WFA).

A crise da covid-19 abriu a mente de líderes seniores à ideia de adotar o WFA para toda a sua força de trabalho ou parte dela. Além da TCS, que inclui Twitter, Facebook, Shopify e Siemens, e o Banco Estatal da Índia anunciaram que o trabalho remoto continuará permanente mesmo depois que a vacina estiver disponível. Outra organização que estudei é a BRAC, uma das maiores ONGs do mundo com sede em Bangladesh. Obrigada a trabalhar remotamente este ano, ela está decidindo o modelo de trabalho que vai adotar no longo prazo.

Se sua organização está pensando num num programa de transição ou na adoção do WFA, este artigo pode fornecer um guia.

BREVE HISTÓRIA DO TRABALHO REMOTO

Indiscutivelmente, a transição em grande escala do trabalho tradicional para o trabalho remoto começou com a adoção de políticas de home-office (Work-from-home ou WFH, na sigla em inglês) na década de 1970, quando o aumento do preço da gasolina, provocado pelo embargo do petróleo pela OPEP em 1973, aumentou o custo do deslocamento de casa para o trabalho e vice versa. Essas políticas permitiram que as pessoas evitassem os escritórios físicos preferindo trabalhar em casa, em espaços compartilhados, ou em outros locais como cafeterias e bibliotecas públicas, esporadicamente ou em regime parcial ou integral, com a expectativa de apresentar-se pessoalmente na empresa de tempos em tempos. Os funcionários tinham a opção controlar sua agenda diária, reservando tempo de buscar os filhos na escola, fazer compras ou praticar exercícios durante o dia sem precisar “dar uma escapada” do escritório. Eles gastam menos tempo no deslocamento de casa para o trabalho e, em geral, solicitam menos licenças médicas.

Graças ao advento dos computadores pessoais, da internet, emails, conectividade de banda larga, laptops, celulares, computação em nuvem e videotelefonia, a adoção do WFH aumentou na década de 2000. Como observaram os pesquisadores Ravi S. Gajendran e David A. Harrison em um artigo de 2007, esta tendência foi acelerada pela necessidade de atender, por exemplo, à Lei de Deficientes Americanos de 1990, e às exigências da Comissão de Oportunidades Iguais de Emprego dos EUA.

As pesquisas mostram melhorias de desempenho. Um estudo de 2015 realizado por Nicholas Bloom e coautores revelou que quando os funcionários aderiram às políticas do WFH, sua produtividade aumentou 13%. Nove meses depois, quando os mesmos empregados tiveram a opção de escolher entre permanecer em casa e voltar ao escritório, os que escolheram a primeira opção mostraram melhor desempenho: sua produtividade tinha aumentado 22% em relação ao período anterior ao estudo. Isso sugere que talvez as pessoas devessem decidir por si mesmas a modalidade de trabalho (casa ou escritório) mais conveniente para elas.

Nos últimos anos, mais e mais empresas permitiram que seus funcionários trabalhassem em casa. É verdade que várias corporações, como a Yahoo e IBM, inverteram esse curso antes da pandemia, solicitando que seus funcionários reassumissem o trabalho presencial na tentativa de estimular mais eficiência na colaboração. Mas algumas organizações, como as que eu analisei, preferiram adotar a flexibilidade de regime, permitindo que alguns ou todos os funcionários, novos e mais antigos, trabalhassem onde quisessem, completamente desvinculados do escritório. A USPTO é excelente exemplo. Seus líderes lançaram o programa WFA em 2012, baseado num programa de WFA da época que obrigava os funcionários a estar presentes fisicamente no escritório central, no norte da Virgínia, pelo menos uma vez por semana. O programa WFA, por outro lado, exigia que os funcionários passassem dois anos na sede da empresa, e depois de uma fase de WFH eles podiam viver em qualquer parte dos Estados Unidos continental desde que concordassem em pagar do próprio bolso as viagens periódicas à sede (ida e volta), totalizando mais de 12 dias por ano. Os analistas de patentes do programa dispersaram-se pelo país, escolhendo viver perto da família, em locais de clima agradável ou de menor custo de vida.

A maioria das empresas que oferece opções de WFH ou WFA mantém alguns funcionários — na USPTO, trainees e administrativos — em um ou mais escritórios. Em outras palavras, as atividades são híbrido-remotas. Mas a experiência de ter todos trabalhando remotamente, forçada pela covid-19, fez com que algumas dessas organizações mudassem estrategicamente para majoritariamente remota, com menos de 50% de sua mão de obra em escritórios físicos. A TCS, por exemplo, com quase 418 mil funcionários, tradicionalmente alocada em escritórios ou nas empresas do cliente pelo mundo todo, decidiu adotar o modelo 25/25: o pessoal passaria apenas 25% do horário comercial no escritório, e de forma alguma a companhia teria mais de 25% de empregados em suas instalações. A TCS planeja completar essa transição em cinco anos.

Mesmo antes da crise, um pequeno grupo de empresas havia adotado essa tendência de forma mais drástica, eliminando todos os escritórios e dispersando todo seu pessoal, desde os recém-admitidos até o CEO. A GitLab adota esse modelo em grande escala: seus funcionários remotos abrangem vendas, engenharia, marketing, gestão pessoal e funções executivas em mais de 60 países.

AS VANTAGENS

Passei os últimos cinco anos estudando práticas e tendências de produtividade de empresas WFA. Os aspectos positivos — para pessoas, empresas e sociedade — são claros. A seguir destaco os seguintes:

Para as pessoas. Foi impressionante descobrir como os funcionários são extremamente beneficiados com esses modelos. Muitos relataram que, para eles, a liberdade de viver em qualquer lugar no mundo era um incentivo importante, particularmente casais com duas carreiras separadas, pois esta dinâmica reduz a preocupação de procurar dois empregos em um único local. Um analista de patentes explicou: “Eu sou casada com um militar, o que significa que vivo num mundo com mudanças frequentes e em constante agitação. Isso impede que muitos cônjuges sigam cada um sua própria carreira por escolha pessoal. O WFA foi o programa de teletrabalho mais interessante que encontrei. Ele me permite acompanhar meu marido para qualquer estado dos EUA de uma hora para outra e seguir minhas próprias aspirações, contribuindo assim para o meu lar e para a sociedade”.

Alguns funcionários mencionaram melhor qualidade de vida. Um funcionário da USPTO explicou: “O WFA permitiu que meus filhos visitassem seus avós regularmente e brincassem com seus primos. Estar mais perto da família melhorou minha felicidade geral”. Outros mencionaram a proximidade com assistência médica para os filhos, acomodação para o companheiro e a possibilidade de aproveitar condições climáticas amenas, paisagens bonitas e mais opções de lazer. Os millennials, em particular, ficaram seduzidos pela ideia de que o WFA lhes permitiria viver na condição de “nômades digitais”: poderiam viajar pelo mundo sem perder o emprego. Antes das restrições causadas pela pandemia, empresas como a Remote Year já se preocupavam em facilitar esse estilo de vida. Alguns países como Estônia e Barbados criaram nova categoria de visto de trabalho para esses trabalhadores. Como comentou um analista de patentes, “o WFA é extraordinário para bem equilibrar a vida profissional e a vida pessoal. Posso morar na parte do país de que mais gosto e tenho mais tempo para relaxar”.

O custo de vida foi outro tema recorrente. Como a USPTO não reajustou os salários de acordo com o local onde os funcionários decidiram viver, um analista de patentes comentou: “Consegui comprar uma casa grande em meu novo local por cerca de um quarto do que custava no norte da Virgínia”. O estado de Vermont e a cidade de Tulsa, em Oklahoma (onde a Tulsa Remote está localizada), envidaram esforços para atrair empregados remotos divulgando sua comunidade e enfatizando o baixo custo de vida. Em São Francisco, o aluguel médio de um apartamento de dois dormitórios é de US$ 4.128. Em Tulsa, é de apenas US$ 675.

O WFA ajudou os profissionais do conhecimento com problemas de imigração e outras restrições a conseguir bons empregos. William Kerr, Susie Ma e eu estudamos recentemente a MobSquad, cujos espaços compartilhados de trabalho em Halifax, Calgary e outras cidades canadenses permitem que tais profissionais com talento contornem os onerosos sistemas de green card e visto para os EUA e obtenham rapidamente permissão de trabalho do sistema Global Talent Stream, do Canadá. Assim eles podem continuar atendendo às empresas e clientes nos Estados Unidos e outros países e, ao mesmo tempo, morar e pagar impostos no Canadá.

Um engenheiro que entrevistamos veio para os Estados Unidos depois de se formar no ensino médio em seu país natal aos 12 anos. Aos 16, ele ingressou em uma universidade americana, onde se graduou em matemática, física e ciências da computação em três anos. Aos 19, estava empregado numa empresa de tecnologia médica graças a um programa de treinamento prático opcional, mas não conseguiu obter o visto H-1B e foi deportado. A MobSquad o transferiu para Calgary, e ele continuou a trabalhar para o mesmo empregador.

Nas entrevistas com funcionárias da BRAC, descobri que as mulheres cuja carreira era limitada por tabus culturais como viajar para locais remotos ou delegar serviços domésticos foram favorecidas pelo WFA. Uma delas nos explicou: eu acordava muito cedo para deixar prontas três refeições para minha família de três gerações. Trabalhar remotamente me permitiu distribuir as tarefas domésticas, dormir um pouco mais e ser mais produtiva”.

Para as empresas. Minha pesquisa revelou ainda muitos benefícios organizacionais dos programas de WFA. Eles aumentaram, por exemplo, o envolvimento dos funcionários — métrica importante de sucesso para qualquer empresa. Em 2013, um ano depois de instituir o programa WFA, a USPTO ocupava uma das posições mais altas entre os Melhores Lugares para Trabalhar segundo pesquisa do governo federal americano. Os funcionários não só estavam mais felizes, mas também eram mais produtivos. Quando Cirrus Foroughi, Barbara Larson e eu avaliamos a transição da USPTO de WFH para WFA, descobrimos que este aumentou a produtividade individual em 4,4%, porcentagem baseada no número de patentes analisadas mensalmente. A mudança também permitiu que os analistas determinassem se o WFA gerava benefícios similares para funcionários que desempenhavam diferentes tarefas em outras organizações ou equipes.

Alguns ganhos gerados pelo WFA são mais óbvios. Menos funcionários no escritório, por exemplo, significa menos espaço e menos custos de investimento em imóveis. A USPTO estimou que, em 2015, o aumento de trabalho remoto economizou US$ 32,8 milhões. E os programas WFA expandiram muito o pool de potenciais talentos, incluindo os que residiam em locais distantes da empresa. Essa foi a principal razão de a TCS adotar o que ela chama de espaços de trabalho seguros sem fronteiras: ela quer garantir que cada equipe seja formada pelos participantes com as habilidades certas, independentemente de onde estejam. Rajesh Gopinathan, CEO da TCS, descreve esse modelo como “talentos na nuvem”, enquanto outros executivos seniores afirmam que provavelmente permitirá que a empresa explorasse nichos de mercado de trabalho no Leste da Europa, onde há uma enormidade de analistas financeiros e cientistas de dados competentes.

Finalmente, o WFA pôde reduzir desgastes. Alguns funcionários da USPTO explicaram que, embora adorassem determinados lugares, reconheciam que neles as oportunidades de emprego eram limitadas. Isso os motivou a trabalhar mais e permanecer mais tempo no Escritório de Patentes. Líderes da GitLab também identificaram a retenção de funcionários como um resultado positivo da decisão da empresa de se tornar totalmente remota. Segundo eles, o benefício líquido, incluindo o aumento de produtividade e economia de gastos com imóveis, chegou a US$18 mil por ano, por funcionário.

Para a sociedade. Organizações de WFA têm capacidade de reverter a fuga de cérebros que, muitas vezes, atormenta os mercados emergentes, pequenas cidades e locais rurais. Na verdade, a Tulsa Remote foi fundada para atrair recém-chegados dinâmicos, diversificados, com mentalidade comunitária para uma cidade que, há um século, se recuperava de protestos racistas históricos. Com oferta de US$ 10 mil para realocar-se em Tulsa, de 2019 a 2020, a empresa atraiu mais de 10 mil interessados para 250 vagas. Obum Ukabam foi um dos selecionados. Quando ele não está trabalhando como gestor de marketing, ele orienta e presta serviço de coaching a uma escola de ensino médio. Recém-chegados talentosos de diversas etnias estão certamente tornando a cidade mais multicultural. Enquanto isso, as transições na USPTO e na TCS trouxeram muitas pessoas de volta para sua cidade de origem.

O trabalho remoto também preserva o ambiente. Em 2018, o tempo médio do percurso casa/trabalho e vice-versa era de 54 minutos, ou aproximadamente 4,5 horas por semana. Eliminar essas viagens — principalmente em locais onde a maioria das pessoas se desloca de carro — reduz significativamente as emissões de carbono. A USPTO estima que, em 2015, seus funcionários remotos percorreram 135 milhões de quilômetros menos do que se tivessem viajado até o escritório, reduzindo tais emissões em mais de 44 mil toneladas.

RESPOSTAS ÀS INQUIETAÇÕES

O escritório — com salas de reunião, áreas de pausa para o café e oportunidades de interação formal e informal— faz parte de nosso estilo de vida há tanto tempo que para nós é difícil imaginar o mundo sem ele. E várias barreiras precisam ser vencidas para tornar o trabalho totalmente remoto não só gerenciável, mas também bem-sucedido. No entanto, a experiência profissional totalmente remota durante a pandemia da covid-19 mostrou a muitas organizações do ramo do conhecimento que, com tempo e atenção, essas preocupações podem ser resolvidas. E nas empresas que pesquisei estão surgindo várias práticas muito boas.

Comunicação, brainstorming e resolução de problemas. Quando os funcionários estão espalhados, é mais difícil conseguir uma comunicação sincronizada. Ferramentas como Zoom, Skype, Microsoft Teams e Google Hangouts podem ajudar as pessoas que trabalham no mesmo fuso horário ou em fusos adjacentes, mas não ajudam as que estão mais afastadas. Em uma pesquisa com Jasmina Chauvin e Tommy Pan Fang, descobri que a mudança do dia para a noite ou vice-versa para economizar tempo causava redução de uma a duas horas na superposição do horário de trabalho (BHO, na sigla em inglês) entre os escritórios de uma grande corporação global. O volume de comunicação caiu em 9,2%, principalmente entre funcionários da produção. Quando o BHO era maior, o pessoal de P&D realizava mais chamadas sincronizadas não planejadas. As reuniões de grupo são ainda mais difíceis de programar, Nadia Vatalidis, do grupo de Operações de Pessoas da GitLab, observa que com membros da equipe espalhados em Manila, Nairóbi, Johannesburg, Raleigh e Boulder praticamente torna-se inviável encontrar um horário para a reunião semanal do grupo.

Créditos: Sejkko

Por isso, as organizações do WFA precisam se acostumar com a comunicação assíncrona, seja via canal do Slack, portal personalizado intraempresas, ou até um documento compartilhado do Google no qual membros da equipe espalhados geograficamente redigem suas perguntas e comentários e esperam que outros membros da equipe em fusos horários distantes respondam na primeira oportunidade. Uma vantagem dessa abordagem é que os funcionários têm maior probabilidade de compartilhar ideias, planos e documentos antecipadamente e receber feedback quase imediato. A pressão para apresentar um trabalho bem elaborado é menor que quando as reuniões de equipes são sincrônicas e mais formais. A GitLab qualifica de irrepreensível este processo de solução de problemas. Os líderes da empresa observam que os funcionários acostumados à cultura de emails, ligações telefônicas e reuniões podem relutar em mudar velhos hábitos. O problema foi resolvido com treinamento durante e depois da contratação. Na Zapier, em um programa chamado ZapPal, cada novo contratado é acompanhado por um colega experiente que monta pelo menos uma reunião introdutória pelo Zoom e continua a acompanhá-lo durante o primeiro mês. Para os brainstormings sincronizados, a empresa utiliza chamadas de vídeo e quadros brancos online como Miro, Stormboard, IPEVO Annotator, Limnu e MURAL, mas também estimula os funcionários a utilizar meios assíncronos de resolver problemas pelo Slack.

Compartilhamento do conhecimento. Este é outro desafio para as organizações completa ou majoritariamente remotas. Colegas distantes não podem se dar tapinhas nos ombros para fazer perguntas ou obter ajuda. Uma pesquisa realizada por Robin Cowan, Paul David e Dominique Foray mostrou que boa parte do conhecimento do local de trabalho não é codificada (mesmo quando deveria ser), mas “está na cabeça das pessoas”. Este é um problema de todas as organizações, mas muito mais para aquelas que adotaram o WFA. As companhias que analisei resolveram o problema com documentação transparente e facilmente acessível. Na GitLab todos os membros das equipes têm acesso a um “manual de trabalho”, que alguns descrevem como “o repositório central de como fazer a empresa funcionar”. Atualmente ele contém 5 mil páginas pesquisáveis. Todos os funcionários são encorajados a contribuir para o manual e ensinar como criar uma página com novo tópico, editar um tópico existente, incorporar vídeos, e assim por diante. Antes das reuniões, os organizadores postam agendas que se ligam a seções relevantes para permitir que os participantes leiam as informações de background e postem perguntas. Posteriormente, atas das sessões são postadas no canal da GitLab, no YouTube, as agendas são editadas e o manual é atualizado incluindo todas as decisões tomadas.

Os funcionários podem considerar o trabalho extra de documentação como um “tributo” e um empecilho no alto nível de transparência necessário para uma organização do WFA progredir. Thorsten Grohsjean e eu acreditamos que os gestores seniores precisam dar o exemplo nesses fronts, codificando o conhecimento e partilhando informações livremente e, ao mesmo, tempo explicar que esses são compromissos necessários para permitir a flexibilidade de alocação.

Outra sugestão é criar transcrições, postar slides publicamente e gravar vídeos de seminários, apresentações e reuniões para criar um arquivo que as pessoas podem consultar a qualquer hora de acordo com sua conveniência. Na reunião anual de 2020, que precisou ser virtual por causa da pandemia, a Academia de Gestão coordenou 1.120 sessões pré-registradas, provavelmente ampliando o fluxo de conhecimento para os acadêmicos — principalmente aqueles em mercados emergentes — muito mais do que seria possível em um evento ao vivo, o que normalmente ocorre na América do Norte.

Socialização, camaradagem e tutoria. Outra grande preocupação mencionada por gestores e funcionários é a possibilidade de eles se sentirem social e profissionalmente isolados, desconectados dos colegas e da própria empresa, principalmente em organizações onde algumas pessoas trabalham remotamente e outras não. Uma pesquisa realizada por Cecily D. Cooper e Nancy B. Kurland mostrou que, com muita frequência, os funcionários se sentem excluídos do fluxo de informações a que normalmente teriam acesso no escritório físico. Sem reuniões presenciais, os gestores podem não perceber sinais do crescente desgaste e disfunções da equipe. Mesmo com as videoconferências que permitem a leitura da linguagem corporal e de expressões faciais, a preocupação é que colegas virtuais têm menor probabilidade de se tornar amigos íntimos porque suas interações frente a frente são menos frequentes. Priyanka Sharma, especialista técnica da GitLab observa: “Fiquei muito nervosa quando tive de participar de uma reunião pela primeira vez, porque eu era muito sociável no escritório. Eu temia me sentir muito sozinha em casa sem aquela sensação de comunidade”. Houda Elyazgi, executiva de marketing da equipe da Tulse Remote, expressou sentimentos similares: “O trabalho remoto pode ser muito isolador, principalmente para os introvertidos. Você quase precisa criar uma experiência intencional quando está socializando com os outros. E então você precisa estar “ligada” o tempo todo, mesmo quando tenta relaxar, e isso é desgastante”.

Na minha pesquisa, observei uma série de políticas que procuram abordar essas questões e criar oportunidade de socialização e de difusão de normas da empresa. Muitas organizações do WFA dependem de tecnologia para criar o “local do cafezinho virtual” e “interações aleatórias planejadas”, nas quais uma pessoa da empresa organiza grupos de funcionários para conversar online. Alguns utilizam IA e ferramentas de realidade virtual para formar duplas de colegas remotos para bate-papos semanais. A Sike Insights, por exemplo, está usando dados sobre estilos de comunicação individual e IA para criar colegas no Slackbot, enquanto a eXp Realty, empresa completamente remota que pesquiso atualmente, utiliza uma plataforma de realidade virtual chamada VirBELA para criar um local onde membros de equipes distantes podem se reunir na forma de avatar.

Sid Sijbrandij, cofundador e CEO da GitLab, observou: “Soube que na Pixar os toaletes foram colocados em local central do escritório para que as pessoas esbarrassem umas nas outras — mas por que depender da aleatoriedade para isso? Por que não evoluir um pouco mais e organizar uma comunicação informal?”. Esses “misturadores” geralmente incluem executivos seniores e diretores. Quando os descrevi à minha colega da HBS Christina Wallace, ela lhes deu um ótimo nome: colisões da comunidade. E as empresas sempre precisaram fabricá-las: pesquisas da década de 1970 realizadas por Christina Wallace, do MIT, mostram que os funcionários alocados no mesmo campi podem não vivenciar interações casuais se estiverem separados por uma parede, um teto ou um prédio.

Quando se trata de interação entre pessoas de diferentes níveis hierárquicos, minha pesquisa revelou dois problemas com soluções imediatas. Iavor Bojinov, Ashesh Rambachan e eu descobrimos que os líderes seniores de uma empresa global sofriam muita pressão para dar orientação individual a funcionários virtuais. Por isso, implementamos um processo de P&R pelo qual os funcionários faziam perguntas por meio de uma enquete e os líderes respondiam quando podiam. Os gestores seniores de outra empresa global relataram que tinham dificuldade em ser eles mesmos diante da câmera. Enquanto funcionários remotos jovens “viviam a vida no Instagram”, para seus colegas mais velhos era difícil obter engajamento virtual. A empresa implementou sessões de coaching para deixar esses executivos mais à vontade no Microsoft Teams.

Outra solução para o problema da socialização é promover viagens curtas de confraternização de todos os funcionários. Antes da covid-19, a Zapier sediou duas no mesmo ano: pagou-lhes viagem, acomodação e alimentação, além de lhes dar verba para atividades e US$ 50 para comprar presentes para seus entes queridos. Carly Moulton, o especialista em comunicação sênior da empresa revelou: “Pessoalmente, fiz várias amizades no trajeto do aeroporto (ida e volta). Os gestores de eventos nos colocavam em grupos aleatórios dependendo da hora em que você chega ou parte. Eu sempre estive com pessoas com quem normalmente não trabalhava, por isso é bom reservar um tempo para quando você precisa puxar conversa”.

Finalmente, na USPTO descobri outra forma de camaradagem. Vários analistas do WFA criaram voluntariamente “comunidades remotas” de modo que vários deles podiam se reunir periodicamente. Um grupo que vivia na Carolina do Norte, por exemplo, decidiu programar reuniões num campo de golfe para socializar, discutir o trabalho e resolver problemas juntos. Outro gestor criou uma “refeição virtual” pedindo pizzas a ser entregues na casa de todos os seus subordinados remotos durante uma reunião semanal da equipe.

Avaliação de desempenho e remuneração. Como você classifica e avalia um funcionário com quem nunca esteve fisicamente segundo métricas subjetivas, mas importantes como habilidades interpessoais? Empresas totalmente remotas avaliam seus funcionários de acordo com a qualidade do trabalho propriamente dito, das interações virtuais e do feedback de clientes e colegas. A Zapier, por exemplo, utiliza a Help Scout para responder no serviço de atendimento ao consumidor. Um aspecto desse software é que os consumidores podem enviar uma “pontuação de felicidade” classificando as respostas como “ótimo”, “ok”, ou “ruim”.

Sobre a arte: Sejkko cresceu entre Portugal e Venezuela. Suas fotografias retratam as residências tradicionais de Portugal mas também transmitem vibrações tropicais e nostalgia. Às vezes, elas aparentam perdidas ou fora de lugar; em outros momentos, parecem acolhedoras e contidas. | Sejkko

No primeiro semestre de 2020, à medida que os grupos de repente começaram a mudar para o trabalho remoto, perguntaram-me se os gestores deveriam utilizar softwares para acompanhar a produtividade dos funcionários e evitar escapadas. Eu me oponho enfaticamente a esse tipo de controle orwelliano. A USPTO respondeu a acusações de “fraude de examinadores” e “abuso de participação” em seu programa de WFA após revisão pelo Escritório do Inspetor Geral do Departamento de Comércio dos EUA. As acusações envolviam excesso de notificações de horas trabalhadas ou mudanças nos registros de tempo de trabalho completado, como carga de retorno no fim de um trimestre civil — nenhuma delas relacionada à métrica de avaliação de desempenho: o número de patentes analisadas. No entanto, daí em diante, todos os funcionários remotos da USPTO tiveram de utilizar uma ferramenta organizacional de TI, como login em rede privada virtual (VPN) com indicador de presença ligado, e uso dos mesmos serviços de mensagem. Mas quando comparamos dados anteriores e posteriores a essa intervenção, descobrimos que ela não teve efeito no output médio.

Como definir a remuneração dos funcionários residentes nos mais diversos lugares é assunto de debates vigorosos e interessantes. Como foi mencionado, é uma grande vantagem morar em local com custo de vida mais baixo e receber o mesmo salário que seria oferecido em lugar mais caro.

Mas a decisão de não ajustar salários de acordo com o local de residência do funcionário é da empresa. Este foi o caso da USPTO. Matt Mullenweg, fundador de outra empresa totalmente remota, a Automattic (afiliada da WordPress), revelou que sua política é pagar aos funcionários os mesmos salários para as mesmas funções, independentemente do local onde trabalham. Mas a GitLab e outras companhias adotam diferentes sistemas de remuneração em diferentes locais, dependendo da experiência do funcionário, do tipo de contrato e da tarefa executada. Embora ainda sejam necessárias novas pesquisas para saber qual é a melhor abordagem, é possível que as empresas que vinculam os salários ao local de trabalho percam funcionários talentosos do WFA para as concorrentes que não utilizam esse sistema. Outra questão pertinente é saber se a remuneração dos funcionários em regime de WFA deve ser na moeda do país onde fica a sede da organização ou em moeda local, dadas as flutuações nas taxas de câmbio.

Segurança de dados e regulamentação. Vários gestores relataram que a segurança cibernética era uma área que merecia grande atenção dos programas e organizações do WFA. Um gestor perguntou: “E se os funcionários do WFA fotografarem os dados dos clientes e enviarem as fotos para os concorrentes?”. Os CIOs de empresas com políticas de trabalho remoto comentaram que outra preocupação importante era o uso de dispositivos pessoais menos protegidos dos funcionários que trabalham em casa.

É verdade que as empresas totalmente remotas precisam ser mais enérgicas na proteção de seus dados corporativos, dos funcionários e dos clientes. Enquanto a TCS fazia a transição para um modelo majoritariamente remoto, ela mudou da chamada “segurança baseada em perímetro” (na qual as equipes de TI tentam garantir a segurança de todos os dispositivos) para a “segurança baseada em transação” (na qual logaritmos de aprendizado de máquina analisam qualquer atividade anormal em qualquer laptop de funcionário). A MobSquad replicou em suas instalações a infraestrutura de segurança do cliente para os funcionários do WFA e funcionários que trabalham na nuvem, além de emails e hardware do cliente, por motivos de segurança. As organizações total ou majoritariamente remotas que analisei estão testando uma série de soluções para proteger os dados do cliente utilizando análise de dados preditiva, visualização de dados e visão de computador.

Transitar para uma organização total ou majoritariamente remota requer também por vezes vencer obstáculos reguladores. No início da pandemia, quando a TCS foi forçada a se tornar totalmente remota, ela precisou trabalhar diretamente com a NASSCOM (Associação Nacional de Software e Empresas de Serviços da Índia) e autoridades indianas para mudar as leis de um dia ao outro a fim de que o pessoal das centrais de atendimento pudesse trabalhar em casa. Outras leis tiveram de ser ajustadas para que os funcionários da TCS pudessem retirar laptops e outros equipamentos dos escritórios físicos localizados nas “zonas de economias especiais” da Índia. Irfhan Rawji, fundador e CEO da MobSquad, precisou trabalhar diretamente com o governo canadense para garantir que os migrantes econômicos escolhidos pela empresa para mudar para o Canadá recebessem permissão de trabalho rapidamente e fossem integrados em seu modelo. Qualquer organização totalmente remota que pense em contratar talentos globalmente precisa cumprir as leis trabalhistas locais relacionadas à contratação, remuneração, férias, aposentadoria e licença médica.

SUA ORGANIZAÇÃO CONCORDA COM ISSO?

Obviamente, algumas organizações talvez não possam adotar o WFA neste momento, como as do setor de manufatura — mas isso poderá mudar com os avanços da impressão 3-D, automação, gêmeos digitais e outras tecnologias. E com os processos organizacionais, estratégias, tecnologia e — o mais importante — liderança certas, há várias outras empresas, equipes e funções que podem se tornar completa ou majoritariamente remotas. Minha pesquisa em curso com Jan Bena e David Rowat sugere, por exemplo, que startups do setor do conhecimento, principalmente no setor de tecnologia, estão bem posicionadas para adotar o modelo WFA desde sua fundação. Veja o caso da completamente remota eXp Realty: descobrimos que imóveis, serviços públicos e outros custos gerais mais baratos podem significar alto valor de mercado para a empresa se e quando seus fundadores saem da startup.

Minhas pesquisas na USPTO e TCS indicam que grandes organizações consolidadas também podem mudar com sucesso para um regime híbrido ou majoritariamente remoto.

A questão não é se trabalhar em qualquer lugar é possível, mas o que é necessário para tornar isso realidade. A resposta curta: gestão. Um líder intermediário de uma organização completamente remota afirmou que “se todos os líderes seniores estiverem trabalhando no escritório, então os funcionários deveriam ser atraídos para lá para ter um tempo presencial”. Mas se os líderes apoiam comunicação, brainstorming e resolução de problemas, síncronos e assíncronos; lideram iniciativas para codificar o conhecimento online; encorajam a socialização virtual, formação de equipes e tutoria; investem e reforçam a segurança de dados; trabalham com stakeholders do governo para garantir o cumprimento da legislação; e dão exemplo tornando-se eles mesmos funcionários do WFA, as organizações completamente remotas podem realmente vir a ser o futuro do trabalho. 


Prithwiraj (RAJ) Choudhury é professor na Harvard Business School. Sua pesquisa é centrada no futuro do trabalho — principalmente em como as práticas do trabalho em qualquer lugar estão mudando sua geografia.


Conteúdo originalmente publicado na Revista Harvard Business Review – Novembro de 2020.

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A quebra de paradigma

Os gargalos da última etapa da educação básica foram o pontapé para a criação de uma nova lei. Conheça escolas que já deram os primeiros passos e entenda os principais desafios.

Por Laura Rachid

Se o novo ensino médio ainda não faz parte das principais discussões de algumas escolas brasileiras, em pouco tempo começará a ganhar espaço central em todas, da pública à particular, independentemente da região. É que a Lei 13.415/2017 altera a estrutura da última etapa da educação básica ao ampliar o tempo mínimo do estudante durante os três anos, de 800 horas para 3.000 horas, define uma nova organização curricular, com conteúdos obrigatórios baseados no Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e cria os itinerários formativos, um leque de áreas do conhecimento personalizado. É importante destacar que a carga horária da BNCC deve ter até 1.800 horas, já o restante é destinado aos itinerários formativos que não possuem limites de horas. Com isso, cada escola tem a possibilidade de desenhar o que melhor dialoga com sua proposta pedagógica.

“O ensino médio é a etapa mais crítica da educação básica, com os índices mais baixos no Ideb [Índice de Desenvolvimento da Educação Básica]”, destaca Rita Jobim, coordenadora de políticas de ensino médio do Instituto Unibanco, instituição sem fins lucrativos que atua por meio da gestão pela melhoria da qualidade da educação pública nos últimos anos do ensino básico. Vale ressaltar que o Ideb, principal indicador de qualidade do país, divulgado este ano pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), revela um salto histórico do ensino médio brasileiro, de 3,8 pontos em 2017, para 4,2 em 2019, mas ainda longe dos 5 pontos da meta que nunca foi batida.

Só que essa lacuna precisa ser levada em conta sob diversos ângulos. Primeiro é importante lembrar que algumas políticas públicas para o ensino médio tidas como simplórias são recentes, por exemplo, a obrigatoriedade de permanecer na escola dos quatro aos 17 anos. Ou seja, em tese, completar o ensino médio só passou a ocorrer no Brasil em 2009. Segundo ponto: ofertar acesso não é o mesmo que qualidade e equidade. Para exemplificar, estudantes ricos no 3º ano do ensino médio adquiriram 45,7% do nível esperado de aprendizagem em matemática, enquanto apenas 3,2% dos alunos pobres atingiram o nível adequado, conforme revela o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2020, que se baseia em dados como os do IBGE e Inep.

Os especialistas em educação básica sabem que esses números também são reflexos de desafios oriundos das séries do fundamental que se acumulam até chegarem ao ensino médio. Aí entra outra questão central, o abandono e a evasão, que com a pandemia, infelizmente, tendem a aumentar ainda mais. Segundo o Movimento Pela Base, um a cada quatro jovens que ingressam no ensino médio o abandona ou é reprovado ainda no 1º ano e somente seis em cada dez brasileiros de 19 anos terminam a educação básica. 

Além dos desafios de ter que largar os estudos para trabalhar, estímulo e identificação com o ensino médio são, sem dúvida, outros pontos que precisam ser levados em conta e que também motivaram para a atual legislação. “O novo ensino médio é um modelo mais flexível em que o estudante pode escolher as áreas de interesse e permite maior conexão entre o que ele vê na escola com o que já observa fora, o que é muito bacana”, diz Rita.

HISTÓRICO

Eduardo Deschamps tem propriedade para falar sobre o tema não só por conta de, no Conselho Nacional de Educação (CNE), ter presidido as Comissões do Sistema Nacional de Educação, do Ensino Médio e da Base Nacional Comum Curricular, mas devido à sua atuação como secretário de Educação de Santa Catarina (2012-2018).

Ele lembra que a discussão de aperfeiçoamento dessa etapa educacional ganhou forma no campo político em 2012, com o entendimento de que os resultados não estavam bons e de que algo precisava ser feito para reverter o cenário. “Quando o Ideb de 2011 do ensino médio foi divulgado, Aluízio Mercadante [então ministro da Educação] encomendou ao Conselho Nacional de Secretários de Educação [Consed] uma proposta para um novo ensino médio, que retornou apenas com uma formação de professores. Mas o debate começou mesmo com o Projeto de Lei 6840/2013 de Reginaldo Lopes, que recebeu contribuições do Consed e do MEC”, explica Deschamps, que acrescenta: “o projeto foi discutido nos anos seguintes e, em 2016, com a mudança de governo, Mendonça Filho assume a pasta da Educação e tenta agilizar isso e, quando percebe que não vai andar, entra a Medida Provisória [MP 746/2016], que traz algumas coisas parecidas com o PL 6840. Tinha tido um impeachment e por ter vindo como medida provisória deu a entender que era algo novo, mas é uma história apartidária que começa com um governo e segue em outro”, afirma.

A MP conseguiu chegar ao Senado Federal e, em fevereiro de 2017, foi sancionada como Lei 13.415/2017.

Para Deschamps, hoje um dos principais desafios do novo ensino médio é em relação a como será o Enem e demais vestibulares na questão dos itinerários. “Terá que ter duas partes, uma da Base e a outra que mede os itinerários. Ainda há dúvidas quanto à elaboração dessa prova porque falta esclarecimento de como será trabalhada a estrutura dos itinerários.”

NO CHÃO DA ESCOLA

Mesmo com processos em andamento, o fato é que a lei, muito em breve, passará a ser obrigatória na última etapa da educação básica, tanto que escolas particulares mais tradicionais e consideradas “de ponta” já iniciaram suas reformulações.

O ensino médio do Colégio Visconde de Porto Seguro, da elite paulistana, já possui um plano piloto. No início de 2020, o 1º ano do ensino médio passou a ter itinerários formativos obrigatórios – em parte oriundos de atividades extracurriculares transformadas em itinerários. No caso, os alunos escolhem entre Escola de Negócios, Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Ciências Humanas e suas Tecnologias. 

José Manuel Ribeiro de Melo é coordenador institucional dos itinerários formativos do Porto Seguro e conta que a Escola de Negócios foi a área mais escolhida pelos alunos. Nela, os jovens vivenciam o dia a dia de uma empresa, da área do marketing, desenvolvimento do produto à presidência e têm até aula de importação e exportação. 

Hoje, o ensino médio do Porto tem 35 aulas em modelo tradicional, que tendem a dialogar com as obrigatórias advindas da BNCC, seis aulas do itinerário e mais seis extracurriculares. Somando os itinerários com as extracurriculares, as aulas não chegam a 20% da carga horária prevista na nova legislação. “Demos o start. O desenho está pronto e agora há uma questão de carga horária…Se a gente entrasse na lei agora, teríamos que diminuir nossas obrigatórias. Temos 3.600 horas e a lei pede 1.800”, conta Carlson Toledo, diretor institucional pedagógico do ensino médio do Colégio Porto Seguro.

“2021 era nosso cenário para a reforma. Só que resolvemos antecipar para ganharmos uma expertise já em 2020, porque a reforma é delicada em todos os aspectos, até em orientar o aluno em todas as escolhas. Não é mais um caminho único, com todos os alunos seguindo as mesmas coisas”, explica Carlson Toledo.

Carlson frisa a importância de oferecer apoio aos alunos em suas escolhas. “Isso é muito sério. As pessoas se preocupam muito se é precoce fazer escolhas nesse momento. Eu acho que não, é bom experimentar. Escolhas, mesmo aquelas supostamente erradas, contribuem para a sua formação, você fará escolhas para o resto da sua vida. E a educação básica vem auxiliar inclusive nesses erros e acertos.”

Na Paraíba, o particular Colégio Motiva, que possui ensino médio em quatro de suas cinco unidades, atende cerca de 1.300 alunos e oferece quase 4.000 horas no ensino médio, indo além das 3.000 horas mínimas determinadas. Ali os educadores colocaram a mão na massa e o 1º ano também iniciou 2020 de acordo com a reforma. A saída que a equipe encontrou foi focar no 1º ano o que pede a BNCC, uma vez que, segundo a equipe, pensar em profissão no 1º ano do médio é muito cedo. O aprofundamento nos itinerários deverá ocorrer no 2º e 3º ano, que ainda estão sendo elaborados.

“Todo o nosso planejamento, em relação à formatação prevê as eletivas e itinerários formativos, lembrando que os itinerários estão sendo desenhados a partir dos eixos estruturantes. Estamos pensando a elaboração a partir disso e considerando as demandas do nosso município, interesses, aptidões dos estudantes, contextos locais e nossas capacidades de criar redes de contato”, conta Allyson Campina, diretor de metodologias inovativas, professor de história e projeto de vida, este último aplicado pela primeira vez em 2020 também com o 1º ano, já dialogando com a BNCC.

O projeto de vida no Motiva é baseado em quatro pilares: empreendedorismo, inovação, arquitetura de carreiras e protagonismo juvenil. Ele acontece uma vez por semana em uma aula de 50 minutos. Para a surpresa dos educadores, mesmo não valendo nota, o projeto está recebendo 100% de participação. “Você só trabalha o protagonismo juvenil se houver uma valorização da criança e do jovem. E valorizar a proposta de aprendizagem do aluno é muito mais importante hoje do que preocupação com o ensino”, enfatiza o diretor-geral, Carlos Barbosa, que é também coordenador regional da Paraíba do Programa de Escolas Associadas à Unesco (Rede PEA).

“De certo modo, consegui fazer os alunos entenderem que projeto de vida faz parte da vida deles e não só da carreira, que ser empreendedor não é sair do ensino médio com uma empresa. A gente trabalha com empreendedorismo de vida, aluno empreendedor da sua vida, para isso, focando também nas habilidades socioemocionais. E talvez essa pegada do socioemocional tenha sido o grande pulo do gato de nós aqui, em contexto de pandemia, todo mundo em casa, damos a oportunidade de discutir as emoções. Agora no online eles têm 45 minutos por semana para pensarem sobre eles”, explica Campina.

Para esse início de implantação, o Colégio Motiva escutou a comunidade escolar: alunos, educadores e as famílias. Além disso, fizeram alguns diagnósticos voltados à logística e orçamento. “E aí fomos para a reelaboração do próprio currículo, visando construir caminhos para desenhos de aprendizagem. Primeiro sentar para planejar. Isso temos feito muito aqui na escola e a própria pandemia trouxe essa coisa mais à tona: que é preciso pensar para planejar, desenhar nossos processos, disciplinas e aí definir a estrutura curricular da escola e pensar em como construir o próprio documento”, detalha Allyson.

O Colégio Santo Américo, em São Paulo, como os demais aqui abordados, já oferecia modalidade integral. O processo de implantação do novo ensino médio ocorre desde 2019, um exemplo é que 20% da grade curricular tradicional, como matemática e português, se transformou em um leque de temáticas, as eletivas, que nada mais são que pilotos para os itinerários formativos. Hoje os estudantes do Santo Américo podem escolher ter aula sobre meio ambiente, astronomia, empreendedorismo, entre outras possibilidades. A tutoria é o momento em que o projeto de vida é trabalhado. “Transformamos as aulas obrigatórias da tarde nas matérias do novo ensino médio, aquelas com cunho mais holístico”, explica Danilo Claro Zanardi, coordenador do ensino médio.

Claudia Sartori, psicóloga e educadora educacional do ensino médio no Santo Américo, conta que quando começaram a construção das eletivas, os professores foram muito ouvidos, principalmente sobre experiências que já possuíam e que não aplicavam com os alunos, mas que com a flexibilidade curricular que a nova legislação exige, poderiam passar a abordar.

“Temos um professor de química que tem conhecimento sobre química forense. Outro que adora astronomia…e a gente também acabou trazendo o professor que não dava aula no ensino médio [do fundamental] e que possui conhecimentos específicos”, acrescenta Danilo Claro.

O paulistano Colégio Humboldt começou a reforma da última etapa da educação básica ainda em 2018, também com as eletivas. A coordenadora do ensino médio Talita Marcilia explica que sendo uma escola internacional, o itinerário de línguas é o mais claro para a equipe. “Temos uma carga horária significativa de alemão e inglês e essas matérias serão o itinerário-base de todo aluno Humboldt. Estamos desenhando um itinerário em MINT, o STEM alemão, separado como informática, ciências da natureza e tecnologia. Além do itinerário em MINT, temos o de sociedade e cultura, que conta com matérias de ciências humanas, artes e música. Em 2019, já tínhamos feito essas eletivas com o 1º ano do ensino médio, este ano foi com o 2º e no próximo ano atingirá o 3º. Mas a reestruturação completa nos moldes do novo ensino médio paulista, cujo documento saiu este ano, será concretizada em 2022”, explica Talita.

MAS, E OS PROFESSORES?

O rompimento do currículo fragmentado em disciplinas, imposto pela BNCC e novo ensino médio, também obriga a área da educação a olhar para a formação dos professores, afinal, não basta apenas exigir, é preciso apoiar os fiéis escudeiros. A tarefa é difícil para os educadores formados em uma lógica diferente da atual e para as faculdades e universidades que, assim como as escolas, precisarão reformular seu currículo para formar esse novo professor.

“Os professores passaram por um ensino muito acadêmico, que foca e privilegia o cognitivo e menos as experiências práticas. Sem contar a relação professor e aluno, em que o aluno não era o protagonista. Há uma mudança de mentalidade que já é um desafio, mas claro que professores estão abertos para esse processo”, afirma Rita Jobim, do Instituto Unibanco.

Jobim espera que o ano acabe com todos os estados tendo homologados seus currículos. “São Paulo foi o primeiro, Roraima entregou recentemente para o CNE e temos sete ou oito estados que estão em fase de consulta pública, ouvindo a comunidade escolar. Outros estão na fase de elaboração e ainda vão para consulta pública. Importante, porque só com currículo acabado que você consegue fazer a formação dos professores”, alerta Rita Jobim.

Indo na mesma linha da Rita, o coordenador do curso de letras do Instituto Singularidades, Marcelo Ganzela, destaca a necessidade que a reforma impõe de compreender a educação de outros modos. “A gente vem de uma posição positivista que ensina algo concreto e mensura por meio de teste. Quando a gente entra em outros processos não sabemos como avaliar. E isso recai na própria BNCC; quando ela coloca as habilidades socioemocionais ela provoca a formação de professores: nossa, eu preciso formar para isso? Como fazer esse movimento de me desprender da visão positivista e encontrar outras soluções?”, reflete.

Metodologias ativas são uma das saídas encontradas por Marcelo para romper com modelos de ensino tradicionais e até mesmo fazer disciplinas dialogarem com áreas de conhecimento. “Ao te ensinar algo eu não te digo o que deve fazer, eu faço com você e você aprende com a experiência. Depois a gente sistematiza e racionaliza a experiência. Eu promovo experiências com os alunos para ampliar o repertório para eles ofertarem a seus futuros alunos e nisso você oportuniza o aluno professor exercitar levantamento de hipótese. Esse é o exercício de ser mediador e tentamos oportunizar situações”, explica Marcelo.

Diante das desigualdades dos Brasis, a nova lei pode parecer romântica e até utópica. Questionado se ele acha possível a transformação do novo ensino médio em todo o país, o coordenador, que deu aula na rede pública por 16 anos, acredita que sim. “Será possível essa transformação, mas ela depende de uma política de formação continuada e inicial séria. Porque ninguém ali foi formado com essa cabeça. Nossos professores universitários, do Singularidades, não foram formados nessa cabeça, é resultado de formação continuada, de ler documentos, se informar”, alerta.

Ao se voltar para a rede particular, principalmente as com ticket alto, essa utopia parece ser mais fácil de dialogar com a realidade. Danilo Claro, do Santo Américo, destaca que seus professores nunca param. “Eles participam de formações e recebem até hora extra para se reunirem e estudarem. A gente paga para cursos de extensão e congressos. Recentemente, eu e uma outra coordenadora fizemos três meses e meio de um curso online de Harvard”, diz.

Carlson Toledo, do Colégio Visconde de Porto Seguro, conta que há um grande cuidado em apoiar seus educadores na formação continuada. “Nossa preocupação é muito ampla, auxiliamos na especialização, com apoio financeiro, trazemos profissionais para cursos aqui. Este ano estamos focando muito em formações tecnológicas. Nossos professores têm uma carga horária destinada à formação, além da troca entre as áreas”, conta. Com a nova lei, Carlson sabe das dificuldades em preparar os docentes. “Eles, os professores, foram formados em uma estrutura disciplinar. E o novo ensino médio acaba com as disciplinas e agora você tem aula em áreas de conhecimento”, explica.

Seja na escola particular, seja na pública, o professor tem o mesmo papel e, sendo assim, precisa ser valorizado e apoiado. Allyson Campina, do Colégio Motiva, sabe que para o aluno ser colocado no centro e o educador se tornar curador de conhecimento — outro desafio imposto com a lei que dialoga com a Base — os modelos precisam ser repensados. “Precisamos ser uma escola de aprendizagem porque o currículo anterior nos fazia ser uma escola de ensino e aí é preciso lembrar do grande Rubem Alves, o qual dizia que a gente deve ser professor de espanto, provocador.”


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Outubro de 2020.

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Pandemia reforça importância da escola

Disso vai resultar um novo ensino, com a velha fórmula: a escola não acaba, como previam alguns, nem o professor será substituído pelo Google. Ele assume o papel de articulador do conhecimento.

A instituição escola sempre foi muito criticada por não se renovar. Seu método datava de séculos e então tinha de mudar para não morrer. Nessa corrente foram incluídos os professores, que usariam modelos arcaicos de ensino, com aulas expositivas. E esse debate se arrastou por um bom tempo. Mas chegou a pandemia, colocou os alunos em casa, que então sentiram a falta das aulas presenciais, do afeto, porque educação é afeto, segundo Cristiano Rodrigues Batista, coordenador do Colégio Madre Alix, localizado na capital paulista, que acrescenta: “a ausência completa de contato deixou isso claro. A presença aproxima”.

Arthur Fonseca Filho é conhecedor do assunto escola particular. Além de dirigir o Colégio Uirapuru, em Sorocaba, interior de São Paulo, é um dos fundadores da Abepar (Associação Brasileira de Escolas Particulares). Sua opinião sobre os efeitos da pandemia nas escolas é que nunca elas foram tão valorizadas. “A sociedade não vive sem essa rotina escolar, porque é fundamental para o desenvolvimento da criança. E também o professor foi reconhecido como fundamental no processo de aprendizagem. A criança não vive sem escola, e esta, não vive sem o professor”, afirma.

Cristiano Batista, que comanda 38 professores no Madre Alix, diz que muitos estudantes pedem insistentemente a volta das aulas presenciais. “Mas o que se percebe é que essa mudança obrigou o aluno a aprender a estudar sozinho, a se organizar e acompanhar as aulas online. Esse contato virtual foi o que sobrou para se lembrar de como era seu mundo antes”, destaca.

Segundo Fonseca Filho, nesse período os vários métodos e experiências adotados criaram uma verdadeira geringonça. “Foi uma miscelânea, na verdade, tanto para as escolas que já tinham essa prática, embora seus cursos fossem presenciais, até escolas menores, que precisaram sair correndo para buscar uma alternativa”, desabafa. “Disso vai resultar um novo ensino, com a velha fórmula: a escola não acaba, como previam alguns, nem o professor será substituído pelo Google. Ele assume o papel de articulador do conhecimento. Outra consequência? As escolas vão ter de investir em tecnologia e na formação dos professores”, completa Fonseca.

Mas que mudou, mudou. Só que não se sabe exatamente o quê, ainda.  Os alunos sentiram falta da aula presencial e os depoimentos feitos aos professores asseguram isso. Que muitos pais quase piraram, não há dúvida. A diretora pedagógica do Colégio Santa Cruz, também na capital paulista, Debora Vaz, resume com propriedade. “É legítimo e saudável que as famílias e as próprias escolas sintam falta daquilo que estava bem dividido e bem resolvido. O aluno passou a ficar o tempo todo em casa, dividindo espaço com irmãos e pais, num esquema de vida pouco experimentado até então”, disse ela na publicação oficial da escola.

Esse isolamento trouxe alguns ensinamentos e tendências que as escolas vão ter de aproveitar, na opinião de Renato Laureato, diretor acadêmico do Colégio São Luís, localizado em São Paulo. “Houve a percepção do papel das metodologias ativas. O aluno passou a ser responsável pela aprendizagem, e com as novas ferramentas, temos de desenvolver outras habilidades e competências.”

Instituição tradicional de São Paulo, o Colégio São Luís tem outro ganho a comemorar, numa época de pouca comemoração. “Houve maior apropriação do corpo docente, necessária em tempos de estudo remoto”, diz Renato Laureato. Houve cuidado em tratar as crianças de acordo com a faixa etária. Alunos do infantil e fundamental 2 tiveram mais rodas de conversas, encontros, enquanto que do sexto ano em diante obedeceu-se à grade. Apesar dos 2.100 alunos, a maior preocupação que se nota no São Luís é tratar os estudantes um a um. Confessional, da igreja católica, foram trabalhadas muito as questões de fé e espiritualidade durante a pandemia.

Fernanda Ferreira dos Santos, professora de português do Colégio Palmares, em São Paulo, antes de falar da loucura que momentaneamente virou sua vida, gosta de lembrar que nesse período ocorreu um letramento digital. “Valeu para professores, principalmente aqueles mais velhos que achavam que estariam livres desse aprendizado, os próprios alunos, não sabiam mexer em Word, Excel, nada além do que faziam no dia a dia? Então foi muito bom”.  Mas a vida dela se transformou porque, além do Palmares, dá aula no Colégio Albert Sabin. “E aí, remotamente, cuidava de 550 alunos.”

Se os alunos não veem a hora da volta da aula presencial, explica Fernanda Santos, eles aprenderam a trabalhar de forma diferente, ganharam autonomia, organização. Outra experiência que deve continuar é o plantão remoto. Antes eu ficava fazendo nada, porque os alunos tinham preguiça de permanecer depois das aulas para tirar dúvidas. “A distância hoje tenho fila porque eles me acionam remotamente.” É um conjunto de detalhes que vai formar um novo mundo escolar, explica.

Avaliação remota, o desafio

Certamente, um dos desafios de 2020 para toda a rede de educação é como fazer uma avaliação correta por conta dessa excepcionalidade. “Não adotaríamos um modelo único de avaliação”, explica Debora Vaz, do Santa Cruz. “Isso quebraria um princípio da escola que acredita nas avaliações parciais, processuais, que valoriza a ideia de que os professores das áreas e das disciplinas têm saberes muito específicos sobre avaliação que precisam ser levados em conta”, escreveu ela.

O importante para Debora é ampliar a escuta, compreender as demandas dos professores, dos alunos e das famílias, agir em consequência desse aprendizado e manter-se sempre aberta às mudanças da realidade. “Estamos melhorando as nossas práticas, formulando perguntas cada vez melhores para a equipe, os alunos e os pais. Tudo isso para poder aprender sempre. A escola faz falta na vida das crianças, dos jovens e dos adolescentes. Queremos fazer dessa experiência um momento de aprendizagem”, afirmou na publicação.

Kênia Virginia S. Araujo Ferreira, diretora do Colégio São Francisco Xavier, também em São Paulo, conta que nesse período houve avanços com projetos de escuta e escrita terapêutica para os colaboradores, estudantes e seus familiares. “Por meio de momentos de diálogo em um formato remoto, exercitamos uma escuta empática”, diz. A diretora pedagógica, que tem 1.100 alunos sob a sua responsabilidade, conta à Educação que recebeu por e-mail relatos dos aprendizados e dos desafios que a comunidade está vivendo. “Dessa forma, intensificamos o acompanhamento, com foco na acolhida de sentimentos diversos, sensações e percepções acerca do momento e na busca por reflexão e ressignificação de sonhos e projetos de vida, assim como trazendo alívio emocional”, conclui.

O Colégio Santa Cruz publicou depoimentos importantes voltados para a comunidade interna, pais e educadores. Moises Zylbersztajn, por exemplo, é coordenador do Núcleo de Cultura Digital da tradicional instituição e acrescenta outras reflexões. “Na quarentena, os alunos consultam os colegas, a internet. Nessas circunstâncias, como produzir uma avaliação sobre o que eles aprenderam? Precisamos, talvez, de avaliações que abram caminho para que os alunos possam pensar por conta própria e apresentar reflexões originais e pessoais que naturalmente não são passíveis de plágio.”

Moises acredita também que é importante pensar em modelos de avaliação menos individuais. “Como os alunos estão conectados entre si, talvez a avaliação devesse levar em conta os trabalhos mais coletivos. Como podemos aproveitar melhor esse poder do coletivo?”, indaga.

A falta do afeto

No Recife, educadores estão sendo preparados para que a impossibilidade do contato físico não traga danos aos alunos

O Colégio ABA Global School, no Recife, Pernambuco, atende cerca de 670 alunos do infantil ao fundamental 2 e nesse período de isolamento estão com aulas digitais. Segundo Anarruth Corrêa, coordenadora do fundamental 1, houve desistência na educação infantil, com crianças de um ano e meio a dois anos. ”Havia duas turmas de um ano e meio, manhã e tarde. A da tarde foi fechada porque os pais foram cancelando”, revela. Sobre esse atual cenário que afeta também o psicológico dos alunos, a pedagoga Anarruth Corrêa prestou o seguinte depoimento à Educação:

“A gente percebe que uma criança ou outra manifesta um pouco de cansaço pelo tempo, mas não geral. O período de aula remota se estendeu porque o isolamento social se estendeu. Sempre se cria expectativa. Mas comprometimento psicológico não fica palpável, até porque estamos muito juntos das famílias e alunos.

No retorno presencial, acho que o que será mais difícil é que no Brasil e, principalmente no Nordeste, somos muito afetuosos, de abraçar e isso não vai ter. Não será possível na volta. Talvez algo seja gerado por não poder tocar no professor e aluno, mas já estamos preparando a equipe para que, por meio do olhar e do tom da voz, da forma de falar dos educadores, de fazer, eles compreendam esse momento.

O que virá depois, a gente não consegue vislumbrar. No retorno teremos isso mais concreto. De alguma forma, esse isolamento afetou, sim. Crianças que não têm irmãos em casa se ressentem mais porque ficam só com adulto. As que têm irmãos ainda possuem a brincadeira. São universos diferentes.

Vivemos um processo de acomodação. Tivemos de aprender muitas coisas em muito pouco tempo. Apesar da nossa escola trabalhar com tecnologia, computador, tablet, e eles já usarem um pouco essas ferramentas, não era algo constante. Tiveram de se reprogramar e se adaptaram muito rápido.

Isso é um processo de autonomia. Enquanto escola, falamos muito de autonomia e, nesse momento remoto, as crianças cresceram muito: organizam suas tarefas, acessam as ferramentas. Isso crianças pequenas, que a partir dos cinco anos conseguem inserir um arquivo, por exemplo. Elas têm uma plasticidade de aprendizagem impressionante, que já sabíamos, mas só se confirmou.

Construímos uma galeria virtual, fizemos um São João virtual, banda de forró com professores de música. Criamos outras possibilidades para que não haja o desinteresse. Mas há também a questão da responsabilidade do que propomos e do retorno que elas dão. 

Acho que houve uma mudança também para os professores, para a construção do processo pedagógico. Professor pôde colocar em prática coisas que na sala de aula às vezes não percebia. Eles passaram pelo momento remoto tão intenso, tiveram de gravar vídeos, o que não era da prática deles. Tudo isso foi de muita aprendizagem e não vão querer se libertar, vão querer trazer essa aprendizagem para o dia a dia do presencial, fará parte da rotina. Inclusão de um vídeo no tema, uma reunião com pais e alunos em plataformas virtuais. Construir outras ferramentas por meio da tecnologia. É uma aprendizagem através do olhar.

Nada, nada substituirá o presencial da escola física com todo mundo brincando, as crianças entrando e resolvendo seus conflitos, que são importantes para o desenvolvimento humano. E essa aprendizagem é presencial e não online. O online agrega, mas não substitui.”

Peripécias de um pai

A rotina do professor Felipe Valente se transformou na pandemia ao reestabelecer um novo relacionamento com seu filho

O professor Felipe Valente, de 38 anos, é separado e pai do Miguel, de 5 anos. O Miguel sempre estudou em tempo integral, e para ficar mais perto, Felipe alugou um apartamento ao lado da escola, com dois dormitórios. Ele sempre se esforçou para não ser o pai recreador, aquele que pega o filho a cada 15 dias para passear. “O Miguel sempre esteve muito comigo, quando tinha trabalho falava com a mãe, que ficava com ele.”

Tudo ia bem, até que de repente veio a pandemia. E o mundo desse pai e filho sofreu uma reengenharia. A mãe, trabalhando na área de saúde, teve de deixar Miguel full time com o pai. ”Aí eu sofri a pressão de um pai de verdade e ele conheceu o pai de verdade.” Felipe, que ensina história no Colégio Madre Alix, em São Paulo, teve de se reinventar, estabelecer um novo relacionamento com o filho. Ele que queria ser o melhor pai do mundo.

O processo de redescoberta gerou muita ansiedade. “O Miguel conheceu o pai real, não o melhor do mundo. Mas também descobriu que a alimentação que eu preparo é um ato de carinho. Ele percebeu que eu tenho de dar aula, e esse é o momento de ele brincar com o celular.” No capítulo comida, o Miguel reclamou certo dia que não estava boa. “Quando vi, tinha jogado o prato na parede. Uma loucura, mas esse é o pai real”. Felipe diz que esse sentimento de culpa, na separação, conduz a relação para algo que não é o que se vive na rotina diária familiar.

Antes, o professor comentava com os amigos sobre a sua dupla jornada. Morando sozinho, tinha de cuidar da casa quando chegasse e manter a ordem para receber Miguel. E eis que o menino chegou com mala e tudo. E em algumas vezes, mesmo tendo combinado se comportar durante as aulas de Felipe, a criança aparece pedindo algo, ou pegando o brinquedo mais barulhento da sua coleção — um momento de descontração na aula.

Felipe diz que muitos pais estão passando por algo semelhante, mesmo com pai e mãe juntos. Espaço exíguo, rotina destrambelhada, pressão do momento que a humanidade vive são fatores que desestabilizam. “Antes o Miguel tinha pai, mãe e escola em tempo integral. Hoje sou só eu. Esse é o drama da vida de professor: que aluno teremos quando chegar a hora da aula presencial?”

Felipe traça um paralelo com sua vida. “Qual é o adolescente que vem, depois de ter sido forçado a viver com a família? Todos nós estamos nervosos, porque não sabemos como vão voltar.” Se precisou se reinventar na função de pai, Felipe vai se desdobrar para receber seus alunos. “Eles demandarão tempo e cuidados. Vamos ter de garantir uma escola acolhedora, o espaço para as interações sociais, afinal eles se sentem entediados e com saudade da escola.”


Conteúdo originalmente publicado na Revista Educação – Outubro de 2020.

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#MeuFuturo: Planejamento completo da obra para download

Seguindo as novas diretrizes da Educação, o Ensino Médio agora pretende promover não só a formação intelectual dos estudantes, mas apoiar também seu desenvolvimento psíquico e social. É diante desse cenário que entram as obras de Projeto de Vida, como #MeuFuturo, uma novidade da FTD Educação para o PNLD 2021.

A obra parte do princípio que construir um projeto de vida requer autoconhecimento e protagonismo, possibilitando ao estudante pensar sobre seu projeto de vida de uma forma que tenha um reflexo positivo na esfera pessoal, cidadã e profissional.

E para apoiar ainda mais o professor na aplicação deste material, disponibilizamos aqui uma apresentação que irá nortear o planejamento e a organização das aulas, simplificando o trabalho com os estudantes.

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

Pensar, Sentir e Agir: Planejamento completo da obra para download

Implementar as obras de Projeto de Vida é uma novidade para o professor do Ensino Médio neste PNLD 2021. São materiais inéditos que convidam os estudantes a refletir sobre quem são, suas angústias, seus sonhos, suas necessidades e possibilidades. Para isso, utilizam estratégias que os ajudam a lidar com duas questões fundamentais: “Quem eu sou e quem eu gostaria de ser, na relação comigo mesmo, com os outros e com o mundo?”. 

Uma dessas obras é a Pensar, Sentir e Agir, que traz o estudante como protagonista de seu aprendizado na construção de um projeto de vida inspirador e que faça a diferença para si e para todos ao seu redor. 

E para apoiar ainda mais o professor na aplicação deste material, disponibilizamos aqui uma apresentação que irá nortear o planejamento e a organização das aulas, simplificando o trabalho com os estudantes.

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

Ver o Mundo – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: Apresentações dos projetos para download

Trabalhar projetos integradores com os estudantes do Ensino Médio é algo novo e repleto de desafios para o professor desse segmento. São muitas informações, dúvidas e caminhos a seguir. Por isso, nós preparamos materiais extras que vão esclarecer e simplificar a experiência de ensino, auxiliando o docente na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela.

Ver o Mundo – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas é parte da solução completa que preparamos para o PNLD 2021 – Ensino Médio. A obra traz 6 projetos integradores que privilegiam as vivências dos estudantes e suas realidades.

A proposta é trabalhar tópicos pertinentes aos problemas atuais que podem ser analisados com os referenciais teóricos, encorajando a reflexão, a criatividade e a participação dos estudantes.

E para apoiar ainda mais o professor de Ciências Humanas e Sociais na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada projeto, detalhando o planejamento das aulas e os passos de como trabalhar a obra com os estudantes.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
MidiaeducaçãoComunicação e cultura: Mídia: como passamos de consumidores a produtores?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilO consumo consciente: como os hábitos de consumo mudam o mundo?[BAIXE AGORA]
Mediação de ConflitosDemocracia e conflito: como promover a cultura de paz na escola?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilIdentidades, origens e espaços: a que lugar pertencemos?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoMemes, arte e política: como exercer nossa cidadania digital?[BAIXE AGORA]
STEAMSociedade e informação: como os bancos de dados podem ajudar a compreender a realidade?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

Ver o Mundo – Matemática e suas Tecnologias: Apresentações dos projetos para download

Neste momento de grandes transformações no Novo Ensino Médio, apoiar o trabalho do professor é muito importante. Por isso, preparamos materiais extras que vão simplificar a experiência de ensino, auxiliando o docente na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela.

Uma de nossas obras criadas para o PNLD 2021 é Ver o Mundo – Matemática e suas Tecnologias. A obra aborda temas contemporâneos em 6 projetos que desenvolvem as competências específicas do conhecimento matemático, demonstrando aplicações muito interessantes para os estudantes. 

E para apoiar ainda mais o professor de Matemática na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada um desses projetos, com detalhes do planejamento das aulas.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
STEAMAcessibilidade: o município em que moramos é acessível a todos?[BAIXE AGORA]
STEAMCompostagem: lixo é sempre lixo?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilConsumo: quais os impactos dos nossos hábitos?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilNossa escola: como contribuir e participar?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoPesquisa científica: o que é? Como fazer?[BAIXE AGORA]
Mediação de ConflitosTerras indígenas: existem conflitos?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

Ver o Mundo – Linguagens e suas Tecnologias: Apresentações dos projetos para download

O professor do Ensino Médio tem um grande desafio pela frente! Neste ciclo, são vários conteúdos novos e propostas diferentes, por isso preparamos materiais extras que vão esclarecer e simplificar a experiência de ensino, auxiliando o docente na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela.

A coleção Ver o Mundo – Linguagens e suas Tecnologias faz parte da nossa solução completa para o PNLD 2021 – Ensino Médio e é composta pelos componentes curriculares desta área: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física. 

Na obra, são trabalhados 6 projetos integradores que oferecem oportunidades para o estudante mobilizar seus conhecimentos, sua criatividade e seus interesses para realizar pesquisas e produções de temas importantes na esfera pessoal e na vida em sociedade.

E para apoiar ainda mais o professor de Linguagens na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada um desses projetos, detalhando o planejamento das aulas e os passos de como trabalhar a obra com os estudantes.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
MidiaeducaçãoO corpo na mídia: somos todos representados?[BAIXE AGORA]
STEAMDesign e comunicação: como afetam a convivência nos espaços?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoMídias sociais: estabelecemos uma relação saudável com elas?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilNarrativas e ancestralidade: qual é a sua história?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilO poder da sua voz: como transformar realidades?[BAIXE AGORA]
Mediação de ConflitosPráticas e diálogos: como melhorar a convivência na escola?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

+Ação na Escola e na Comunidade – Ciências da Natureza e suas Tecnologias: Apresentações dos projetos para download

Trabalhar com projetos integradores no Novo Ensino Médio traz a possibilidade de pensar de forma interdisciplinar, conectando os conhecimentos e as vivências dos estudantes para uma nova metodologia de ensino e aprendizagem. E diante de tantas novidades, oferecemos materiais extras para apoiar o trabalho docente na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela!

A obra + Ação Ciências da Natureza e suas Tecnologias é um grande destaque que preparamos para o PNLD 2021 – Ensino Médio. O material reúne 6 projetos integradores que trabalham temas alinhados com importantes problemáticas contemporâneas sem deixar de lado o estímulo ao protagonismo, à autonomia e à criatividade dos estudantes.

E para apoiar ainda mais o professor de Ciências da Natureza no trabalho com este material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada um desses projetos, com sugestões de planejamento das aulas:

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
STEAMÁgua da chuva: é possível utilizá-la?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilAlimentação saudável: qual é a importância?[BAIXE AGORA]
Mediação de ConflitosFake news: como identificá-las e combatê-las?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoFicção científica: ciência ou ficção?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilModa e consumo: como praticar ações sustentáveis?[BAIXE AGORA]
STEAMPlásticos: por que substituí-los? [BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

+Ação na Escola e na Comunidade – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas: Apresentações dos projetos para download

O momento em que vivemos é muito importante para a Educação, é um verdadeiro marco de transição para o nosso Ensino Médio. E diante deste cenário transformador, continuamos apoiando o trabalho de professores com conteúdos extras e materiais que simplificam essa jornada repleta de desafios.

Conheça agora uma de nossas obras criadas para o PNLD 2021! +Ação – Ciências Humanas e Sociais foi pensada para desenvolver o estudante de modo que ele possa trabalhar a investigação e a coleta de dados, solucionando problemas contemporâneos e desenvolvendo sua criatividade e autonomia.

Apoiando ainda mais o professor de Ciências Humanas e Sociais na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada projeto da obra, detalhando o planejamento das aulas e os passos de como trabalhar o material com os estudantes.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
Protagonismo JuvenilEscravidão: somos todos livres?[BAIXE AGORA]
Mediação de conflitosEstatuto da Juventude: por que precisamos conhecer?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilPovos e comunidades tradicionais: quem são?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoRádio: como envolver a comunidade?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoRefugiados: como vivem no Brasil?[BAIXE AGORA]
STEAMSustentabilidade: que ações contribuem?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

+Ação na Escola e na Comunidade – Matemática e suas Tecnologias: Apresentações dos projetos para download

Trabalhar projetos integradores é uma grande novidade para estudantes e professores do Ensino Médio. Com este novo trabalho, surgem muitas perguntas e possibilidades, por isso nós preparamos conteúdos que simplificam o trabalho docente, apoiando o professor na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela.

A proposta da coleção +Ação Matemática e suas Tecnologias é trazer por meio de 6 projetos integradores temas do cotidiano que mobilizem conhecimentos matemáticos, aliados a conhecimentos de outras áreas, tornando-os ferramentas para a resolução de problemas reais.

Com atividades de caráter investigativo, a obra posiciona o estudante como protagonista, desenvolvendo os projetos em diversas etapas e criando um produto ao fim do processo.

E para apoiar ainda mais o professor de Matemática na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada projeto, detalhando o planejamento das aulas e os passos de como trabalhar a obra com os estudantes.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETO
STEAMÁgua: como reutilizar esse recurso?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilAlimentação saudável: como cultivar o que se come?[BAIXE AGORA]
STEAMArquitetura: como construir com sustentabilidade?[BAIXE AGORA]
Mediação de conflitosJogos: eles podem ajudar a resolver conflitos?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilOrçamento: como cuidar do nosso dinheiro?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoResultados de pesquisas: como são obtidos e divulgados?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

+Ação na Escola e na Comunidade – Linguagens e suas Tecnologias: Apresentações dos projetos para download

No PNLD 2021, os caminhos do Novo Ensino Médio possibilitam um trabalho integrado e transformador, repleto de mudanças para professores e estudantes. Para este momento desafiador, preparamos conteúdos de apoio que irão simplificar o trabalho docente na implementação deste novo modelo de ensino.

+Ação Linguagens e suas Tecnologias faz parte da nossa solução completa para o PNLD 2021 – Ensino Médio e é composta pelos componentes curriculares desta área: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física. 

A obra desenvolve todas as competências e habilidades exigidas pelo Novo Ensino Médio e é uma ótima oportunidade para desenvolver o protagonismo juvenil por meio de seus projetos integradores, que propõem soluções que contribuem para a transformação social, refletindo sobre os mecanismos linguísticos, contextos e práticas de linguagens.

E para apoiar ainda mais o professor de Linguagens na compreensão e na implementação deste material, disponibilizamos aqui uma série de apresentações sobre cada um desses projetos, detalhando o planejamento das aulas e os passos de como trabalhar a obra com os estudantes.

Confira abaixo e faça o download:

TEMA INTEGRADORPROJETODOWNLOAD
STEAMAcessibilidade: os museus são para todos?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoImagens: manipulamos ou somos manipulados?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilJuventudes: como valorizar as manifestações e cultura juvenis na escola?[BAIXE AGORA]
MidiaeducaçãoMídias digitais: é tudo verdade?[BAIXE AGORA]
Mediação de conflitosPapo aberto: como mediar conflitos na escola?[BAIXE AGORA]
Protagonismo JuvenilSustentabilidade: como reduzir os impactos ambientais por meio do consumo consciente?[BAIXE AGORA]

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

PNLD 2021: Apresentações das obras para download

Professor, você já sabe que o momento é de muitas mudanças na Educação, com o Novo Ensino Médio sendo aplicado nas escolas de todo o país! São muitos desafios, novidades e informações diferentes para assimilar, por isso, é natural que ocorram algumas dúvidas sobre as transformações que estão por vir.

Como parte da nossa solução repleta de conteúdos e materiais que apoiam você nessa transição, desenvolvemos apresentações sobre cada projeto das obras aprovadas no PNLD 2021

Essas apresentações norteiam o planejamento e a organização das aulas, trazendo os passos de como trabalhar cada projeto com os estudantes.

Acesse a página de cada obra para fazer o download:

Obras de Projetos Integradores 

Ver o Mundo – Linguagens e suas Tecnologias
Ver o Mundo – Matemática e suas Tecnologias
Ver o Mundo – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
+Ação na Escola e na Comunidade – Linguagens e suas Tecnologias
+Ação na Escola e na Comunidade – Matemática e suas Tecnologias
+Ação na Escola e na Comunidade – Ciências Humanas e Sociais Aplicadas
+Ação na Escola e na Comunidade – Ciências da Natureza e suas Tecnologias

Obras de Projeto de Vida

#MeuFuturo
Pensar, Sentir e Agir

Os materiais digitais e apresentações não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

PNLD 2021: Conheça a solução completa da FTD Educação para o Novo Ensino Médio

Professor, você já deve saber que muitas novidades surgiram na estrutura e também na elaboração do Novo Ensino Médio. Agora, o desenvolvimento do estudante passa a ser de forma integral e os temas estudados são interdisciplinares e relacionados aos problemas do cotidiano. 

Diante desse cenário, a FTD Educação preparou uma solução completa com obras de Projetos Integradores e Projeto de Vida.

Neste vídeo, contamos tudo sobre essas obras para o PNLD 2021, esclarecendo tópicos como: a aprendizagem por projetos e seus benefícios, de que maneira podemos trabalhar os projetos integradores de forma eficaz, como os temas desses projetos podem auxiliar no desenvolvimento integral do estudante, entre outros assuntos.

Assista e entenda em detalhes a importância de escolher e também como trabalhar as obras de Projetos Integradores e Projeto de Vida:


Professor, também preparamos apresentações para simplificar a experiência de ensino, auxiliando você na implementação dos conteúdos aplicados em sala de aula e fora dela.

Os materiais digitais em formato apresentação não fazem parte nem foram avaliados em programas governamentais. Trata-se de uma iniciativa gratuita da FTD Educação para todas as escolas brasileiras.

Revista Mundo Escolar – 10ª edição

Uma edição histórica que aborda tudo o que os professores e os gestores escolares precisam saber para encarar um ano tão cheio de mudanças para o Ensino Médio.

Como de costume, a revista Mundo Escolar traz um tema muito relevante para a comunidade escolar. E o assunto em destaque das nossas páginas não poderia ser outro: O Novo Ensino Médio

Em cada uma das páginas, abordamos os principais tópicos dessa grande e importante mudança para o futuro de milhares de jovens estudantes. Para quem é professor, é uma forma simples e didática de entender quais os principais desafios propostos pelo MEC e como aplicados no plano de aula.

Além disso, você vai ficar por dentro do que são os Projetos de Vida e Projetos Integradores, materiais didáticos que vão mudar a rotina da sala de aula e também fora dela, uma vez que exigirá maior diálogo entre os professores que compõem a mesma área do conhecimento.

Preparado para muito conhecimento?

A revista Mundo Escola é gratuita e está disponível para download. Basta clicar no link abaixo e garantir a sua edição.

Boa leitura!

Revista Mundo Escolar – 11ª edição

Enquanto as primeiras letras dessa carta a você, leitor, são redigidas, ainda estamos vivenciando os ecos de um isolamento social que tirou das aulas presenciais um contingente de 47 milhões de alunos no Brasil – isso, sem citar os efeitos mundiais dessa crise.

Em meio à turbulência, lições foram aprendidas. Vimos surgir, diante de nossos olhos, relatos de emoção e dedicação, de professores que ultrapassaram barreiras físicas, tecnológicas e econômicas, para levar conhecimento à sua turma escolar. Do outro lado, crianças e adolescentes abnegados, hiperconectados e criativos, que se esforçaram para vivenciar essa nova rotina – uma rota que foi recalculada, sem prazo para voltar ao “antigo normal”.

Há, é claro, espaço para sérios problemas estruturais. Desigualdade no acesso aos materiais e devices para acompanhar as aulas. Falta de padronização e metodologia na condução das atividades e um preocupante índice de evasão escolar.

“Acredito que todas as escolas devem ter um cuidado muito forte com o acolhimento e os aspectos socioemocionais, em especial com alunos adolescentes e jovens, diante do que vivenciaram no período do isolamento”, ressalta a presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE), Maria Helena Guimarães de Castro, em entrevista nas páginas internas.

A edição nº 11 da revista Mundo Escolar traz um olhar para as mudanças, desafios e novidades que serão implementadas em 2021. Meses preenchidos com temas como o retorno gradual das atividades presenciais, o uso de ferramentas tecnológicas nos processos educacionais, a continuidade da implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), as metodologias ativas e suas possibilidades e, é claro, as novas formas de interação para o ambiente escolar.

Tabus foram quebrados, algumas resistências educacionais também, mas a comunidade escolar agora tem desafios consideráveis a enfrentar. O time de especialistas da FTD Educação é um aliado nessa jornada, explorando diversas linguagens, tecnologias e possibilidades de mediação, com a missão de entregar conteúdo de qualidade a educadores de todo o país.

Cartazes para Retomada das Aulas Presenciais

O ano de 2020 foi desafiador e agora chegou o momento de pensar na continuidade do trabalho pedagógico em 2021, mantendo a comunicação constante com a comunidade escolar sobre os protocolos de segurança. 

Foi pensando nessas necessidades que a FTD Educação desenvolveu os Cartazes para Retomada das Aulas Presenciais, um apoio na comunicação para os nossos municípios parceiros, adotantes do SIM Sistema de Ensino (público). 

Aqui você encontrará suportes para comunicação com as famílias e cartazes para facilitar a interação entre professores e estudantes, específicos para cada faixa etária. 

Faça o download e confira!

[eBook] Programa ETIS – Educação em Tempos de Isolamento Social

Diante das transformações impostas neste ano, a FTD Educação se colocou ao lado das escolas parceiras e realizou diversas medidas para apoiar as equipes escolares na continuidade das ações. Assim, nasceu o Programa ETIS (Educação em Tempos de Isolamento Social), com a iniciativa de promover webinários formativos, conduzidos por especialistas a partir da curadoria de conteúdos assertivos para as demandas emergenciais dos professores e alunos da rede pública.

O Programa ETIS trata de envolvimento com a Educação e com quem faz a diferença por meio dela, e é sustentado pelos seguintes pilares: foco na escuta ativa, fortalecimento da parceria com os municípios, presença significativa, busca de soluções e um grande trabalho em equipe.

Nós acreditamos no professor, em seu potencial e em seu protagonismo. Perante tantas dúvidas, inquietações e medos, buscamos articular questionamentos, conhecimentos e atitudes por meio desse programa. Por isso, a sequência das temáticas, a escolha dos especialistas, os exemplos dados nas lives, focando a realidade das escolas públicas, o olhar cuidadoso das consultorias educacional e comercial criaram uma rede de apoio considerando o desenvolvimento de todos.

Para consolidar esse conteúdo, disponibilizamos dois eBooks completos, com resumos de todas as formações, assim como os depoimentos de nossos parceiros. Clique abaixo para fazer o download dos materiais:

Google for Education lança guia de atividades para aprendizagem a distância.

A Google for Education lançou o e-book Inovar de onde estiver – Um guia de atividades para a aprendizagem a distância. O material tem o objetivo de ajudar educadores e pais com possibilidades de atividades que podem ser realizadas de maneira presencial ou mesmo de forma híbrida e/ou remota. As atividades são focadas em alunos de todas as faixas etárias: da Educação Infantil ao Ensino Superior.

Você já conhece a Google for Education? Essa é uma plataforma colaborativa que engloba várias ferramentas educacionais que buscam aperfeiçoar o ensino, facilitando a vida de professores e alunos na sala de aula e fora dela.

O que é a cultura de doação e como ela pode impactar positivamente e transformar a sociedade

A cultura de doação é a forma como um indivíduo se percebe no ato de doar, isto é, em que medida ele acredita que é parte responsável pela transformação positiva da sociedade.

A expressão cultura de doação começou a ser usada no Brasil no início de 2010, com a estruturação de um movimento por uma cultura de doação que mapeia, articula e cria condições para estimular o cultivo e o florescimento de um país mais consciente e doador.

Leo Fraiman, psicoterapeuta e fundador da Metodologia OPEE, aprofunda esse assunto complexo e multidimensional no volume do 9º ano na obra Projeto de Vida e Atitude Empreendedora. Para conferir o trecho do livro, é só clicar abaixo:

Manifesto pelo Pacto Educativo Global

O lançamento do Manifesto pelo Pacto Educativo Global é uma realização do Integra Confessionais – uma área educacional da FTD Educação inteiramente dedicada ao atendimento, acompanhamento e apoio pedagógico e institucional a Redes Confessionais.

O Manifesto foi criado a partir dos registros do VII Encontro – Integra Confessionais e tem o objetivo de documentar a construção coletiva, colaborativa e fraterna para formar uma Comunidade Educativa, Humana, Integral e comprometida com o bem comum.

O Manifesto está organizado em três partes, a primeira visa o histórico do Compromisso da Igreja Católica com a Educação, a segunda, as falas dos representantes da CNBB, CRB, ANEC, CIEC, CELAM, UMBRASIL, PUCPR e FTD sobre o comprometimento e engajamento das mesmas, e, por fim, um apanhado de Boas Práticas, que são Ações Concretas – da FTD Educação e das Redes Educacionais que fazem parte do encontro.

A FTD Educação juntamente com todas as instituições formaram uma força-tarefa para assegurar uma presença significativa, emocional e pedagógica perante profissionais da Educação e comunidade.

E, por meio desse manifesto, a FTD Educação acolhe o chamado do Papa Francisco e, juntos, estaremos comprometidos para colaborar e caminhar como Aldeia Global.

Ceciliany Alves Feitosa – Diretora Educacional Produtos e Serviços da FTD Educação.


Para ler o Manifesto completo e entender todas as propostas, clique no botão abaixo e baixe o e-book.

A nossa missão é apoiar a sua!

Podcast – Neurociências e Práticas Avaliativas

Estamos encerrando a websérie “Educação em Foco”, e nada melhor do que refletir sobre as neurociências (no plural!) e as práticas avaliativas! Neste episódio contamos com a presença super especial destes três professores: a Verônica Bressan, do B-LAB, nossa mediadora, a Gabriela Pelozone Lima, consultora da FTD Educacional e o Dr. Luís Vicente Ferreira!