Aprender com Mucambo

Há uma tendência no país de enviar professores à Finlândia para conhecer melhor a interessante abordagem que eles adotam em educação. Queremos saber como são as aulas, qual o currículo e como eles conseguem assegurar aprendizagem a todos, de forma aprofundada e coerente com as demandas do século 21.

De fato, faz muito sentido olhar o que nações com bons sistemas educacionais fazem e não precisar reinventar a roda. Assim, por vezes compensam os custos de uma viagem como essa para “conhecer “in loco” o que vem sendo feito.

Há, porém, algumas questões a considerar: há várias décadas, o país tornou, em conflito com a universidade, a formação inicial dos professores profissionalizante e o acesso à carreira mais seletivo. Isso trouxe não só um preparo mais adequado, como uma valorização muito importante à profissão. A abordagem dada e as demais transformações decorrem desta primeira e tornam o modelo não tão fácil de replicar.

Assim, enquanto tentamos pôr em prática o que estabeleceu a nova Base Nacional Docente recomendada pelo Conselho Nacional de Educação e avançamos na implementação da BNCC, talvez faça sentido olhar para o Brasil e aprender com boas práticas já adotadas em estados e municípios que se destacaram no último IDEB.

Vale a pena, neste sentido, olhar para Mucambo, o melhor município do País na avaliação de 2019. Esta cidade do interior do Ceará, de pouco mais de 15 mil habitantes, já tinha um bom IDEB, para padrões brasileiros, mas deu um salto e superou Sobral nos anos iniciais. 

Seu crescimento foi inspirado na cidade que o antecedeu no ranking e se beneficiou de uma parceria com o estado. Mas o que eles fizeram não é difícil de replicar em outras partes do Brasil. Mucambo adotou a seguinte estratégia:

– Parceria entre escola e família, inclusive com visitas domiciliares;

– Trabalharam com dados de aprendizagem do município, de cada sala e de cada aluno, a partir de Avaliações Formativas unificadas;

– Estabeleceram metas para cada sala de aula e cada escola; 

– Criaram um bom sistema de recuperação de aprendizagem;

– Investiram em formação continuada colaborativa entre os professores.

De fato, isso não parece impossível de ser adotado em outras cidades e escolas!

Claudia Costin

Claudia Costin

Claudia Costin é fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas. Foi diretora global de Educação do Banco Mundial, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, professora da PUC-SP, do Insper, da Enap (Canadá) e mais recentemente da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard. Foi ministra da Administração e Reforma do Estado, secretária de Cultura do Estado de São Paulo e secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro.

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Dar de volta ou a Educação para valores

Há uma expressão muito usada em países de língua inglesa para se referir ao imperativo ético de ajudar o próximo como uma lembrança de você também foi ajudado, seja por outras pessoas, instituições, profissionais mais experientes ou condições associadas ao seu nascimento, o “give back”, literalmente devolver. Assim, alguns “dão de volta” à escola em que estudaram, na forma de doações ou bolsas para alunos mais pobres, outros ajudam quem lhes deu a mão e agora se encontra em dificuldades e ainda há quem dá de volta para seres humanos em sofrimento.

Sim, trata-se de caridade, mas há uma atitude de humildade associada ao gesto que o torna mais bonito: trata-se de devolver à vida aquilo que ela nos deu. Assim, não temos o direito, neste caso, de nos vangloriar da nossa generosidade.

Lembro dessa expressão, sempre que meu pai me vem à memória. Ele era romeno e veio ao Brasil, fugindo de seu país, logo após a segunda guerra mundial. Quando éramos crianças, sempre dizia: “Não se esqueçam de que o Brasil nos recebeu de braços abertos. Precisamos ajudar o país em tudo o que nos for possível”. 

Esta atitude deveria fazer parte da educação familiar e escolar de todas as crianças e jovens. Ter oportunidades interessantes – viajar, conhecer lugares bonitos, dispor de certos bens – não é feio ou algo que deveria nos envergonhar e sim algo que nos conclama à ação. Pude estudar numa boa escola, que tal oferecer bolsas de estudo para quem não pode fazê-lo? Conto com um bom plano de saúde, que tal ajudar hospitais públicos ou filantrópicos? Colegas me ajudaram, que tal mentorar profissionais em início de carreira?

Não estamos, evidentemente, falando de um fenômeno novo. Há muito tempo que escolas tentam mobilizar as famílias para apoiar ações meritórias, desde voluntariado em construção de casas para populações vulneráveis, prática frequente no Ensino Médio americano e europeu, passando por entrega de víveres para pessoas em risco nutricional ou até reforço escolar para alunos com dificuldades, dado por seus colegas.

A BNCC enfatiza a importância desses aprendizados em escolas seja associando-os a empatia, a colaboração ou a protagonismo juvenil, competências que serão úteis mais tarde para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho. Mas mais importante, a noção de que recebemos da vida e precisamos dar de volta nos torna definitivamente mais humanos.

Claudia Costin

Claudia Costin

Claudia Costin é fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas. Foi diretora global de Educação do Banco Mundial, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, professora da PUC-SP, do Insper, da Enap (Canadá) e mais recentemente da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard. Foi ministra da Administração e Reforma do Estado, secretária de Cultura do Estado de São Paulo e secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro.

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Aprender com Mucambo

Há uma tendência no país de enviar professores à Finlândia para conhecer melhor a interessante abordagem que eles adotam em educação. Queremos saber como são

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Três cuidados ao trabalhar educação financeira com as crianças e os jovens

Muitos dos desafios financeiros enfrentados pelas pessoas no Brasil vêm de paradigmas e crenças limitantes que vão sendo passadas de geração para geração e afastam as pessoas de conhecimentos valiosos sobre o dinheiro. Acreditar que só ganha dinheiro quem já tem dinheiro, que dinheiro não traz felicidade, que os ricos são desonestos e exploradores… são alguns exemplos de crenças que acabam gerando comportamentos pouco sustentáveis e afastam muitas pessoas de realizações e da prosperidade.

Cada dia mais, acredito ser imprescindível que as pessoas percebam e usem o dinheiro, apenas, como mais um dos recursos de que possuem para acessar os desejos e suprir as necessidades ao longo de toda a vida. É possível aprender a tomar decisões que gerem resultados financeiros positivos para a vida pessoal, familiar e, também, para toda sociedade. Pessoas boas e colaborativas, com dinheiro, podem ampliar os impactos positivos de suas ações. Elas são capazes de desenvolver, inclusive, empresas de impacto social positivo.

Para reduzir a pobreza, que mata e prejudica tantas pessoas, precisamos fazer com que mais pessoas tenham acesso ao dinheiro e consigam fazer bom uso dele. Para isso, é fundamental trabalhar educação financeira na escola e construir bases comportamentais sustentáveis desde cedo.

Aqui vai uma lista de três pontos que, pela nossa experiência, devem estar no radar dos educadores ao tratar do assunto dinheiro com as crianças e os jovens, e que muitas vezes passam despercebidos.

  1. Evite afirmar que dinheiro não dá em árvore. Simbolicamente, é possível ter uma árvore de dinheiro. Isto é, ter renda passiva a partir de ações e investimentos capazes de viabilizar ganhos futuros, sem a necessidade de presença e trabalho constantes (renda de dividendos, investimentos em imóveis, direitos autorais, são alguns exemplos).
  2. Atenção ao falar de ricos e pobres e fazer comparações. Existem muitas pessoas que consomem produtos caros mas que estão endividados, ou que tem estilo de vida luxuoso e ganham a vida fazendo atividades ilícitas, explorando trabalho escravo e roubando. Mais importante do que a quantidade de dinheiro que uma pessoa tem é saber de onde vem esse dinheiro, quantas pessoas ajuda ou atrapalha.
  3. Cuidado para não associar o dinheiro apenas com o consumo. Principalmente com as crianças pequenas, é comum incentivar que elas escolham desejos e juntem dinheiro para gastar. É necessário, desde o início, mostrar que fazemos escolhas com o dinheiro. Ao gastar em uma coisa, abrimos mão de outras coisas. Usamos o dinheiro para a alimentação, para cuidados com a saúde, para ajudar outras pessoas e, também, para realizar desejos.

Uma boa relação com o dinheiro se constrói a partir de conversas positivas sobre o tema, observações e experiências onde seja permitido questionar padrões de consumo e estilos de vida, pensar sobre o que se está comprando ao fazer determinadas escolhas, perceber pressões sociais, expor sentimentos e emoções que permeiam nossas decisões. 

Convido você a, cada dia mais, fazer as pazes com você e com o seu dinheiro para aproveitar a jornada de aprendizados infinitos que esse tema nos proporciona. Em cada fase da vida enfrentamos desafios diferentes e surgem, também, oportunidades. Que possamos estar sempre aprendendo e nos conhecendo, aprimorando habilidades para sermos capazes de usar bem o dinheiro, e usar o dinheiro para o bem. Conte conosco!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Preparar os jovens para a vida ou para o mundo do trabalho? – por Claudia Costin

Muitas vezes se discute, em Educação Básica, se a intenção é preparar os jovens para a vida ou para o mundo do trabalho. Esta é uma falsa discussão; afinal formar para a vida inclui educar para a autonomia e ninguém é autônomo se não se integra profissionalmente no mundo adulto e depende economicamente de outros. 

Esta discussão ganha especial relevância no contexto da chamada 4ª Revolução Industrial, em que, como projetam Osborn e Frey, da Universidade de Oxford, dois bilhões de postos de trabalho serão extintos até 2030, em ondas sucessivas, obrigando os jovens a constantemente adquirirem novas competências e a, com certa frequência, revisitarem suas escolhas profissionais.

Isto significa que teremos que adotar, no Ensino Médio, apenas itinerários formativos profissionalizante? Certamente que não, embora faça sentido abrir esta possibilidade a mais jovens. Mas mesmo nos itinerários propedêuticos – preparatórios para o Ensino Superior – é fundamental discutir com os alunos opções profissionais, desenvolver reflexões sobre aprendizagem para toda a vida e mesmo introduzir eletivas que contenham um caminho de profissionalização, como programação ou “webdesign”, nos moldes do que está previsto no currículo paulista recentemente aprovado.

É importante entender que, no novo contexto em que vivemos, as profissões poderão ser provisórias e que o mundo educacional do futuro muito provavelmente incluirá micro certificações, valorizando saberes independente de uma profissão de referência. Em outros termos: aquilo que aprendemos em uma etapa de vida pode vir a construir para a seguinte.

Assim, trabalhar com o projeto de vida é um caminho importante, independente do itinerário formativo selecionado pelo aluno e a BNCC corretamente prevê isto já a partir do Ensino Fundamental. Ela também remete à importância de se aprender a aprender, um dos pilares da Educação de acordo com a UNESCO e que será particularmente útil para um mundo do trabalho em um processo de transformação disruptiva.

Mas é bom lembrar também que tais competências serão também importantes para outras dimensões da vida, como para uma cidadania ativa e empática com os que passam por dificuldades, assim como para uma relação de fruição do belo e instigante, de acesso constante com o mundo das artes. As expressões artísticas registram e refletem o tempo em que são produzidas e poder apreciá-las demanda de cada um de nós um olhar e uma escuta qualificada. E isso também é papel da Educação!

Claudia Costin

Claudia Costin

Claudia Costin é fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas. Foi diretora global de Educação do Banco Mundial, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, professora da PUC-SP, do Insper, da Enap (Canadá) e mais recentemente da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard. Foi ministra da Administração e Reforma do Estado, secretária de Cultura do Estado de São Paulo e secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro.

Claudia Costin
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Há uma tendência no país de enviar professores à Finlândia para conhecer melhor a interessante abordagem que eles adotam em educação. Queremos saber como são

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É hora de descansar

O que foi 2020? A vida de todos mudou completamente e percebemos que o cansaço do final de ano e fechamento das notas parece estar maior, não é mesmo?

Meu convite hoje é para dedicarmos os dias finais de dezembro para realmente descansarmos e começarmos um 2021 com energia e otimismo. Afinal, além de cansaço, a pandemia impactou a realidade da educação brasileira e mundial como nunca antes vimos. Acompanhando redes públicas e privadas, vemos como alguns dos estudantes não conseguiram acompanhar praticamente nada das aulas remotas e como teremos um grande trabalho de busca ativa e retomada da vida escolar em 2021.

Uma das pessoas que será mais influente nesse processo é você, educador. Como referência para os estudantes e para a comunidade escolar, entendemos cada vez mais que é a sua voz que ecoa e é ouvida pelas famílias, responsáveis e estudantes. Por isso, ela não pode estar rouca, cansada ou em tom de desacreditada. 

Você precisa entrar no ano que vem descansado(a) e com toda a energia possível para continuar seguindo e defendendo o motivo que fez entrar nessa carreira: uma educação de qualidade para todos. Junto com os gestores das redes privadas e públicas, vamos precisar identificar os estudantes que tiveram a educação mais impactada pela pandemia, convencê-los de que continuar na escola é importante para seus projetos de vida e trabalhar muito para eliminar defasagens educacionais e até mesmo emocionais.

Tenho certeza que você terá muitos parceiros em 2021 para essa retomada. Entretanto, para que você fique bem e tenha energia pra seguir o trabalho com propósito, se permita ficar alguns dias jogado(a) no sofá, assistindo televisão aberta e trocando com pessoas que você gosta.

Bom descanso e contem comigo!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Como proteger a saúde financeira da sua família em 2021?

Estamos chegando ao fim de 2020, um ano difícil e cheio de desafios inusitados e me observo começando a ter a sensação de que ao iniciar 2021 tudo será diferente e melhor, mas será que isso faz sentido? Com tudo o que temos aprendido com as Ciências Comportamentais sobre os “seres humanos” já consigo perceber que isso, na realidade, não faz muito sentido.

Temos uma tendência ao otimismo, à inércia, a seguir os comportamentos do grupo em que estamos inseridos, somos fortemente influenciados pelo ambiente e o contexto e tudo isso gera vários problemas para a nossa vida. Acabamos nos privando de conforto, boas férias, descanso, vamos destruindo relacionamentos e nos afastando de pessoas amadas, sofremos problemas de saúde e prejudicamos o nosso bem-estar porque não conseguimos AGIR como gostaríamos.

Pense um pouco. Você tem comido pior do que gostaria? Tem feito menos atividade física do que gostaria? Guardou menos dinheiro? Tem cuidado menos da sua aparência? Tem sido menos paciente ou gentil com as pessoas ao seu redor? Enfim, sabemos o que precisa ser feito mas ficamos paralisados. Felizmente existem estudos e ferramentas simples e práticas para nos ajudar a tornar essa jornada mais leve e ter resultados mais prósperos. Esse é um dos motivos pelos quais me apaixono cada dia mais por esse tipo de conhecimento, é surpreendente o poder de transformação de pequenas ações!

O nosso “mergulho” tem sido principalmente nas finanças porque há uns 25 anos o dinheiro estava tendo um poder muito grande sobre nossas decisões. Estávamos abrindo mão do convívio com pessoas queridas, lazer, cuidados com a nossa saúde para gerar cada vez mais dinheiro. Mas, ganhar mais, não resolvia o nosso problema pois também passávamos a gastar mais e estávamos presos no ciclo “maluco” de ter sempre que ganhar mais, para gastar mais. Foi aí que decidimos dar um basta, construímos o caminho que virou o nosso método dos 6Gs e que desde 2008 vem sendo aprimorado e compartilhado com milhares de pessoas. São coisas simples e práticas capazes de serem aprendidas por crianças, jovens e adultos.

Como já estamos no final do ano, vou compartilhar alguns pontos, que na minha visão, poderão contribuir para fortalecer e proteger a saúde financeira da sua família em 2021. A primeira delas é aproveitar esse momento para fazer um levantamento do que aconteceu com seu dinheiro ao longo do ano que passou. Pegue papel e caneta e escreva, lembre-se de que queremos ajudar seu cérebro a fazer o que você já sabe que deveria fazer. Responda e escreva coisas como: De onde veio o seu dinheiro? Onde foi gasto? O que foi desperdiçado? Quais foram os gastos prazeroso e que valeram a pena? Onde gostaria de ter gastado e o que quer realizar em 2021 e nos próximos anos? Como está e como gostaria que estivesse a sua reserva para aposentadoria? Quanto precisa ter guardado para ter mais tranquilidade nos imprevistos?


O final do ano é um período propício para esse tipo de exercício e, também, é um momento onde, geralmente, ocorre uma variação nos gastos e ganhos das famílias. Como não é novidade, há um ciclo repetitivo anual conhecido e que pode ser usado estrategicamente para irmos melhorando os resultados e vivendo de forma mais leve.

Um dos 6Gs que devemos praticar é Guardar dinheiro. É um hábito que não está relacionado com o fato de ter dinheiro sobrando, como muitos pensam. A estratégia que melhor funciona é tirar o dinheiro da conta e já aplicar, antes mesmo de pagar as contas, deve ser o primeiro movimento e em muitos casos pode ser agendado na própria instituição financeira de forma automatizada.
No nosso método dos 6Gs que vem sendo desenvolvido há mais de 20 anos, sugerimos que as pessoas mapeiem as entradas e saídas de dinheiro, mensais e anuais e, ao longo de todo o ano, já guardem mensalmente pequenas quantias para os gastos anuais como férias, festividades, material escolar, IPTU, IPVA, renovação de seguro… Faça isso a partir de agora e conseguirá evitar “surpresas desagradáveis” em cada virada de ano. Já faça um 2021 bem melhor!

Tenho aprendido a focar na minha ação, mesmo que não seja fácil, pois as outras coisas são menos controláveis ainda ; ). Este ano de 2020 nos mostrou muito isso! Se está precisando de mais dinheiro, aproveite para pensar também em possibilidades de gerar renda extra vendendo produtos que estão entulhados nos armários, oferecendo serviços úteis nessa época. Muitas pessoas, com a pandemia, mudaram suas rotinas e precisarão de ajuda nas compras de Natal, decoração, comidas, materiais escolares… use a sua criatividade e amplie o seu olhar para novas possibilidades.
Infelizmente, temos visto o dinheiro “mandar” em muita gente independentemente da quantidade. Você pode ter mais controle e autonomia, evitar surpresas indesejáveis, entender mais sobre o fluxo do seu dinheiro ao longo do ano, antecipar os fatos, planejar os resultados que quer ter e se preparar sempre guardando, investindo e direcionando para as suas prioridades. Um dos maiores erros é ficar preso à quantidade de dinheiro, não foque na quantidade agora, crie esse processo na sua vida com pequenas quantias e fortaleça as finanças da sua família, para que cada dia o maior poder esteja na sua ação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Escrever para aprender a pensar – por Cláudia Costin

Infelizmente, algumas escolas retardam o ensino de produção textual, já que redação é cobrada apenas no Enem ou em vestibulares. Outras ainda acham que aprender a escrever é intuitivo e basta ler para escrever.

A escrita, na verdade, requer um trabalho progressivo, de acordo com Natalie Wexler e Judith Hochman em “The Writing Revolution”, com direção e intencionalidade pedagógica, que inicie com frases que vão se tornando mais complexas, formando parágrafos e por fim textos completos, criados a partir de conteúdos aprendidos na escola, imaginados ou vivenciados pelos alunos.

Esse processo deve começar já na pré-escola, com o professor anotando frases verbalizadas pelos alunos, numa construção coletiva, introduzindo-os ao mesmo tempo a um vocabulário mais diversificado. Esse rico aprendizado deve continuar ao longo de toda a Educação Básica e ser utilizado também como um meio de reflexão sobre o que se está aprendendo. Se quisermos ter uma escola que, de fato, ensine a pensar e não apenas a deglutir conhecimentos ou decorar a visão de mundo do professor, é fundamental que se reserve tempo para a elaboração de textos a partir do que foi lido ou explanado em classe.

Algumas escolas tentam suprir essa necessidade com os chamados “fichamentos de leitura”, mas isso apenas favorece a memorização e não a incorporação do conhecimento a partir da conexão do que foi lido com outros saberes já adquiridos, com o repertório cultural do aluno.

E o trabalho pedagógico, para ser efetivo, não se encerra com a escrita do texto e a atribuição de uma nota. Envolve idas e voltas entre mestre e aluno, para refinamento da composição resultante. Afinal, aprender a pensar e colocar reflexões no papel não é algo trivial. Tampouco o é a profissão de professor, daí a importância de valorizarmos o seu fazer, que é bastante complexo e demandante.

Mas há outro elemento importante no processo de aprendizagem da escrita: a ideia de que o aluno pode ter um conjunto de trabalhos de sua autoria. A alegria de produzir uma leitura documentada da realidade, que possa ser comunicada a outros, ajuda a desenvolver autonomia, persistência e protagonismo, algumas das chamadas competências para o século 21. Não por acaso, estão entre as habilidades destacadas na Base Nacional Comum Curricular.

Claudia Costin

Claudia Costin

Claudia Costin é fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas. Foi diretora global de Educação do Banco Mundial, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, professora da PUC-SP, do Insper, da Enap (Canadá) e mais recentemente da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard. Foi ministra da Administração e Reforma do Estado, secretária de Cultura do Estado de São Paulo e secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro.

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Há uma tendência no país de enviar professores à Finlândia para conhecer melhor a interessante abordagem que eles adotam em educação. Queremos saber como são

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O que podemos ensinar para as crianças sobre dinheiro, dentro de casa?

Para educar financeiramente as crianças é necessário dar mesada? Como fazer com que os filhos valorizem o dinheiro e reduzam os desperdícios? Como evitar que meus filhos sejam consumistas? Como preparar as crianças para terem autonomia e consigam se sustentar financeiramente no futuro? Estas são algumas das angústias e dúvidas das famílias que percebem a necessidade de preparar os filhos para viver neste mundo cheio de desafios e oportunidades, com o consumo sendo incentivado em cada clique e em cada esquina. Um mundo onde muitos acham que o TER garantirá o SER.

Tratar do assunto dinheiro no dia a dia da família de forma natural e frequente é muito valioso para que as crianças entendam que o dinheiro é, somente, um dos recursos que temos à disposição. Elas precisam entender que ele precisa ser usado de forma estratégica, pois é finito, ele acaba independentemente da quantidade, e será sempre necessário ao longo de toda a vida, na infância, juventude, vida adulta e quando ficarem idosas. É usado na moradia, na alimentação, na educação, no lazer e, também, para realizar ações colaborativas e capazes de impactar positivamente a vida de mais pessoas. Então, não dá para não entender dele e desperdiça-lo, não é mesmo? 

Apresento algumas sugestões de atividades para engajar a família em experiências práticas para que comecem a desenvolver habilidades fundamentais para o bom uso do dinheiro como: criatividade, disciplina, organização, noção de quantidade, perceber desperdícios, saber esperar, ter contato com o lixo, explorar embalagens… São inúmeras as possibilidades de abordagens e estímulos, lembre-se de adequar a realidade de sua família e a idade das crianças e dos jovens. 

  • Investiguem e descubram um item que precisa ser comprado algumas vezes ao longo de um mês em sua casa. Façam registros mostrando onde ele é usado e para que ele serve. 
  • Quando estiverem assistindo as propagandas, observem as palavras e imagens que são usadas nos anúncios, quem é o público-alvo, o que está sendo vendido? Que paga essas propagandas? Por que elas existem?  
  • Investiguem e descubram um item que precisa ser comprado ou pago uma vez por ano, todos os anos. Façam um registro mostrando onde ele é usado e para que ele serve. 
  • Peguem copos com água, usem a sua criatividade e vejam se conseguem escovar os dentes somente com a água de um copo. Lembrem-se de que é importante lavar bem a boca para não engolir o creme dental. Façam o desafio em família! 
  • Antes de jogar fora o tubo de creme dental vazio, cortem a embalagem. Descubram quantas vezes ainda conseguem escovar os dentes com o produto residual que fica lá dentro e seria jogado no lixo. Conversem sobre o que descobriram.
  • Pensem em uma forma de separar o lixo da casa em dois recipientes: reciclável e não reciclável. Façam a sinalização das lixeiras para ajudar a lembrar onde descartar o lixo no dia a dia e observem o tipo de material das embalagens antes de descartá-las. 
  • Reúnam os boletos que precisam ser pagos e peçam que as crianças separem os gastos por tipos: alimentação, transporte, educação… façam somatórios, conversem sobre as escolhas de consumo. Planejem reduzir o que for viável e puder contribuir para redirecionar o dinheiro para outras prioridades.

Falar de dinheiro em casa de forma agradável, ao invés de somente na hora do stress financeiro das contas “apertadas” e atrasadas, é um passo a ser construído e que pode melhorar os resultados da família pra sempre. Cultive esse hábito, construa esse canal de comunicação e aos pouquinhos perceberá as mudanças positivas.

Questões financeiras mal resolvidas atrapalham os relacionamentos, o trabalho, a saúde… não deixe isso passar desapercebido. Invista na educação financeira de toda a família e colherão resultados positivos rapidamente. 

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Leitura e repertório cultural – por Claudia Costin

Os países com bons sistemas educacionais têm incluído em seus currículos o desenvolvimento de habilidades, em vez de uma lista de tópicos a serem ensinados. Com isso, garante-se maior flexibilidade no trabalho do professor e uma visão mais contemporânea no processo de ensino-aprendizagem.

Isso faz muito sentido, mas traz também um risco: alunos que vêm de famílias em situação de vulnerabilidade costumam ter um repertório cultural mais restrito às experiências de vida que tiveram, o que torna desafiadora a tarefa de ler e entender textos mais complexos. Se traduzirmos a competência de ler e interpretar apenas como um conjunto de técnicas, corremos o risco de diagnosticar equivocadamente o problema de aprendizagem do aluno como uma falha na habilidade leitora.

O linguista canadense Steven Pinker costuma dizer que, como o aprendizado inicial de leitura envolve sobretudo decodificação, ou seja, associar letras a sons, o repertório cultural da família tem impacto menor no processo de alfabetização. Quando, porém, a criança avança para as séries escolares seguintes, a leitura de textos mais avançados passa a demandar referências históricas ou científicas que a escola precisa oferecer de maneira explícita e não apenas apostando que a criança acabe aprendendo sozinha.

Por isso é tão importante que se ensinem na escola tópicos de história, ciências e geografia, associados aos textos colocados para sua leitura, mesmo nos primeiros anos do ensino fundamental. Caso contrário, estudantes vindos de meios mais vulneráveis terão poucas chances de remover os imensos obstáculos para sua evolução na aprendizagem e na prática leitora. Neste sentido, é importante não só dar textos de não ficção aos alunos, como explicar o que neles está implícito, na forma de alusões.

Em livro recentemente publicado, “The Knowledge Gap”, a historiadora da educação Natalie Wexler mostra que as desigualdades educacionais nos Estados Unidos crescem frente à inadequação do processo de ensino em alguns dos sistemas escolares do país. Sem um ensino voltado para a ampliação do repertório cultural dos alunos, uma maior proficiência em interpretação de textos não será alcançada e a desigualdade seguirá sendo uma marca da educação americana.

No Brasil, a BNCC e os currículos estaduais e municipais para o ensino fundamental já contemplaram a integração de habilidades com conhecimentos, valorizando saberes de diferentes disciplinas. Que isso se mantenha também nos de ensino médio e que, na volta às aulas, possamos começar a diminuir a nossa desigualdade educacional, tanto mitigando os danos resultantes da pandemia, como ensinando de forma mais efetiva.

Claudia Costin

Claudia Costin

Claudia Costin é fundadora e diretora do Centro de Excelência e Inovação em Políticas Educacionais da Fundação Getulio Vargas. Foi diretora global de Educação do Banco Mundial, membro da Comissão Global sobre o Futuro do Trabalho da Organização Internacional do Trabalho, professora da PUC-SP, do Insper, da Enap (Canadá) e mais recentemente da Faculdade de Educação da Universidade de Harvard. Foi ministra da Administração e Reforma do Estado, secretária de Cultura do Estado de São Paulo e secretária de Educação do Município do Rio de Janeiro.

Claudia Costin
Claudia Costin

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Há uma tendência no país de enviar professores à Finlândia para conhecer melhor a interessante abordagem que eles adotam em educação. Queremos saber como são

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Saudades da energia das trocas presenciais

Ninguém aguenta mais falar de pandemia. Estamos num momento em que desejamos mais do que tudo sair de casa, encontrar pessoas que a gente gosta e sentir a energia das conexões e das trocas.

Tenho o privilégio da minha seção eleitoral ser na escola onde estudei a maior parte da vida e onde fui educador em um curso extracurricular bastante disruptivo, que reunia jovens de 10 a 14 anos para fazermos transformações positivas no bairro. Quando pisei na escola, lembrei das tardes de quarta-feira e de toda a energia que trocava com aqueles jovens, das conversas que tínhamos sobre o objeto do curso e principalmente as trocas sobre nossas vidas e tudo que eles estavam descobrindo durante essa etapa da transformação que eles viviam.

Logo fiquei imaginando como os professores e professoras que tinham encontros diários com suas turmas e que estão há meses sem ter essas trocas. A gente reclama, é uma rotina cansativa, mas acho que a maior parte das pessoas está com saudades dessa energia do encontro e, principalmente, do alto nível de energia trocada em momentos de aprendizado.

A volta às aulas ainda é um assunto temido – com razão – pelos professores e alguns familiares e desejado por outras pessoas. Precisamos nos cuidar e torcer para que todos esses momentos voltem o mais logo possível. Fiquem bem!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

A Educação que se move para o futuro

Num mundo em constante e acelerada transformação, o professor, mestre e curador, na arte da aprendizagem, figura ainda mais importante na tarefa de trazer conteúdos significativos e transformadores, conteúdos de qualidade, que ofertem oportunidades iguais para diferentes realidades sociais.

Nos novos tempos, tempos de transformação, flexionar e adaptar-se é crucial. Engajamento traz produtividade, força e mobilização pela e para a Educação, porque com a era digital nem toda informação é de fato comunicação. A comunicação evoluiu, a educação evoluiu, mas continuam em percurso, marcado pelo crescimento exponencial de dados moveis, a um click de distância.

Transformar, mudar, construir um modelo novo e adaptado é o perfil do profissional professor para a educação que se move para o futuro, com um rol de decisões e estratégias que perpassam o viés da colaboração e da transparência, porque a verdadeira comunicação é o resultado do que foi compartilhado como perspectiva educacional transformadora.

O valor da diversidade é combustível sustentável e precioso para, de forma não tradicional, quebrarmos paradigmas e para a criação de um protótipo pedagógico que traz perspectivas amplas para as soluções esperadas por todos nós. O poder da criatividade convoca mudanças exponenciais.

A riqueza da diversidade e olhares para o mesmo problema, transforma vieses em colaboração. Cada um em suas ações, liga pontos, e equipes podem atuar na mudança do globo. Ou seja, a transversalidade na atuação do professor, e da equipe pedagógica é marco ideal para novas conquistas.

Recursos e espaço numa aula virtual, demandam pensamentos, ações e materiais diferentes, como livros, jogos, atividades em conjunto, etc. Criar aulas online, pode melhorar o aproveitamento do tempo do educador e dos alunos, podendo estes dedicarem-se a novas propostas de atividades, aprofundar estudos e preparar novos materiais. As tecnologias poderão inovar como uma extensão da aprendizagem, abordando dúvidas, recorrências, criando uma aula mais completa.

As classes são heterogêneas, os pensamentos também. Cada professor pode acionar uma nova dinâmica para adaptar a estrutura didática e pedagógica a favor da aprendizagem, sendo este o desafio do professor profissional e digital. O ensino híbrido compila todos os benefícios do aprendizado online e offline.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Como usar o seu dinheiro para o BEM

Você já parou para pensar sobre o bem que é capaz de fazer com o seu dinheiro?

Por exemplo, se levar em consideração que ao comprar uma fruta no supermercado, você ajuda a pagar o salário dos funcionários, remunera o empreendedor dono do estabelecimento, as pessoas que transportaram a fruta do campo até a cidade, as pessoas que trabalham no campo irrigando, semeando, tratando e fazendo a colheita, perceberá que suas decisões financeiras, por mais simples que sejam, causam muitos impactos. Quantos empregos você gera? Quantas pessoas você ajuda, direta e/ou indiretamente?

Quando comecei a perceber de forma mais ampla os impactos que eu causava ao usar meu dinheiro, passei a ser mais criteriosa nas minhas decisões. Fui conversando com mais pessoas, disseminando ideias, ouvindo percepções e ajudando na mudança dos comportamentos financeiros. Minha motivação é crescente pois percebo que é possível agir e contribuir para uma sociedade mais justa e melhor. 

Muitas pessoas colocam a culpa dos problemas sociais e ambientais que vivemos no dinheiro, mas enxergo que o problema está nos comportamentos. Ao lado do Léo, meu marido e parceiro de negócios e propósitos, já se foram mais de 20 anos nessa trajetória de educação financeira comportamental. Em 2013 passamos a “plantar essas sementes” nas escolas, para fazer mais pessoas usar o dinheiro para o bem. Os pequenos hábitos do dia a dia, de cada um, são muito importantes. E são com eles que vamos construindo melhorias, ao vivenciar experiências, buscar soluções, refletir e discutir com o grupo.

Cada comunidade, cada família, cada pessoa tem uma realidade que precisa ser levada em consideração, existem muitas possibilidades de escolha e formas diferentes de levar a vida. Não precisamos ser vítimas e nem escravos do dinheiro, não precisamos  ter a vida igual a do vizinho ou das pessoas que vemos na TV ou nas redes sociais.

Convido você a listar quais são as coisas mais valiosas para você, o que gostaria de priorizar e avalie se está colocando o dinheiro para realizar essas coisas. Verifique, também, se seus hábitos de consumo estão alinhados ao que valoriza. Por exemplo, se valoriza a preservação ambiental

  • reduza a quantidade de lixo que descarta escolhendo produtos que trazem embalagens recicláveis e em menor quantidade. Geralmente, existem opções com proporção maior de quantidade de produto e menor quantidade de embalagem.
  • avalie se o conteúdo e embalagem são biodegradáveis e o tempo que levará para ser degradado.
  • separe o lixo em casa, pelo menos em reciclável (saco azul ou verde) e não reciclável (saco preto), pois isso já facilitará a reciclagem.

O dinheiro, quando usado de forma estratégica e para o BEM – o seu bem, o bem da sua família e o bem de toda a sociedade – beneficia muita gente. Já são mais de 100.000 pessoas impactadas, venha conosco participar desta transformAÇÃO!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Ensino Híbrido, Decisão e Estratégia

Estamos todos em processo de reflexão sobre protocolos para a retomada das aulas presenciais, onde poderá ser aplicado o Ensino Híbrido: aulas assistidas presencialmente e online com a utilização de recursos digitais que permitem realizar atividades virtuais e em outros espaços.

Mudar exige cuidado, foco, e acima de tudo, habilidade em responder a novas experiências e novas perspectivas para uma sociedade mais justa, fraterna e sustentável. Fertilidade exige colaboração e compartilhamento em rede, insight e criatividade ao pensar novos modelos, estabelecer novas criações e inovar.

Este é um momento de mudança proativa na docência e na gestão escolar em conexão com o aluno e sua família. Analisar os modelos de Ensino Híbrido no modelo sustentado de aulas online e presenciais conjugadas, oportunizando rotação por estações, laboratório rotacional, rotação individual, sala de aula invertida é uma proposta

Pequenos avanços fazem robusta uma ideia. O sistema educacional, com o professor à frente de sua turma de alunos, segue aperfeiçoando metodologias. O mundo não é mais nítido. Vivemos um mundo em transição, híbrido. Um conjunto estratégico para o reconhecimento mais amplo de uma situação nesse aprendizado coletivo é aporte para a travessia.

Nessa passagem, o termômetro é o atendimento ao aluno, resiliência e tolerância para que essa adaptação se faça atraente e eficiente para atingir os resultados esperados, até mesmo com uma nova forma de avaliação, muito mais assertiva.

Estamos num momento de provocação, de alta reflexão sobre o ensino via autoaprendizagens. Seremos professores híbridos e teremos alunos cada vez mais protagonistas de sua trajetória, desde que haja suporte suficiente para podermos fazer um trabalho como sempre árduo, mas pleno de sucesso.

Nos procedimentos para um protocolo pedagógico para o professor, o primeiro passo é identificar como será o seu plano, como serão as aulas, e pensar nos detalhes imprescindíveis como a duração da aula, atividades e avaliação nos formatos virtuais e presenciais.

Certamente que autodidatas em acolhimento estaremos acolhendo nossos alunos e nos acolhendo como profissionais. O nosso maior desafio é escrever passo a passo, como educadores aprendizes que somos, o roteiro desse marco histórico na Educação, que pede decisão e estratégia.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Qual deve ser o limite de ganho de uma pessoa?

Eu nunca tinha pensado sobre isso, até que um dia, trabalhando com educação financeira comportamental, decidimos produzir um programa para ser usado nas escolas. Veio daí o desafio: o que ensinar às crianças e aos jovens, para que eles sejam capazes de perceber O LIMITE de ganho, mas sem limitar a criatividade e sem deixar de fazê-los sonhar com uma vida melhor para eles e para toda a sociedade.

Para mim sempre foi importante sonhar alto, isso me motivou a dar passos fundamentais para superar e enfrentar meus medos e inseguranças. Acredito no poder da superação quando temos algo que nos instiga e tira da zona de conforto, quando vamos em busca de algo que faz os olhos brilharem e o coração acelerar. Precisava manter essa chama acesa no coração dos estudantes!

Ao mesmo tempo, via que a ganância e a busca por cada vez mais coisas e mais dinheiro não fazia bem para as pessoas e nem para a sociedade. A gente vê pessoas abastadas que não conseguem usufruir de tudo o que têm, que não conseguem colaborar com os outros e que, muitas vezes, nem enxergam tudo isso. 

Também via pessoas ultrapassando limites éticos importantes, roubando, enganando, mentindo, desviando verba pública e privada sem o menor constrangimento em benefício próprio, para acumular mais e ter mais. Cegas, incapazes de perceber o mau que fazem para as pessoas próximas e para toda a sociedade. 

Veio daí o “estalo”, vamos ensinar que o limite de ganho de uma pessoa deve ser a ÉTICA! Tudo pode ser feito e sonhado desde que o respeito a si mesmo e aos outros seja mantido. Ficou fácil e simples de ser entendido, sempre que pensamos em realizar algo precisamos pensar: quem vamos prejudicar? quem vamos ajudar? Isso torna as decisões mais claras, a vida mais simples e a trajetória mais significativa. Nos faz pensar e agir além do próprio umbigo.

Aos poucos temos plantando sementes no coração dos professores, estudantes e famílias, levando discussões e reflexões sobre o uso do dinheiro para o bem em cada atividade proposta. Viabilizando ampliar o olhar para novas possibilidades e construindo hábitos saudáveis em relação ao uso do dinheiro. Venha conosco fazer essa transformação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Educar para estudantes fazerem boas perguntas

Durante a pandemia, tenho conversado com muitos estudantes de Ensino Médio de realidades diferentes. Uma coisa me chamou a atenção na maioria dessas conversas: as que mais me impressionaram, eram ótimos questionadores. As trocas que mais me incomodaram foram com jovens que tinham receio de fazer perguntas ou os que buscavam respostas certas.

Por isso, minha provocação é: você desenvolve seus estudantes para serem curiosos e fazerem boas perguntas? Isso vai ser fundamental tanto no dia a dia da escola quanto no mercado de trabalho. Tudo isso parece um pouco clichê, mas precisa ser reforçado.

Eu mesmo tenho feito um desafio pessoal de fazer pelo menos uma pergunta que eu consideraria “boba” por dia. Em algumas situações, ela realmente não tem sentido (e tenho tentado identificar o que eu não reparei/levei em consideração para ter ficado com essa dúvida). Em outros momentos, elas se mostram como dúvidas complexas e que todo o grupo também tinha.

Por isso, sugiro incentivar seus colegas, seus estudantes e você mesmo a serem bons “perguntadores”. Trago duas dicas práticas para isso:

  • abra um espaço nas aulas virtuais para que o grupo faça perguntas pelo microfone ou pelo chat. As perguntas por escrito podem facilitar a expressão de estudantes tímidos, que não querem se expor em momentos que outras turmas estão online na mesma aula
  • faça um exercício de responder um diálogo com uma pergunta ao invés de uma afirmação pelo menos 3 vezes ao dia. Isso tira um pouco das suas certezas e te coloca em um lugar de curiosidade

Com qual pergunta você ficou na cabeça? Me escreve no caiodib@caiodib.com.br para conversarmos mais!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Aproximação Família e Escola no Ensino Híbrido

Há forte possibilidade de implementação do Ensino Híbrido na retomada das aulas. O Ensino Híbrido no modelo disruptivo é o recurso implementado neste momento por Secretarias de Educação e Sistemas de Ensino, sendo as aulas e atividades disponibilizadas em formato de vídeo, utilizando canais abertos ou plataformas digitais, onde se incluem atividades diárias e propostas avaliativas.

Como estratégia de superação para o desafio educacional da atualidade, o Ensino Híbrido loga o mundo digital, a família, o aluno e a escola, e redefine a proposta educativa também no modelo sustentado, ao alinhar atividades presenciais e online, inovando propostas de aprendizagem.

Entre as possibilidades do modelo sustentado no Ensino híbrido, apresentam-se as propostas de rotação por estações, laboratório rotacional, rotação individual, e sala de aula invertida como destaque.

Na proposta de sala de aula invertida, o aluno estuda o assunto a ser abordado antes das aulas presenciais, preparando-se para a exposição do tema pelo professor. Ambos contrapõem ideias e vieses para o conteúdo e nessa troca de experiências e discussão dos conteúdos, o aluno pode demonstrar sua autonomia, e seu modo de pensar para chegar ao conhecimento.

Na rotação por estações, a turma é dividida em estações de trabalho, cada uma com função específica, mas que, em conjunto, atingem um objetivo comum. Aluno ou grupo trabalham em diferentes estações e, durante o processo passam por todas as estações.

No laboratório rotacional divide-se a turma em duas categorias: alunos que farão a matéria prática e alunos que farão a parte teórica e em tempo estabelecido, cada grupo inverte a sua estação, visando diferentes modos de chegar a conclusões e aprendizagem. Um exemplo é uma estação para estudar a teoria de um jogo e suas regras e outra estação para jogá-lo e ter a experiência de como funcionam essas regras.

Em rotação individual o aluno trabalha individualmente, passando pelas estações de estudo. O roteiro é personalizado pelo estudante, deixando ainda mais autônomo o percurso.

Todo o tempo, família e escola se aproximam no Ensino Híbrido. Os processos online e presencial se complementam, buscando otimizar o conhecimento e despertar no estudante uma característica de pesquisa, com soluções e respostas de forma autônoma pelo acesso contínuo à diversidade de atividades e propostas.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Por que não basta fazer o Projeto Cofrinho?

Você já se empolgou reunindo moedinhas para depois de algum tempo, conseguir realizar um objetivo? Fazer um cofrinho é um processo motivante e cheio de aprendizados, e é bastante comum encontrarmos esta prática nos chamados “projetos cofrinhos” feito em escolas pelo Brasil afora.

Apesar de ser uma forma de introduzir práticas financeiras fundamentais, como: definir objetivos, aprender a esperar, perceber o poder do pouquinho, conhecer o Real, somar, realizar… temos percebido que são necessários cuidados para não estimular o consumismo e desenvolver alguns hábitos prejudiciais em relação ao uso do dinheiro. Quem dera que apenas aprender a guardar, que é um dos objetivos do cofrinho, fosse o suficiente para ter uma boa vida financeira!

Construir comportamentos financeiros proativos e saudáveis exige ações mais amplas e estratégicas. No Brasil, temos um histórico bastante ruim de resultados financeiros da população que geram desigualdade social e prejudicam a qualidade de vida de muitas famílias. Segundo dados de julho/2020 da Confederação Nacional do Comércio, 67,4% das famílias têm dívidas de consumo, sem levar em consideração os financiamentos imobiliários. E o pior, independentemente da faixa de renda, o que mostra que não é apenas uma questão de ter acesso ao dinheiro, isto significa que, distribuir dinheiro igualmente para as pessoas, poderia não resolver o problema. É por isso que muitos países têm programas nacionais de Educação Financeira, inclusive o Brasil, que desde 2010 tem a ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira), e agora tornou obrigatório nas escolas por meio da BNCC. Para resolver toda essa complexidade de problemas sociais causados pelo mau uso do dinheiro, se faz necessário programas de educação financeira mais amplos, focados em diversas e diferentes habilidades.

Esse é um dos motivos que tem nos feito trabalhar, pesquisar e testar estratégias pedagógicas nos últimos anos, desde que lançamos o Programa Oficina das Finanças na Escola em 2013. Entendemos que a educação financeira precisava ser mais completa e melhor estruturada para trabalhar os comportamentos, para contribuir e melhorar os resultados sociais e ambientais do Brasil. A partir das escolas, é possível gerar um impacto rápido e positivo na comunidade ao ajudar os alunos e, também, os educadores e as famílias.

As escolas que já fazem algum trabalho de educação financeira, como o projeto cofrinho, são muito especiais, pois já percebem a relevância do tema e, de alguma forma, desenvolvem ações com a proatividade e a criatividade de seus educadores. Entretanto, é necessário ir além, pois os desafios das “entrelinhas” do assunto dinheiro, os bloqueios comportamentais e a intensidade dos estímulos sociais de consumo também precisam ser considerados. Os pré-conceitos familiares, religiosos e culturais impactam os comportamentos, e confirmamos, na prática diária, tudo o que as Ciências Comportamentais estão descobrindo sobre a racionalidade humana. As nossas emoções falam mais alto em aproximadamente 95% das decisões, mas sabemos que é possível realizar intervenções estratégicas no design dos ambientes, nas nossas ferramentas de trabalho e lazer, e criar estímulos para que consigamos tomar melhores decisões para ser quem queremos ser e ter a vida que desejamos.

Para mobilizar ações e mudar comportamentos, é necessário ir muito além da matemática e do guardar o dinheiro para realizar objetivos, precisamos de várias outras habilidades e, também, perceber os malefícios que o descontrole financeiro e o mau uso do dinheiro geram na família, na sociedade e no meio ambiente, além de despertar o desejo de mudar essa realidade. Se você é sensível a esta causa e deseja impactar positivamente a vida de mais pessoas, venha conosco para fazer esta transformAÇÃO.

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Professores são contadores de histórias e criadores de experiências

Nesse momento de pandemia, ficamos um pouco desnorteados sobre o que fazer com as aulas on-line. Afinal, como continuar com a qualidade de aulas presenciais em um ambiente no qual cada estudante está na sua casa, com diversas distrações, conectividade duvidosa e com a câmera fechada?

Os desafios são vários, mas estou aqui pra lembrar você que educadores são exímios contadores de histórias e designers de experiências. Afinal, é você que entra numa sala com 30-40-50 estudantes, cria uma narrativa e usa várias estratégias para compartilhar tudo que sabe sobre o assunto da aula e encantar a turma na sua disciplina. No dia a dia pré-pandemia, muitas vezes esse talento – e muita experiência! – passavam batido.

Agora, a concorrência pela atenção aumentou. São várias abas abertas no navegador, distrações familiares, televisão e tudo que acontece ao redor. Meu convite é para você relembrar sua potência e buscar energia para continuar sendo a pessoa que encanta grupos falando de Português, Matemática, Química e outras disciplinas que podem ser muito interessantes para alguns e distantes para outros.

O ambiente virtual tem suas diferenças

Para isso, é importante lembrar que os espaços presencial e virtual são diferentes. Compartilho aqui algumas dicas, que você pode conferir de maneira mais aprofundada no e-book que lancei com alguns amigos “A escola na pandemia: 9 visões sobre a crise no ensino durante a pandemia”, com download gratuito no link: https://bit.ly/2HpL6m0

  • A chegada não conta mais com a inércia: é muito importante pensar em pequenas dinâmicas que possam ser feitas on-line. As pessoas precisam ser fisgadas para estarem atentas e curiosas na sua aba do navegador.
  • Dinamismo e múltiplas estratégias: na sala de aula, mesmo a aula expositiva pode trazer elementos de dinamismo para os estudantes quando o(a) professor(a) se aproxima, fala mais alto ou faz algum movimento na frente da sala. No on-line, isso se torna mais difícil. Nesse novo ambiente, não é “pecado” fazer aulas expositivas, mas também é interessante intercalar partilha oral do conteúdo com momentos de debate e de atividades práticas.
  • “Posso ir ao banheiro” digital: fazer acordos coletivos pode ser um caminho para que os estudantes não percam partes importantes da aula porque foram ao banheiro ou buscaram alguma coisa na geladeira.

Você está conseguindo resultados positivos nas aulas on-line? Me escreve para compartilhar essa experiência pelo caiodib@caiodib.com.br!

Boa sorte e contem comigo!

Caio Dib

Caio Dib

Caio Dib é jornalista e designer de serviços educacionais. Também é autor de diversos livros sobre educação e inovação brasileira.

Vivenciando o Ensino Híbrido

Sabemos que a aproximação família e escola realizada neste ano letivo tem sido primordial no enfrentamento dos desafios que se apresentam. Material didático e tecnologia educacional são atualmente aporte para vivências pedagógicas interativas entre família e escola.

Abordagens pedagógicas e recursos tecnológicos associados aos protocolos para saúde pessoal, social e financeira, alinhados ao sentimento amoroso e fraterno habilitam um conteúdo interativo. Unidas, família e escola definem e facilitam cada passo desse percurso e constroem uma Educação humanizada e ativa.

Nesse sentido, o Ensino Híbrido – blended learning ou b-learning – é uma alternativa de ensino que compreende as novas tecnologias educacionais e que pode expressar proativamente os Direitos de Aprendizagem, os Campos de Experiência, as Competências e Habilidades da BNCC.

A oferta de Ensino Híbrido caracteriza-se pelo uso de soluções combinadas ou mistas, via experiências e estratégias de aprendizagem que integram as tecnologias da informação e comunicação como facilitadoras e potencializadoras do ensino.

Este formato híbrido cria modelos que mesclam momentos em ambiente virtual, utilizando ferramentas da educação a distância, com a aprendizagem presencial. Portanto, deve passar por discussão e planejamento, evidenciando potencialidade e controle de tempo, lugar, caminho e ritmo de aprendizagem.

Ao utilizar alternativas de personalização do aprendizado, o Ensino Híbrido em suas duas formas: modo síncrono, nos webinários, classroom, aulas ao vivo, fóruns de discussões em que todos participam ao mesmo tempo, traz um formato ideal para uma interação mais próxima com o tutor e demais alunos. Já no modo assíncrono, traz flexibilidade de lugar e momento, ideal para estudar sem comprometer um horário específico.

O fundamental nesse aporte do Ensino Híbrido, é garantir e respeitar os diferentes estilos de aprendizagem e o desenvolvimento das competências apresentadas pela BNCC na Educação Básica: conhecimento, pensamento científico, crítico e criativo, repertório cultural, comunicação, cultura digital, trabalho e projeto de vida, argumentação, autoconhecimento e autocuidado, empatia e cooperação, responsabilidade e cidadania, fortalecendo o trabalho pedagógico dentro das habilidades específicas da Educação Infantil até o Ensino Médio, portas para o Ensino Superior.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Educação financeira é matemática financeira?

Você já se perguntou se Economistas, Contadores, Matemáticos ou Gerentes de bancos estão endividados ou têm dificuldades para gerir o próprio dinheiro?

Conhecer o desequilíbrio financeiro de pessoas com acesso a informações, conhecimento matemático e alta renda foi MUITO chocante e intrigante para nós. Descobrimos, há mais de 20 anos, que, infelizmente, esses fatores não garantem uma vida financeira próspera e sustentável. A explicação para essa aparente incoerência vem das Ciências Comportamentais que demonstram por meio de estudos e experimentos que, na prática, apenas 5% das decisões tomadas pelos humanos são lógicas e racionais, somos influenciados pelo contexto, comportamento do grupo, estereótipos…

Então, que tipo de educação financeira é possível e eficaz? Como é possível melhorar os nossos resultados financeiros? A resposta que temos encontrado é: transformando a forma como pensamos sobre nós mesmos e o mundo, desenvolvendo algumas habilidades e usando “estímulos” que nos ajudem a agir rumo aos nossos objetivos e valores.

Ao tratar de dinheiro a sensação é sempre de algo difícil, mas, na verdade, descobrimos que pode ser incrivelmente simples e como os novos hábitos começam a melhorar rapidamente várias áreas da nossa vida, passa a ser muito recompensador. Não pelo dinheiro em si, mas porque melhora a nossa saúde, o bem-estar, os relacionamentos ficam mais leves, o dia a dia e os desafios ficam menos pesados. Como o dinheiro está presente em muitas áreas da vida, os problemas financeiros não ficam no compartimento do dinheiro. Os desafios financeiros vão transbordando e atrapalhando várias outras áreas. Quantas brigas e desentendimentos na família você já teve ou presenciou por questões financeiras? Quantas noites de sono você perdeu? Quanta insegurança você sentiu?

É incrível como negligenciando o dinheiro, acabamos ficando “escravos” dele, e ao dominá-lo, nos libertamos! Porque o dinheiro é apenas um dos recursos que temos à nossa disposição, é uma moeda de troca, mas na prática parece ser algo muito maior. Precisamos saber como gerar dinheiro a partir das nossas habilidades e da nossa dedicação de tempo, mas isso não resolve os problemas. Você já viu pessoas que ganharam milhões e perderam tudo?

Para nós, tudo mudou de perspectiva, quando conseguimos perceber o “fluxo de dinheiro” na nossa vida, passamos a observar de onde ele vem e para onde ele vai a cada decisão, começamos a contabilizar os custos para se ter dinheiro, pensar em tudo o que estamos abrindo mão e realizando. Além disso, passamos a perceber os impactos pessoais, familiares, sociais e ambientais gerados a partir desse uso diário, desse fluxo.

A sensação é de termos colocado um novo óculos, com lentes capazes de desmistificar paradigmas e preconceitos e abrir o horizonte para enxergar novas possibilidades para o uso estratégico do dinheiro, isso ampliou o nosso olhar. Passamos a questionar a aquisição da casa própria como o primeiro imóvel na vida de uma pessoa, o valor imobilizado em um carro e a forma de utilizar crédito. Ficou explícita a necessidade de fazer o dinheiro trabalhar para nós, não fazia sentido transformar nosso tempo em dinheiro e somente comprar coisas que tiram dinheiro do nosso bolso, passamos a comprar coisas que também colocam dinheiro nele. A relação com os desperdícios mudou, afinal de contas, desperdiçar dinheiro passou a ser sentido como desperdício de tempo de vida, que não volta mais.

Sem dúvida, assim como a matemática está presente em tudo ao nosso redor, a matemática financeira é necessária e útil para fazer as operações, comparar grandezas, dividir custos, somar as despesas, raciocinar propostas e projetar possibilidades. Inclusive, nas escolas, temos visto que ensinar a matemática financeira a partir de experiências práticas da gestão do dinheiro em aulas de educação financeira, contribui para que o conteúdo se torne mais atrativo e significativo para os estudantes.

Mas é essencial termos consciência das fragilidades e limitações humanas nos processos decisórios, que vêm sendo mapeadas e, além disso, conseguir ter uma visão mais ampla dos impactos de cada decisão ao aplicar todo e qualquer conhecimento de matemática financeira. Afinal de contas, pode ser melhor economicamente utilizar ingredientes de má qualidade, mão de obra escrava, fazer com que as pessoas tenham um tempo de vida mais curto, reduzindo custos com previdência e tratamentos de saúde, mas os impactos de tudo isso precisam “falar mais alto” e ter um peso maior no comportamento dos indivíduos.

É esse uso do dinheiro mais ético, responsável e sustentável que pretendemos construir a partir da educação financeira comportamental. Convido você a conhecer mais sobre o assunto, mergulhar nessa jornada e fazer parte dessa transformação!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

Presente! O “X” da Questão

Já percebeu quanto do seu tempo é tomado pela ansiedade, tensão, medo e outras preocupações com o futuro?

E quanto do seu tempo é gasto com arrependimento, ressentimento, amargura, ou outros sentimentos ligados ao seu passado?

Agora pare para perceber, quanto tempo você tem conseguido viver efetivamente no presente?

Pois é, o excesso de PASSADO ou de FUTURO, pode fazer com que você não consiga desfrutar o PRESENTE.

No que se refere ao passado, se por um lado ele tem lembranças maravilhosas, também possui momentos ruins e experiências negativas, que geram pensamentos e sentimentos debilitantes como, por exemplo, saudosismo, culpa ou rancor.

Por outro lado, quando não conseguimos olhar com sabedoria para o nosso futuro, podemos nos ver reféns da ansiedade. Seja por desejo ou por medo intenso de algo que está por vir. Esta aflição, acaba não nos permitindo prestar atenção no presente.

Mas qual é a solução para estas nossas fugas do presente?

Existem diversas atitudes que você pode passar a adotar, para assumir o comando da sua vida e fazer o seu presente algo maravilhoso de ser vivido:

1) Que tal Saudade no lugar de Saudosismo?

A Saudade pode ser uma sensação boa, quando nos permite reviver na memória momentos especiais do nosso passado, sem perder a paixão pelo presente. Na verdade, ela pode, inclusive, nos inspirar a construir no Presente aquilo que pretendemos viver no Futuro.

2) Vamos trocar a Culpa e o Rancor por Redenção?

Não podemos e não devemos meramente esquecer do nosso passado.

Quando ferimos ou prejudicamos alguém, podemos nos focar em reparar os danos que causamos e quando somos feridos, podemos praticar o perdão, para seguir em frente em nossas vidas.

Ambos os caminhos nos levam à Redenção do mal em nosso passado, nos libertando para viver nosso presente e, quem sabe, podermos até alcançar a Gratidão, por tudo que aprendemos com os altos e baixos da nossa jornada.

3) E se substituíssemos a nossa Ansiedade por Preparação?

Sim! Se você está sentindo muito medo ou desejo em relação ao seu futuro, que tal investir suas energias no Presente, preparando-se da melhor maneira possível para os desafios que virão?

Planejamento, Colaboração e Networking, são algumas das diversas ações que você pode tomar no seu Presente para construir o Futuro que você deseja.

Viver o Presente é o “X” da Questão!

Portanto, quando o passado ou o futuro estiverem roubando a sua atenção repita esta frase: “Eu aprendo com o PASSADO e atuo no PRESENTE, para construir o meu melhor FUTURO!”

Rafael Takei

Rafael Takei

Embaixador IKIGAI, Mestre em Gestão e Desenvolvimento Regional, MBA em Gestão de Recursos Humanos e Administrador de Empresas.

A BNCC e os Direitos de Aprendizagem Relacionados ao Currículo e Planejamento – Parte 2

A BNCC e os Campos de Experiência trazem configurações e guias para a evolução conceitual do Currículo e propõem ao Planejamento autonomia e clareza, priorizando situações e experiências concretas entrelaçadas aos conhecimentos e habilidades evidenciadas a cada fase, oferecendo oportunidades de agir, criar e produzir cultura.

O eu, o outro e o nós. Prima pela construção da identidade e subjetividade via experiências de autoconhecimento e interações positivas, noção de pertencimento e valorização das tradições culturais. Trabalha a autonomia, a empatia e a interdependência com o meio.
Corpo, gestos e movimentos. Têm foco no uso do espaço com o corpo e variadas formas de movimentos, construindo referências de como ocupar o mundo, a vida cotidiana e o mundo da fantasia, interagindo com diferentes linguagens artísticas e culturais, enfatizando o contato e expansão das formas de expressão corporal.

Traços, sons, cores e formas. Incentiva o contato recorrente com manifestações culturais, artísticas e científicas, amplia o repertório artístico e faz o reconhecimento de preferências em arte, capacidade de improvisação e contato com as festas populares.
Escuta, fala, pensamento e imaginação. Aponta para o comportamento expressivo e o papel como leitor e ledor, imaginação e representação, interesse pela linguagem escrita, experiências gráficas em contextos significativos do cotidiano, organização do pensamento e atos de ler e escrever de maneira espontânea.

Espaço, tempo, quantidades, relações e transformações. Favorece a construção das noções de espaço em situações estáticas e dinâmicas, esquema corporal, percepção espacial e dos objetos, relações de tempo físico e cronológico, ordem temporal e histórica. Agrega as transformações dos diferentes modos de viver em outras épocas e culturas e a ideia de causalidade a partir dos variados materiais, situações e objetos.

É fato: os Campos de Experiência transformam Currículo e Planejamento, pois privilegiam empatia aos propósitos que guiam nossas vidas, desejos, quem somos, como reconhecemos o passado, como vivemos o presente e semeiam futuros dinâmicos sobre o que e quem queremos ser.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Educação em Foco
Valéria Pellicano

Vivenciando o Ensino Híbrido

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O que as minhas decisões financeiras tem a ver com a pobreza e destruição ambiental?

Você já parou para pensar sobre os impactos do SEU CONSUMO diário, mensal e anual, na sociedade e no meio ambiente? Para a maioria das pessoas as pequenas decisões do dia a dia passam despercebidas, são ações automáticas e muitas delas herdadas da família.

Por exemplo, quando você compra um sabão em pó e usa para lavar as roupas, o conteúdo do produto é dissolvido na água que, dependendo da região onde mora, vai para o esgoto e acaba voltando para a natureza, em alguns casos com tratamento e em outros casos, sem tratamento. Enfim, será que o produto que você escolheu é biodegradável? Será que a embalagem é feito com papel, plástico, material reaproveitável ou reciclável? Você calcula o custo por lavagem? Sabe se o fabricante paga impostos, atua de forma idônea?
Vale sempre uma reflexão, pois mesmo sem querer, podemos estar aumentando ou diminuindo os problemas sociais e ambientais com as nossas pequenas decisões diárias.

A ideia não é ficar ( psíquico ou) radical, mas começar a alinhar as decisões de consumo com os valores de vida, passar a se informar e ler embalagens, pois afinal, vivemos em uma sociedade que usa o dinheiro para suprir necessidades e atender aos nossos desejos, e podemos fazer isso com responsabilidade e sustentabilidade.

É por isso que é tão importante educar financeiramente os adultos, jovens e as crianças, para que tenhamos uma sociedade melhor preparada para usar o dinheiro e os recursos, com olhar mais amplo. Muitas vezes ficamos focados apenas no nosso bolso, querendo economizar ao máximo, enriquecer, ganhar mais e acreditando que todas as soluções dos problemas serão resolvidas com mais dinheiro. Mas não é bem assim, existem milhares de pessoas com ótimas rendas e, mesmo assim, endividadas, frustradas, perdendo o sono… porque lhes faltam habilidades comportamentais para fazer o uso dos recursos de forma leve, fluida e responsável.

A partir de agora, convidamos você a sempre pensar, antes de tomar qualquer decisão financeira, quais os impactos na sua vida, na sua família, mas também, os impactos sociais e ambientais que está gerando. Quem você está ajudando? Quem está atrapalhando ao consumir e gerar renda?

Para reduzir as desigualdades sociais e a pobreza, que prejudicam tanta gente, podemos começar a AGIR de forma diferente no dia a dia. Quando você compra produtos de produtores locais, menores, empreendedores sociais, você gera um movimento de apoio aos pequenos, que geram empregos no seu bairro, na sua cidade, e vai permitindo que a concorrência saudável faça sobreviver os melhores;
negócios, com seus produtos e serviços e não, simplesmente beneficia os que têm mais verba publicitária. Essa é uma das vantagens das redes sociais e internet, ela é capaz de dar visibilidade e aproximar pessoas e negócios com baixo custo, de forma mais acessível e democrática.

Lembre-se a sua ação gera impactos capazes de contribuir para um mundo melhor para todos. Faça a sua parte!

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

A BNCC e os Direitos de Aprendizagem Relacionados ao Currículo e Planejamento

Os Direitos de Aprendizagem explicitados pela BNCC legitimam currículo e planejamento como referência para a construção do conhecimento e sua apropriação, e descartam seleção, promoção ou classificação de um sujeito para outro e para o todo.

Conviver: na diversidade de formas, espaços e tempos, parceiros de brincadeira (crianças e adultos), indica o caminho para a Educação que pensa e amplia o respeito à cultura e às diferenças pelo (re)conhecimento de si e do outro.

Brincar: é a iniciativa a ser acolhida e enriquecida no planejamento, associando temáticas artísticas, literárias e conceituais, emergindo novas percepções. Amplia e diversifica o acesso a conhecimentos, imaginação, criatividade, experiências emocionais, corporais, sensoriais, expressivas, cognitivas, sociais e relacionais, essenciais ao desenvolvimento.

Participar: propõe envolver as crianças na organização do cotidiano coletivo, permitindo escolhas, decisões e posicionamentos sobre a estrutura, materiais, espaços e procedimentos, e traz ao professor aporte para observar os resultados e otimizar seu planejamento.

Explorar: reitera elementos concretos e simbólicos, dos saberes culturais: arte, escrita, ciência e tecnologia. Explorar diferentes materiais, movimentos, gestos, sons, formas, texturas, cores, palavras, emoções, transformações, relacionamentos, histórias, objetos, elementos da natureza. Observar, escutar, refletir e perceber o que é pertinente e necessário para si e para todos.

Expressar: indica o sujeito dialógico, criativo e sensível que somos. Sujeitos de necessidades, emoções, sentimentos, dúvidas, hipóteses, descobertas, opiniões, questionamentos. Rodas de conversa, escuta e expressão, conselhos e assembleias com votação e argumentação para tomada de decisões que afetam o coletivo são imprescindíveis no planejamento pedagógico.

Conhecer-se: descoberta de si e do outro, construção de identidade e imagem positiva pessoal, social, cultural e dos grupos de pertencimento. Experiências de cuidado no contexto escolar, familiar e comunitário são estratégicas. Sentir-se cuidado e aprender a cuidar-se, desperta a consciência sobre si e seu corpo e o cuidado do outro.

É fato: os direitos de aprendizagem privilegiam ações e interações com o mundo físico e social que resultam em aprendizagem natural e espontânea, imprimindo intencionalidades proativas ao currículo e planejamento.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

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Valéria Pellicano

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Sabemos que a aproximação família e escola realizada neste ano letivo tem sido primordial no enfrentamento dos desafios que se apresentam. Material didático e tecnologia

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Quando começar a Educação Financeira das crianças?

Sabendo das incertezas do futuro, as pessoas estão sentindo “na pele” a falta que faz não ter tomado melhores decisões financeiras no passado, e surge a necessidade de rapidamente entender e dominar o dinheiro e começar a ensinar, o quando antes, as crianças e os jovens a lidarem melhor com os recursos que têm para viabilizar a qualidade de vida.

Enfrentar desafios tendo o dinheiro garantido acaba sendo sempre melhor do que sem ele. Quem está passando pela pandemia sem a necessidade de se preocupar com o dinheiro, já tem mais tranquilidade e opções para superar esse momento, por mais que o dinheiro não garanta tudo.

Mas aí vem a pergunta, quando começar a educação financeira das crianças? Uma Educação capaz de ajudá-las a resistir às pressões de consumo, entender o valor do dinheiro, a necessidade de planejar gastos e evitar os desperdícios. E, além disso, contribuir para que usem o dinheiro de forma ética e colaborativa.

Como mãe e educadora, tenho vivenciado diferentes etapas e aprendido muito no processo de educação financeira das crianças e jovens, podendo experimentar vários estímulos e observar os comportamentos. Para quem tem crianças por perto, é comum experimentar momentos de birra e espetáculos em lojas, comparações com as aquisições de amigos, chantagens, consumo excessivo de doces e bobagens com o próprio dinheiro…

Costumo dizer que o momento ideal para começar a educação financeira é quando a criança começa a se interessar pelos consumos e passa a pedir coisas. Mesmo antes de entender números e quantidades, é possível ensinar os comportamentos tão fundamentais para quem quer ter uma relação saudável e sustentável com o dinheiro. Por exemplo:

  • Saber esperar é fundamental e a criança pode ser estimulada a esperar não recebendo tudo o tempo todo no momento em que demanda, seja atenção, um alimento, uma brincadeira.
  • Organização é outra habilidade que pode ser praticada em família em diferentes momentos de lazer, arrumação do quarto e das tarefas da escola.
  • Planejamento pode ser trabalhado com a criança desde a preparação de uma receita de bolo, de um piquenique, de uma festinha de aniversário…
  • Listar desejos pode ser praticado criando registro de tudo o que a criança começa a pedir. Ao invés de dizer “é muito caro”, “não tenho dinheiro”, “você já tem um monte de brinquedos”, você pode incentivar que ela organize em uma lista tudo o que ela quer, para que possa ir se organizando, pensando em estratégias para realizar, possa avaliar se é realmente um desejo válido e consiga definir prioridades.
  • Definir prioridades é fundamental e quando as crianças vão crescendo é possível ir mostrando as opções que ela tem, fazendo comparações do tipo, com o dinheiro necessário para comprar esse caderno, você poderia comprar 3 cadernos daqueles ou essas canetinhas. O que você prefere?
  • Gerir os recursos percebendo a quantidade e a finitude, pode ser praticada com o estabelecimento de alguns limites de tempo de uso de celulares, tablets e até mesmo, limitando a carga de energia elétrica desses aparelhos e videogames.

Mesmo antes de dar dinheiro às crianças, é possível fazer com que gerenciem o tempo de uso e vão se organizando e definindo prioridades.

Os comportamentos são mais importantes do que o conhecimento sobre matemática, juros e investimentos, para uma vida financeira leve e sustentável. Temos visto muita gente bem informada e com ótimos salários, com péssimos resultados financeiros e incapazes de usar esse dinheiro para viver bem.

É necessário, também, incentivar o autoconhecimento, o senso crítico, empatia, a capacidade de perceber os desejos e as necessidades pessoais e familiares, entender os impactos sociais e ambientais do consumo, e tudo isso permitirá o desenvolvimento de comportamentos fundamentais para uma vida mais autônoma, leve, responsável e sustentável.

É nosso desejo, como pais e educadores, que a próxima geração esteja melhor preparada para superar os desafios e aproveitar as oportunidades da vida. Para isso, a habilidade de usar bem o dinheiro, investir na educação financeira deles desde cedo, é fundamental.

Como fortalecer as competências digitais dos professores?

Há muito se fala sobre a inserção de tecnologia na Educação. No entanto, o atual contexto exigiu o distanciamento social e fez com que, um assunto que estava no campo dos debates, se tornasse uma necessidade.

Nós, professores, estávamos bem habituados com as atividades presenciais em sala de aula. Para muitos, a utilização das ferramentas digitais se limitava à utilização de processadores de textos, elaboração de slides e utilização de internet para pesquisas.

No entanto, cabe destacar que estamos no século XXI e o desenvolvimento tecnológico pede profissionais que tenham competências para atuar neste novo contexto.

Com base no exposto, fomos buscar um referencial que pudesse nos esclarecer sobre como preparar o professor para este novo contexto. Assim, encontramos dois artigos, ambos publicados em 2020, o primeiro de Garzón-Artacho e colaboradores, na revista Sustainability, e o segundo de Varela-Ordorica e colaboradores, na Revista Electrónica Educare.

Para iniciar, Garzón-Artacho e colaboradores destacaram que o professor do século XXI é aquele que possui competências para conduzir os estudantes no processo de aprendizado assistido por tecnologia.

Neste aspecto, precisamos urgentemente de professores que tenham competências digitais para desenvolver os indivíduos para o futuro e para essa sociedade que está se desenhando.

E, qual seria o caminho para desenvolver e fortalecer as competências digitais dos professores?

Com base nos dois artigos, extraímos três estratégias recomendadas para desenvolver as competências digitais dos professores que destacaremos a seguir:

1. Proporcionar maior facilidade de acesso às tecnologias

Os autores afirmam que o acesso aos equipamentos, aos softwares e à rede deve ser observado, pois constitui um fator importante para que o professor possa aderir o uso de ferramentas digitais.

Um país continental como o Brasil seria muito beneficiado com as tecnologias mas, temos também uma desigualdade de igual extensão de acesso não apenas de professores mas de estudantes também. 

2. Crenças em relação à tecnologia

Os pesquisadores apontaram que existe uma distinção entre os usuários de internet. Assim, há aqueles que cresceram, desde o início de suas vidas, imersos na tecnologia, são os chamados nativos digitais. Há ainda aqueles os quais a tecnologia nem sempre foi presente e, cresceram em ambiente analógico, são os chamados imigrantes digitais.

Os artigos apontam que esta diferença de exposição tecnológica pode influenciar em como o professor vê as ferramentas digitais e como acredita ser possível a incorporação dessa em sua sala de aula. Assim, o uso ou não da tecnologia está condicionado não apenas aos conhecimentos e habilidades, mas às suas atitudes e crenças em relação a ela.

Logo, haveria uma probabilidade menor de implantação de inovação em sala de aula se esta não estiver alinhada aos valores, crenças e práticas pedagógicas adotadas pelos professores e suas instituições.

Importante aqui é incentivar a mentalidade de crescimento dos professores, a autoeficácia e a cultura de aprender a aprender sempre.

3. Conhecer as ferramentas digitais e saber utilizá-las no contexto educacional

Os autores afirmam que é importante que professores conheçam as ferramentas digitais. No entanto, como já foi explicado anteriormente, apenas conhecer não é o suficiente para que sejam utilizadas com eficiência.

Os artigos afirmam que as ferramentas digitais estão por toda parte e, com o desenvolvimento tecnológico, tendem a cada dia estarem mais presentes no cotidiano das pessoas.

No entanto, elas podem ser inúteis caso não sejam adequadamente e significativamente integradas ao processo de aprendizagem, devendo ser adequadas ao contexto pedagógico, conforme afirmam os pesquisadores. Assim, o professor deve ter competências digitais suficientes para que este processo ocorra.

Os artigos apontam que a dificuldade em utilizar as ferramentas digitais aliada ao desconhecimento de metodologias ativas, faz com que professores repliquem uma aula tradicional no contexto digital, realizando apenas a curadoria de conteúdos. Desta forma, os professores devem ser competentes para protagonizar a produção e o compartilhamento de seus próprios conteúdos digitais.

Os dispositivos eletrônicos como o computador, tablet e celular, contêm muitos elementos que sequestram a atenção dos estudantes. Neste sentido, se faz importante pensar que as estratégias de metodologias ativas, alinhadas ao conhecimento de ferramentas digitais e conteúdos protagonizados pelos professores poderiam proporcionar maior engajamento dos estudantes.

Assim, os artigos defendem que os professores necessitam compreender e, também ter a habilidade em adotar novos formatos de sala de aula, como por exemplo, a utilização de aprendizagem baseada em projetos, sala de aula invertida, Trezentos, Summaê ou outras metodologias ativas com o apoio das ferramentas digitais.

Os autores apontam também a importância da incorporação de programas que fortaleçam as habilidades tecnológicas em conjunto com as pedagógicas para desenvolvimento das competências digitais dos professores.

Os artigos concluem que é importante compreender que, se não houver o uso adequado das tecnologias e das ferramentas digitais, o ensino não poderá ocorrer de maneira eficaz e impactará nos resultados de aprendizagem dos estudantes.

E, para auxiliar no desenvolvimento destas competências digitais, disponibilizamos aqui o link para nosso e-book: 20 Ferramentas Digitais para Educação On-line em Formato de Infográficos. Usem sem moderação!

Referências
Garzón-Artacho, E.; Martínez, T.S.; Ortega Martín, J.L.; Marín Marín, J.A.; Gómez García, G (2020). Teacher Training in Lifelong Learning—The Importance of Digital Competence in the Encouragement of Teaching Innovation. Sustainability, 12, 1-13.
Varela-Ordorica, Sandra Araceli, & Valenzuela-González, Jaime Ricardo (2020). Use of Information and Communication Technologies as a Transversal Competence in Teacher Training. Revista Electrónica Educare, 24(1), 172-191.

Thaís Fragelli

Thaís Fragelli

Graduada em Fisioterapia, Especialista em Neuroaprendizagem, Mestre em Psicologia Social, do Trabalho e das Organizações e Doutora em Ciências da Saúde pela Universidade de Brasília. Possui experiência com educação corporativa, docência nível técnico, superior, residências médica e multiprofissional, pós-graduação com metodologias ativas, colaborativas, ágeis, significativas. Recebeu o prêmio na área de desenvolvimento de competências e foi finalista do Prêmio Educação Empreendedora do SEBRAE em 2019. Pesquisadora de estratégias de ensino-aprendizagem voltadas ao desenvolvimento de competências, neurociência e inovação.

A nova maneira de organização do ensino implementada pela BNCC

Garantir o acesso às competências gerais estipuladas pela BNCC, tornam o contexto educacional mais justo, igualitário e inovador, ao reconhecer a Educação Infantil como fundamental para a construção da identidade e subjetividade do aluno, significando um marco histórico objetivo e pontual, ao estabelecer direitos de aprendizagem e campos de experiência. As práticas alinhadas aos interesses e necessidades do aluno garantem enfaticamente o sucesso da vivência educativa.

Direitos de aprendizagem e campos de experiência são fundamentais para nortear e apoiar o aprender, enfatizando noções, atitudes e afetos que, aflorados, influenciam a trajetória do ser e do aprender ao longo da vida.

Unidades temáticas, habilidades e objetos de conhecimento são prioridades a cada passo. Orientando e acompanhando empaticamente vivências e experiências para o desenvolvimento da identidade pessoal e social do aluno, garantem espaço, tempo, expressão e liberdade para o interagir, explorar, pesquisar, imaginar e movimentar-se.

Para contemplá-los, precisamos agir pedagogicamente e socialmente a fim de garantir experiências, vivências, atividades e propostas alinhadas a cada aspecto considerado fundamental nesse processo. Todo o aporte para a aprendizagem é construído pela espontaneidade, seus porquês e suas respostas.

Enquanto a sistematização dos conceitos é proposta a partir do Ensino Fundamental, quando as formulações poderão e deverão ser embasadas no currículo de cada disciplina, o desenvolvimento de estratégias de observação, formulação de questionamentos, criação de hipóteses, exposição de sentimentos, espaço para narrativas e o pensar sobre o mundo e sobre cada espaço tem seu princípio na Educação Infantil.

A nova maneira de organização do ensino implementada pela BNCC acolhe o ser e seus mundos. Os múltiplos universos possíveis, prováveis ou improváveis importam e se conjugam em sistemas, influenciados pela natureza humana, o meio ambiente e o meio social.

Em cada ser há um mundo a ser explorado. O planeta Terra é o planeta Água, é o planeta Vida. Os campos de experiência delimitam os recursos, e os direitos de aprendizagem delineiam o percurso riquíssimo do aprender e recriar conhecimento, solidariedade e luz na Educação Básica – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano

Valéria Pellicano é Pedagoga, Especialista em Educação Especial com vasta experiência no processo de alfabetização e formação de professores. Atualmente coordena o Parque Escola Bico Amarelo - Acessibilidade e Inclusão, atendendo sistemas de ensino pelo Brasil.

Por que um clássico é um clássico?

O que faz uma determinada história ou personagem permanecer por décadas ou séculos na imaginação das pessoas, em diversas partes do mundo? Quais critérios tornam uma obra um clássico? Será que o autor define o clássico? O público? A crítica? O tempo?

Conheci uma escritora que publicou meia dúzia de livros por uma editora paga. No texto promocional, ela se definia como “Fulana, autora de X, verdadeiro clássico da literatura nacional”. Que a Fulana me desculpe, mas mesmo que seus amigos adorassem o livro, que ela tivesse vendido milhões de exemplares ou as críticas a respeito da obra fossem deslumbrantes, nada disso tornaria o seu livro um clássico.

Quem diz que um CLÁSSICO É UM CLÁSSICO não é você. Não é sequer a crítica da sua época; um best-seller de uma geração pode desaparecer na próxima. Um livro extremamente antenado a fatos do cotidiano pode ser quase ilegível em épocas ou sociedades que não valorizam aqueles acontecimentos. Personagens que são espelhos característicos do hoje nada refletirão amanhã…

E às vezes acontece o contrário. Um livro passa desapercebido entre os contemporâneos e ganha a imortalidade anos depois da sua edição. Foi o que aconteceu, por exemplo, com DRÁCULA, de Bram Stoker (1847-1912). O livro não teve sucesso imediato; depois da morte do autor, uma versão teatral despertou interesse pelo texto e protagonista, a ponto de Hollywood comprar os direitos e filmar a história com o mesmo ator dos palcos londrinos. Foi a consagração de DRÁCULA e do ator Béla Lugosi. Ao sucesso extraordinário do filme seguiram-se outros, a “draculamania” se espalhou pelo planeta, com inúmeros seguidores explorando o filão “vampiresco”, em outros livros, filmes, reportagens.

Seguidores! Essa também é uma das características que define um clássico. Determinada obra agrada a tal ponto, desperta tanto interesse, que surgem outros autores a explorar o estilo, personagem, enredo de sucesso. Curiosamente, podemos até dizer que a inovação de uma obra (seja em estilo, temática, protagonismo etc), a partir da hora em que se multiplica em seguidores ou mesmo plagiadores, acaba por se tornar o convencional. Um exemplo visual: no filme PSICOSE, de Alfred Hitchcock (1899-1980), a protagonista morre na primeira meia hora, em cena dramática no chuveiro. Tudo era extremamente ousado e inovador em 1960; a partir desse sucesso, mil e um filmes de terror e suspense exploraram a ideia, inclusive utilizando o box do chuveiro como espaço apavorante.

Outro elemento, que faz um clássico transcender ao seu tempo e até às intenções do autor, acontece quando personagens viram ícones do que representam. A peça ROMEU E JULIETA, de William Shakespeare (1564-1616), por exemplo, referia-se ao amor dos jovens das famílias Capuleto e Montecchio, em Verona, Itália. Essa história de amor desditoso já era de conhecimento oral e mesmo registrada em DECAMERÃO, de Giovanni Boccaccio (1313-1375), duzentos anos antes de Shakespeare escrevê-la. Portanto, não era um enredo inédito; mas o estilo primoroso do autor inglês, a magnífica caracterização de personagens e de seu sentimento sublime, a empatia que o público sentia com destino trágico dos apaixonados, tudo isso comoveu as plateias elisabetanas e prosseguiu cativando espectadores do mundo todo. A tal ponto que, hoje, “Romeu e Julieta” são símbolos de um casal apaixonado.

Então, o que faz um texto ficar para a eternidade? O que eleva personagens comuns ao papel de ícones mundiais?

Tudo isso: a capacidade de sedução da obra, a ponto de inspirar seguidores; o sucesso, não só imediato mas entre gerações futuras; a caracterização de personagens que extrapola seu perfil e os faz personificar sensações ou atitudes – são bons elementos para definir um clássico.

Claro que, quando uma obra ganha destaque, é comum que surjam traduções para outros idiomas. Este fato, por si, não define um clássico. O tradutor geralmente se mantém muito fiel ao original.

Fidelidade ao original! O que fazer se um clássico envelhece? O tema e personagens prosseguem sedutores, mas o estilo, por exemplo, tornou-se antiquado. Ou valores de época do leitor destoam da época em que o livro foi escrito. Ou ainda o formato da obra é detalhista, excessivo, afasta leitores mais jovens ou menos informados. Neste caso, para que a obra permaneça fresca e atraente, surgem as versões ou adaptações.

Esse trabalho requer a habilidade de manter o essencial da obra, adaptando-a para os novos tempos. Há críticos que questionam esse trabalho, acham que são simplificações que deturpam o original. Outros defendem que é uma maneira de tornar acessíveis temas e obras que, se mantidas no original, se tornariam ilegíveis.

Particularmente defendo as adaptações. Já fiz várias, de livros que admiro: OS TRÊS MOSQUETEIROS, ROBINSON CRUSOE, uma lenda francesa para público infantil, em A PEDRA MÁGICA DO TEMPO. Também recorri a fatos biográficos ou poemas de um autor, no caso, Luís de Camões, em A NAMORADA DE CAMÕES para homenagem e proposta literária. Foram abordagens gratificantes. Acredito que esse trabalho, a partir do clássico, permite ampliar o público a ser alcançado.

Sou uma leitora apaixonada, que gosta de dividir sua paixão com outras pessoas. Muitos livros que li, quando criança, foram adaptações de clássicos. Adulta, pude reler o original e me vi seduzida em ambos os momentos. Se as adaptações (respeitosas à intenção do autor) são uma ferramenta de sedução e difusão, por que não se utilizar delas?

Afinal, os textos – quando alcançam a dimensão de clássicos da literatura – merecem permanecer na nossa imaginação, por séculos e séculos afora.

Marcia Kupstas

Marcia Kupstas

Marcia Kupstas é escritora profissional desde 1986. Nasceu em São Paulo, capital, em 1957. Seu primeiro livro, CRESCER É PERIGOSO, ganhou o Prêmio Revelação Mercedes-Benz 1988 e lhe abriu as portas para uma carreira vitoriosa junto ao público jovem. Tem mais de 160 títulos publicados, com mais de 3 milhões de exemplares vendidos. Cursou a Faculdade de Letras da Universidade de São Paulo e lecionou Literatura e Técnica e Metodologia de Redação em grandes escolas da capital. Em 2016/17 residiu em Portugal, onde pesquisou e publicou o livro BALADA DOS ROCKEIROS MORTOS E ANJOS CAÍDOS (ed. CHIADO BOOKS, 2018). Em 2018/19 foi por rodovias de Rio Branco (Acre) a Cusco (Peru), para pesquisar o enredo de FRONTEIRAS (ed. FTD, 2020). Outros destaques na carreira: É PRECISO LUTAR! (ed. FTD, 1987, Prêmio Orígenes Lessa); A NAMORADA DE CAMÕES (ed. FTD, 2014). Divorciada, tem dois filhos, Igor (nasceu em 1980) e Carla (nascida em 1990). Participa em eventos de literatura como Feiras do Livro e ministra workshops e palestras para professores, junto a secretarias da Educação ou entidades particulares, em todo o Brasil.

Por que educação financeira deve ser ensinada na escola?

Você já parou para pensar em quantas decisões toma por dia que envolvem dinheiro? Em quantas áreas da sua vida o dinheiro está presente: alimentação, saúde, moradia, transporte, educação, estética, lazer…? E, ainda, quanto tempo se dedicou a aprender sobre como usar melhor o dinheiro? Para a maior parte das pessoas estas reflexões levam à seguinte conclusão: o dinheiro faz parte de MUITAS áreas da minha vida, uso o tempo todo e eu ainda não me dediquei a aprender sobre ele. Isso explica a desigualdade de renda, pobreza e o ENORME desafio financeiro que as pessoas enfrentam para conciliar desejos e necessidades ao longo da vida, fazer reservas para saúde, e ainda construir condições para uma aposentadoria com qualidade e tranquilidade.

Os estudos comportamentais estimam que, diariamente, uma pessoa toma aproximadamente 35.000 decisões, e sem dúvida, muitas delas têm impactos no bolso. Por exemplo: no banho, se ele for rápido ou mais longo, a quantidade de produtos utilizados, se for com água fria ou quente e a forma usada para aquecer essa água, geram diferentes custos. E, quando paramos para pensar, isso acontece constantemente, pois, por mais que a gente não esteja comprando coisas o tempo todo, estamos usando coisas o tempo todo.

Aprender a usar melhor o dinheiro pode contribuir para que essas decisões do dia a dia estejam mais alinhadas com o que você valoriza e tem condições de realizar. Não se trata apenas de matemática, de investimentos, de calcular juros, trata-se de comer, dormir, viajar, passear, aprender, cuidar de você e das pessoas ao seu redor. Porque o dinheiro é apenas um dos recursos que temos à nossa disposição, mas ele está por trás de muitas ações e hábitos que fomos desenvolvendo ao longo do tempo.

Quando temos a oportunidade de aprender essa “linguagem” do dinheiro, temos condições de usar melhor esse recurso e tomar decisões éticas levando em consideração aspectos pessoais, sociais e ambientais. E, como são questões COMPORTAMENTAIS que passam por autoconhecimento, autoeficácia, disciplina e perspectiva temporal, quanto mais cedo começarmos os aprendizados, melhor.

Os impactos do mau uso do dinheiro afetam a vida pessoal e familiar, um estudo Employee Wellness Survey, de 2019, feito pela consultoria e auditoria PwC “mostrou que para 59% dos trabalhadores as finanças pessoais são a principal fonte de suas preocupações, superando o emprego (15%), relacionamentos (10%) e saúde (4%).” Além disso, um estudo realizado pelo Isma-Br em 2018, “mostrou que 56% dos entrevistados usavam bebidas alcoólicas para evitar pensar sobre as dívidas; 53% tomavam medicamentos e drogas para fugir do problema; e 35% descontavam a tensão em junkie food.” Então, desenvolver a educação financeira gera impactos positivos em vários aspectos para a qualidade de vida.

Ainda se considerarmos os problemas sociais como a corrupção, a violência, o trabalho escravo, a exploração sexual e a destruição ambiental, enxergamos facilmente questões econômicas por trás de cada um deles. É fundamental ter a perspectiva de que o investimento em educação financeira nas escolas permite contribuir com melhorias em pelo menos 6 dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU: erradicação da pobreza, saúde e bem estar, educação de qualidade, trabalho decente e crescimento econômico, redução das desigualdades, e consumo e produção responsáveis.

O trabalho de educação financeira feito a partir das escolas atinge educadores, estudantes e as famílias e é capaz de impactar com enorme capilaridade e agilidade a sociedade. As escolas pioneiras, sem dúvida, já estão entregando ao mundo cidadãos melhor preparados para viver e atuar de forma responsável e colaborativa neste mundo em constante transformação.

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki

Carolina Ligocki, autora e diretora da Oficina das Finanças. Nasceu em 1974. É bióloga, mãe, esposa, filha, irmã, amiga, autora e empresária. Atua, juntamente com o marido, Leonardo Silva, desde 1999, no desenvolvimento do método dos 6Gs, que estimula comportamentos financeiros sustentáveis, na Oficina das Finanças. Uma de suas paixões é impactar positivamente a vida das pessoas com conteúdos e estratégias inovadoras a respeito desse assunto. É autora de mais de doze livros de educação financeira comportamental para crianças, jovens e adultos, e que já atingem mais 100.000 pessoas em todo o Brasil.

LER, CRIAR, BRINCAR (também em tempos de pandemia)

Sempre gostei de ouvir e contar histórias. Ao ouvi-las, me imaginava nos lugares, como se fosse a personagem em questão. Acho que de tanto escutar essas histórias e de lê-las, decidi passar para o papel as que eu inventava também. Eu sempre me conectei com o lúdico, encontrando nas histórias inúmeras possibilidades. Nunca andei de bicicleta, mas, nos textos que escrevi, era exímia na bike. Se em algum momento da vida encontrei dificuldades, eu as colocava nas histórias, encontrando soluções aqui e ali, tanto para as personagens como para as minhas próprias. A diversão, pelo menos, era garantida. Além da diversão, encontro nas histórias esperança, uma conexão entre os familiares e amigos.

Nunca encarei leitura como uma tarefa chata, nem quando pequena. A criança precisa sentir prazer ao ler, o mesmo prazer que sente ao brincar, porque a leitura é lúdica.

As histórias, para mim, sempre vieram (como ainda vêm) através de várias formas, vários canais. Uma história que ouvi, uma reportagem publicada no jornal, uma conversa, e até de um pedido. Por exemplo, o texto do Cadê o livro que estava aqui? surgiu de uma conversa e uma sugestão. Durante um almoço, um amigo perguntou: “Por que não escreve um texto partindo daquela parlenda ‘Cadê o toucinho que estava aqui?’” Terminamos o almoço, voltei para casa e comecei a escrever. A história é curta, como a parlenda. Reescrevi algumas vezes até que o texto ficasse redondo, fluido. No lugar do “toucinho”, coloquei “livro”. E se ele não estava ali, alguém o pegara. Mas quem? O cachorro, claro. E eles saíram correndo para pegar quem? Um gato, com certeza! E ele só podia ir atrás de um rato. E assim a história fluiu, sem muita dificuldade (o que nem sempre acontece!) Faltavam as imagens, que precisavam ser bem coloridas. E foram, na escolha de uma ilustradora maravilhosa, que é Jana Glatt.

Com o livro na mão, posso construir outros personagens para esse mesmo texto, uma joaninha, um caracol, uma menina, a madrinha, o padrinho. Também posso mudar o título e o final. E que tal representar com outras ilustrações? Ao contar, então, invento vozes diferentes, faço sons, imito o cachorro, o gato, o passarinho, uma capa nova para o livro.

Nesses tempos de pandemia, em casa, a imaginação não fica de máscara e nem trancada. Ela voa, sabe? Entra em todos os lugares, sem pedir licença, nem precisa passar por higienização. Criatividade todo mundo tem? Não, mas a gente dá um jeito. Pesquisa, segue o instinto, lê, faz vozes, bate na mesa imitando batidas do Lobo Mau, faz voz fina, voz grossa, refaz o livro de tantas formas que nem o autor imaginaria.

Nesses tempos de confinamento, leia e invente. Crie. Brinque. E mande uma foto do que criou, inventou. Não tem coisa que eu mais goste de receber do que isso… Esses momentos em que você para tudo e se lança para os braços da criatividade com as crianças. Aliás, a redescubra em você. Criatividade tem braços? Sim, e pernas, rabos e pelos. Pode ter penas também, se for o caso. Você decide!

Bem-vindo ao mundo das histórias! Com certeza, a criança que existe em você (e também aquela de quem você cuida) guardará esses momentos na memória para sempre. E essa mesma criança vai fazer o mesmo com as que virão. E o mundo se tornará melhor com tantas leituras, tanta criatividade e compartilhamento.

Telma Guimarães

Telma Guimarães

Telma Guimarães nasceu em Marília-SP. Aluna de intercâmbio nos Estados Unidos, formada em Letras Vernáculas e Inglês pela Unesp, Marília, Professora concursada da Rede Estadual de Ensino de SP, lecionou por muitos anos em Campinas. Recebeu da APCA (Associação de Críticos de Arte de SP) o título de Melhor Autora, em 1989, pelo livro Mago Bitu, Edições Loyola.
É autora de livros infantis, juvenis, bilíngues, dicionário bilíngue e livros didáticos de Ensino Religioso e de Inglês.
Pela FTD Educação, publicou recentemente o livro infantil Cadê o livro que estava aqui?, com ilustrações de Jana Glatt, Bichodário, Numeródromo, e os juvenis Infância roubada, coautoria com Júlio Emílio Braz, Meu avô & eu, Segredos de agenda, Quem vai pra cozinha?.
A autora mora em Campinas-SP.