É hora de descansar

O que foi 2020? A vida de todos mudou completamente e percebemos que o cansaço do final de ano e fechamento das notas parece estar maior, não é mesmo?

Meu convite hoje é para dedicarmos os dias finais de dezembro para realmente descansarmos e começarmos um 2021 com energia e otimismo. Afinal, além de cansaço, a pandemia impactou a realidade da educação brasileira e mundial como nunca antes vimos. Acompanhando redes públicas e privadas, vemos como alguns dos estudantes não conseguiram acompanhar praticamente nada das aulas remotas e como teremos um grande trabalho de busca ativa e retomada da vida escolar em 2021.

Uma das pessoas que será mais influente nesse processo é você, educador. Como referência para os estudantes e para a comunidade escolar, entendemos cada vez mais que é a sua voz que ecoa e é ouvida pelas famílias, responsáveis e estudantes. Por isso, ela não pode estar rouca, cansada ou em tom de desacreditada. 

Você precisa entrar no ano que vem descansado(a) e com toda a energia possível para continuar seguindo e defendendo o motivo que fez entrar nessa carreira: uma educação de qualidade para todos. Junto com os gestores das redes privadas e públicas, vamos precisar identificar os estudantes que tiveram a educação mais impactada pela pandemia, convencê-los de que continuar na escola é importante para seus projetos de vida e trabalhar muito para eliminar defasagens educacionais e até mesmo emocionais.

Tenho certeza que você terá muitos parceiros em 2021 para essa retomada. Entretanto, para que você fique bem e tenha energia pra seguir o trabalho com propósito, se permita ficar alguns dias jogado(a) no sofá, assistindo televisão aberta e trocando com pessoas que você gosta.

Bom descanso e contem comigo!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Saudades da energia das trocas presenciais

Ninguém aguenta mais falar de pandemia. Estamos num momento em que desejamos mais do que tudo sair de casa, encontrar pessoas que a gente gosta e sentir a energia das conexões e das trocas.

Tenho o privilégio da minha seção eleitoral ser na escola onde estudei a maior parte da vida e onde fui educador em um curso extracurricular bastante disruptivo, que reunia jovens de 10 a 14 anos para fazermos transformações positivas no bairro. Quando pisei na escola, lembrei das tardes de quarta-feira e de toda a energia que trocava com aqueles jovens, das conversas que tínhamos sobre o objeto do curso e principalmente as trocas sobre nossas vidas e tudo que eles estavam descobrindo durante essa etapa da transformação que eles viviam.

Logo fiquei imaginando como os professores e professoras que tinham encontros diários com suas turmas e que estão há meses sem ter essas trocas. A gente reclama, é uma rotina cansativa, mas acho que a maior parte das pessoas está com saudades dessa energia do encontro e, principalmente, do alto nível de energia trocada em momentos de aprendizado.

A volta às aulas ainda é um assunto temido – com razão – pelos professores e alguns familiares e desejado por outras pessoas. Precisamos nos cuidar e torcer para que todos esses momentos voltem o mais logo possível. Fiquem bem!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Educar para estudantes fazerem boas perguntas

Durante a pandemia, tenho conversado com muitos estudantes de Ensino Médio de realidades diferentes. Uma coisa me chamou a atenção na maioria dessas conversas: as que mais me impressionaram, eram ótimos questionadores. As trocas que mais me incomodaram foram com jovens que tinham receio de fazer perguntas ou os que buscavam respostas certas.

Por isso, minha provocação é: você desenvolve seus estudantes para serem curiosos e fazerem boas perguntas? Isso vai ser fundamental tanto no dia a dia da escola quanto no mercado de trabalho. Tudo isso parece um pouco clichê, mas precisa ser reforçado.

Eu mesmo tenho feito um desafio pessoal de fazer pelo menos uma pergunta que eu consideraria “boba” por dia. Em algumas situações, ela realmente não tem sentido (e tenho tentado identificar o que eu não reparei/levei em consideração para ter ficado com essa dúvida). Em outros momentos, elas se mostram como dúvidas complexas e que todo o grupo também tinha.

Por isso, sugiro incentivar seus colegas, seus estudantes e você mesmo a serem bons “perguntadores”. Trago duas dicas práticas para isso:

  • abra um espaço nas aulas virtuais para que o grupo faça perguntas pelo microfone ou pelo chat. As perguntas por escrito podem facilitar a expressão de estudantes tímidos, que não querem se expor em momentos que outras turmas estão online na mesma aula
  • faça um exercício de responder um diálogo com uma pergunta ao invés de uma afirmação pelo menos 3 vezes ao dia. Isso tira um pouco das suas certezas e te coloca em um lugar de curiosidade

Com qual pergunta você ficou na cabeça? Me escreve no caiodib@caiodib.com.br para conversarmos mais!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Professores são contadores de histórias e criadores de experiências

Nesse momento de pandemia, ficamos um pouco desnorteados sobre o que fazer com as aulas on-line. Afinal, como continuar com a qualidade de aulas presenciais em um ambiente no qual cada estudante está na sua casa, com diversas distrações, conectividade duvidosa e com a câmera fechada?

Os desafios são vários, mas estou aqui pra lembrar você que educadores são exímios contadores de histórias e designers de experiências. Afinal, é você que entra numa sala com 30-40-50 estudantes, cria uma narrativa e usa várias estratégias para compartilhar tudo que sabe sobre o assunto da aula e encantar a turma na sua disciplina. No dia a dia pré-pandemia, muitas vezes esse talento – e muita experiência! – passavam batido.

Agora, a concorrência pela atenção aumentou. São várias abas abertas no navegador, distrações familiares, televisão e tudo que acontece ao redor. Meu convite é para você relembrar sua potência e buscar energia para continuar sendo a pessoa que encanta grupos falando de Português, Matemática, Química e outras disciplinas que podem ser muito interessantes para alguns e distantes para outros.

O ambiente virtual tem suas diferenças

Para isso, é importante lembrar que os espaços presencial e virtual são diferentes. Compartilho aqui algumas dicas, que você pode conferir de maneira mais aprofundada no e-book que lancei com alguns amigos “A escola na pandemia: 9 visões sobre a crise no ensino durante a pandemia”, com download gratuito no link: https://bit.ly/2HpL6m0

  • A chegada não conta mais com a inércia: é muito importante pensar em pequenas dinâmicas que possam ser feitas on-line. As pessoas precisam ser fisgadas para estarem atentas e curiosas na sua aba do navegador.
  • Dinamismo e múltiplas estratégias: na sala de aula, mesmo a aula expositiva pode trazer elementos de dinamismo para os estudantes quando o(a) professor(a) se aproxima, fala mais alto ou faz algum movimento na frente da sala. No on-line, isso se torna mais difícil. Nesse novo ambiente, não é “pecado” fazer aulas expositivas, mas também é interessante intercalar partilha oral do conteúdo com momentos de debate e de atividades práticas.
  • “Posso ir ao banheiro” digital: fazer acordos coletivos pode ser um caminho para que os estudantes não percam partes importantes da aula porque foram ao banheiro ou buscaram alguma coisa na geladeira.

Você está conseguindo resultados positivos nas aulas on-line? Me escreve para compartilhar essa experiência pelo caiodib@caiodib.com.br!

Boa sorte e contem comigo!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.