Como fortalecer as competências digitais dos professores?

Há muito se fala sobre a inserção de tecnologia na Educação. No entanto, o atual contexto exigiu o distanciamento social e fez com que, um assunto que estava no campo dos debates, se tornasse uma necessidade.

Nós, professores, estávamos bem habituados com as atividades presenciais em sala de aula. Para muitos, a utilização das ferramentas digitais se limitava à utilização de processadores de textos, elaboração de slides e utilização de internet para pesquisas.

No entanto, cabe destacar que estamos no século XXI e o desenvolvimento tecnológico pede profissionais que tenham competências para atuar neste novo contexto.

Com base no exposto, fomos buscar um referencial que pudesse nos esclarecer sobre como preparar o professor para este novo contexto. Assim, encontramos dois artigos, ambos publicados em 2020, o primeiro de Garzón-Artacho e colaboradores, na revista Sustainability, e o segundo de Varela-Ordorica e colaboradores, na Revista Electrónica Educare.

Para iniciar, Garzón-Artacho e colaboradores destacaram que o professor do século XXI é aquele que possui competências para conduzir os estudantes no processo de aprendizado assistido por tecnologia.

Neste aspecto, precisamos urgentemente de professores que tenham competências digitais para desenvolver os indivíduos para o futuro e para essa sociedade que está se desenhando.

E, qual seria o caminho para desenvolver e fortalecer as competências digitais dos professores?

Com base nos dois artigos, extraímos três estratégias recomendadas para desenvolver as competências digitais dos professores que destacaremos a seguir:

1. Proporcionar maior facilidade de acesso às tecnologias

Os autores afirmam que o acesso aos equipamentos, aos softwares e à rede deve ser observado, pois constitui um fator importante para que o professor possa aderir o uso de ferramentas digitais.

Um país continental como o Brasil seria muito beneficiado com as tecnologias mas, temos também uma desigualdade de igual extensão de acesso não apenas de professores mas de estudantes também. 

2. Crenças em relação à tecnologia

Os pesquisadores apontaram que existe uma distinção entre os usuários de internet. Assim, há aqueles que cresceram, desde o início de suas vidas, imersos na tecnologia, são os chamados nativos digitais. Há ainda aqueles os quais a tecnologia nem sempre foi presente e, cresceram em ambiente analógico, são os chamados imigrantes digitais.

Os artigos apontam que esta diferença de exposição tecnológica pode influenciar em como o professor vê as ferramentas digitais e como acredita ser possível a incorporação dessa em sua sala de aula. Assim, o uso ou não da tecnologia está condicionado não apenas aos conhecimentos e habilidades, mas às suas atitudes e crenças em relação a ela.

Logo, haveria uma probabilidade menor de implantação de inovação em sala de aula se esta não estiver alinhada aos valores, crenças e práticas pedagógicas adotadas pelos professores e suas instituições.

Importante aqui é incentivar a mentalidade de crescimento dos professores, a autoeficácia e a cultura de aprender a aprender sempre.

3. Conhecer as ferramentas digitais e saber utilizá-las no contexto educacional

Os autores afirmam que é importante que professores conheçam as ferramentas digitais. No entanto, como já foi explicado anteriormente, apenas conhecer não é o suficiente para que sejam utilizadas com eficiência.

Os artigos afirmam que as ferramentas digitais estão por toda parte e, com o desenvolvimento tecnológico, tendem a cada dia estarem mais presentes no cotidiano das pessoas.

No entanto, elas podem ser inúteis caso não sejam adequadamente e significativamente integradas ao processo de aprendizagem, devendo ser adequadas ao contexto pedagógico, conforme afirmam os pesquisadores. Assim, o professor deve ter competências digitais suficientes para que este processo ocorra.

Os artigos apontam que a dificuldade em utilizar as ferramentas digitais aliada ao desconhecimento de metodologias ativas, faz com que professores repliquem uma aula tradicional no contexto digital, realizando apenas a curadoria de conteúdos. Desta forma, os professores devem ser competentes para protagonizar a produção e o compartilhamento de seus próprios conteúdos digitais.

Os dispositivos eletrônicos como o computador, tablet e celular, contêm muitos elementos que sequestram a atenção dos estudantes. Neste sentido, se faz importante pensar que as estratégias de metodologias ativas, alinhadas ao conhecimento de ferramentas digitais e conteúdos protagonizados pelos professores poderiam proporcionar maior engajamento dos estudantes.

Assim, os artigos defendem que os professores necessitam compreender e, também ter a habilidade em adotar novos formatos de sala de aula, como por exemplo, a utilização de aprendizagem baseada em projetos, sala de aula invertida, Trezentos, Summaê ou outras metodologias ativas com o apoio das ferramentas digitais.

Os autores apontam também a importância da incorporação de programas que fortaleçam as habilidades tecnológicas em conjunto com as pedagógicas para desenvolvimento das competências digitais dos professores.

Os artigos concluem que é importante compreender que, se não houver o uso adequado das tecnologias e das ferramentas digitais, o ensino não poderá ocorrer de maneira eficaz e impactará nos resultados de aprendizagem dos estudantes.

E, para auxiliar no desenvolvimento destas competências digitais, disponibilizamos aqui o link para nosso e-book: 20 Ferramentas Digitais para Educação On-line em Formato de Infográficos. Usem sem moderação!

Referências
Garzón-Artacho, E.; Martínez, T.S.; Ortega Martín, J.L.; Marín Marín, J.A.; Gómez García, G (2020). Teacher Training in Lifelong Learning—The Importance of Digital Competence in the Encouragement of Teaching Innovation. Sustainability, 12, 1-13.
Varela-Ordorica, Sandra Araceli, & Valenzuela-González, Jaime Ricardo (2020). Use of Information and Communication Technologies as a Transversal Competence in Teacher Training. Revista Electrónica Educare, 24(1), 172-191.

Thaís Fragelli

Thaís Fragelli

Graduada em Fisioterapia, Especialista em Neuroaprendizagem, Mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília. Possui experiência com educação corporativa, docência nível técnico, superior, residências médica e multiprofissional, pós-graduação com metodologias ativas, colaborativas, ágeis, significativas. Recebeu o prêmio na área de desenvolvimento de competências e foi finalista do Prêmio Educação Empreendedora do SEBRAE em 2019. Pesquisadora de estratégias de ensino-aprendizagem voltadas ao desenvolvimento de competências, neurociência e inovação.